Lúcia estava completamente apaixonada por Tiago, pe care îl considera o alma gémea. Sonhava casar-se com ele, mas o seu pai não via com bons olhos essa escolha. Já a mãe dela passou a simpatizar com Tiago assim que ele lhe apareceu à porta, no primeiro jantar juntos, com um enorme ramo de flores. Apesar desse gesto, o pai de Lúcia tinha algumas reservas sobre o rapaz. Reparou, por exemplo, que embora Tiago tivesse convidado Lúcia para jantar num restaurante em Lisboa, acabou por ser ela a pagar a sua parte da conta, porque ele disse não ter saldo suficiente no cartão. Além disso, Tiago estava desempregado, dizendo-se à procura de trabalho mas sem grande sucesso nesse objetivo.
Apesar de tudo, Tiago pediu Lúcia em casamento, e ela aceitou sem hesitar. Com algum jeito por parte da mãe, conseguiu convencer o pai a dar o seu consentimento. No entanto, ele avisou-a de que ela ficaria com todo o peso das despesas familiares às costas, porque Tiago não seria um apoio fiável. Avisou ainda que não daria nenhum apoio financeiro ao genro.
Mesmo perante estas preocupações, Lúcia avançou com o casamento. O pai acabou por ajudar, oferecendo metade do valor de um carro e encarregando-se de pagar a renda do casal. Os amigos de Lúcia chegaram a invejá-la pelo apoio familiar que tinha. Nos primeiros dois meses depois do casamento, parecia que tudo corria bem, mas depressa os problemas começaram a aparecer. Tiago não encontrava trabalho e, como o pai previra, Lúcia tornou-se a única a sustentar a casa.
Um dia, a sogra de Lúcia sugeriu ao pai dela que desse um emprego a Tiago, uma oportunidade melhor do que aquelas que ele conseguia encontrar. Lúcia foi falar com o pai, e este acabou por aceitar Tiago numa vaga de ajudante numa empresa de aço em Setúbal. No entanto, Tiago não aguentou o ritmo e ao fim de dez dias desistiu, acusando o sogro de humilhá-lo com funções modestas quando sentia que merecia logo um cargo de chefia.
Lúcia voltou a pedir conselhos ao pai, e este questionou as habilitações do genro. Descobriu então que Tiago nem sequer tinha completado o curso na universidade, justificando-se com quezílias com alguns professores. Mesmo assim, acreditava que poderia aceder a qualquer cargo, apesar da falta de formação ou experiência.
O pai de Lúcia, indignado, relembrou-a de que em Portugal as pessoas lutam anos a fio por chegar a cargos de liderança. Não podia nomear alguém sem estudos para chefe e por isso recusou continuar a ajudar Tiago. Voltou a alertar a filha para os riscos, mas Lúcia ignorou os conselhos paternos.
Mais tarde, Tiago revelou finalmente as suas verdadeiras intenções: confessou a Lúcia que nem sequer tinha sentimentos por ela, considerando o casamento uma solução de ocasião. Disse-lhe para estar preparada para uma divisão dos bens, referindo-se a um possível divórcio. Mas desta vez enganou-se, já que o pai de Lúcia tinha previsto este cenário e registara o apartamento no próprio nome, precavendo-se para qualquer eventualidade.







