“Não quero outra nora, e você faz o que quiser!” – disse a mãe ao filho.

No dia em que terminei a faculdade, tive a ideia repentina de casar-me com a minha primeira paixão do liceu, Leonor! Leonor era bonita, mas, para além disso, era uma rapariga inteligente e bondosa. Nesse tempo ela também estava a finalizar a sua tese. Combinámos casar-nos logo que ambos terminássemos os estudos.

Decidi então contar à minha mãe sobre o casamento, mas ela não trouxe boas notícias. Disse-me que só poderia casar com Inês, a filha dos vizinhos, ou então não casava com mais ninguém. Perguntou-me o que era mais importante para mim: a carreira ou o amor? O sonho dela era ver-me tornar-me um homem de sucesso.

Inês vinha de uma família abastada, e além disso, sempre teve uma queda por mim, mas eu estava envolvido com esta Leonor, que não tinha família de prestígio nem raça. E ainda por cima, a mãe da Leonor era mal falada… O que as pessoas iriam dizer?

“Não preciso de outra nora, fazes como quiseres!” disse-me a minha mãe.

Tentei convencer a minha mãe durante muito tempo, mas ela foi inflexível. Acabou por dizer que se casasse com Leonor, lançaria uma maldição sobre nós. Naquele momento, tive medo. Leonor e eu namorámos mais seis meses, mas com o tempo, tudo se foi apagando.

Acabei por casar com Inês. Ela estava realmente apaixonada por mim, mas decidimos não fazer festa de casamento. Não queria que Leonor visse fotos da cerimónia em lado algum. Foi assim que começámos a nossa vida juntos. Inês era de família rica, por isso mudei-me para a casa grande deles em Cascais. Os meus pais ajudaram-me a subir na vida profissional. Mas nunca consegui encontrar felicidade.

Nunca quis ter filhos. Quando Inês percebeu que não me conseguiria convencer, pediu o divórcio. Nessa altura eu já tinha mais de quarenta anos e ela trinta e oito. Mais tarde Inês teve um bebé e então encontrou a verdadeira felicidade.

Eu continuava a sonhar em casar com Leonor, tentei procurá-la, mas nunca consegui encontrá-la. Era como se tivesse desaparecido. Um amigo contou-me que, depois de nos separarmos, Leonor casou-se com o primeiro homem que encontrou, e ele revelou-se um canalha.

A partir daí, comecei a viver no velho apartamento dos meus pais, afundei-me na bebida. Olhava para a fotografia de Leonor todos os dias, e nunca consegui perdoar à minha mãe.

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“Não quero outra nora, e você faz o que quiser!” – disse a mãe ao filho.
– Olá, Lídia! Vai recebendo a visita – disse a irmã, empurrando a mala para o hall com o pé