A minha amiga Mafalda tinha um salão de beleza e era uma mulher generosa e muito inteligente. Gostava de mimar as amigas com presentes e nunca cobrava nada pelos seus serviços. Quis retribuir a sua bondade, por isso ajudei-a a tomar conta das filhas dela do primeiro casamento. Mafalda deixou o primeiro marido devido à ganância exagerada dele, que ia ao ponto de negar até o essencial às próprias filhas. Mais tarde, a relação com o segundo marido acabou por causa de um ciúme doentio e, com o terceiro, descobriu uma traição, o que resultou em outro divórcio. No entanto, como os divórcios foram rápidos, conseguiu ficar com a casa sem ter de a dividir com ninguém.
Apesar de Mafalda tentar ajudar-me a arranjar uma companhia, a sua agenda cheia tornava tudo mais difícil. Acabou por conhecer um homem chamado Rui, numa das suas idas pela cidade do Porto ele era taxista. Era um tipo bem-parecido, de olhos verdes, e, apesar das suas dúvidas iniciais sobre o aspeto dele, entenderam-se logo. Uma semana depois, Rui apresentou-lhe a mãe, que tratava carinhosamente por Dona Teresa. À primeira vista parecia simpática, mas o excesso de zelo rapidamente se tornou incomodativo.
Mesmo tendo Rui já 34 anos, Dona Teresa vivia sempre ao telefone com ele, estava constantemente em casa deles e metia-se em tudo, sem necessidade. Lembro-me de uma vez ter perguntado à Mafalda se ela e o Rui se despediam com um beijo todas as manhãs antes do trabalho, dizendo que isso era essencial para uma família feliz. Intrometia-se em tudo assim que achava que havia o mínimo problema, criando um ambiente estranho e desconfortável. Muitas vezes aparecia tarde, dizendo que ia fazer o jantar, só para ter desculpa de passar mais tempo lá em casa. O Rui, por estranho que pareça, estava satisfeito de ter duas mulheres tanto na cozinha como no quarto, e nunca se afastava da mãe.
Acabou por ser demais para a Mafalda, que resolveu pôr um ponto final na relação para se livrar da sufocante presença daquela sogra dominadora.






