Olha, tenho uma história para te contar que parece saída de uma conversa de café. Os pais do meu amigo sempre trabalharam incansavelmente para garantir que o filho tivesse tudo o que precisavaaquele apoio de família bem típico aqui em Portugal, sabes? Sempre estiveram ao lado dele em cada passo, a dar conselhos e a ajudar seja no que fosse. A mãe, a Dona Manuela, acreditava mesmo que o filho precisava de uma boa base para começar a vida, por isso, quando ele terminou o secundário, deram-lhe um carro, e quando entrou na universidade em Coimbra, arranjaram-lhe um apartamento pequenino, mas todo catita.
O meu amigo, o Miguel, sempre foi daqueles rapazes de responsabilidade, que valorizava o que os pais diziam e informava-os de tudo. Mas, olha, a Dona Manuela começou a ficar inquieta quando ele fez 27 anos porque não mostrava nenhum interesse em casar-se. Apesar de ter tido algumas namoradas antese estamos a falar de nomes bem portugueses, tipo Mafalda ou Filipanada parecia ser a tal para a mãe.
Ela queria mesmo era ver o filho feliz e bem acompanhado, sonhava até com ele a sair da igreja com uma mulher ao lado, e imaginava-se a dar-lhes uma viagem pela Madeira como prenda de casamento. Mas, sem ela imaginar, o encontro com a futura esposa do Miguel virou tudo de pernas para o ar. A mãe começou a perceber que o filho andava sempre agarrado ao telemóvel, a sair mais bem vestido e a ir a jantares. Ficou toda contente, claro, a pensar que finalmente ele estava a tomar um rumo mais sério.
Um dia, o Miguel disse-lhe que ia apresentar a noivacom quem queria mesmo casar. A Dona Manuela ficou em pulgas, ansiosa por conhecer a mulher que ia chamar de nora. Só que, quando chegou o dia, em vez da típica jovem de 20 e tal anos, encontraram uma mulher de 38, a Ana, que já vinha com dois filhos pela mão. E o Miguel, lembra-te, só tinha 27.
Os pais, claro, não gostaram nada da situação. Ficaram furiosos, mostraram claramente a sua reprovação. Disseram que, se o Miguel queria mesmo casar com a Ana, tinha que entregar-lhes as chaves do apartamento em Coimbra e do carro. Ele, sem hesitar, devolveu tudo e disse que ia arcar com as consequências sozinho. Depois disto, cortou completamente o contacto com os pais: bloqueou-os no WhatsApp, deixou de ligar, de mandar mensagens, nada. Mais tarde, a Dona Manuela ficou a saber através de primos que o Miguel estava a passar por momentos complicados. Ela ainda acredita que ele vai perceber as dificuldades e voltar atrás, e que talvez um dia decida não continuar a viver com a Ana. Olha, histórias de família, não é?







