Tenho um amigo chamado Diogo. É um daqueles tipos brilhantes que todos do nosso grupo consultam quando surge algum problema, e ele fica verdadeiramente contente em ajudar. Diogo já contava com 29 anos, nunca pensava em casar-se, até que apareceu Margarida. Ela acabara de concluir o ensino secundário, tinha 18 anos. Não conseguimos dar jeito nenhum à situação. Diogo estava determinado a casar-se com Margarida. Eles amavam-se com uma intensidade surreal, tão sem sentido lógico que parecia um sonho em que ninguém consegue impedir o desfecho. A diferença de idade era algo discutido entre nós, mas no fundo não era isso que importava. Se fosse entre os 26 e 37 anos, talvez tudo soasse mais fácil, mas entre 18 e 29, era como se pertencessem a mundos paralelos. Aos trinta há uma viragem invisível e as prioridades mudam de cor, enquanto aos dezoito tudo é um turbilhão confuso, como se navegasse por um nevoeiro mental que só se dissipa dez anos depois.
Amavam-se tanto que ninguém conseguia parar aquela corrente. Foram abençoados e casaram-se. Ou melhor, talvez nem se possa chamar de casamento, parecia retirado de um sonho: Margarida e Diogo oficializaram a união no registo civil, depois seguiram para um restaurante com os seus mais íntimos e, ao cair da noite, partiram juntos numa viagem de carro pelas estradas da Europa, como se atravessassem paisagens que só existem na imaginação. Julgo que foi das melhores decisões que tomaram. Quem precisa de salões abarrotados, discussões e dramas entre copos de vinho, de dores de cabeça desnecessárias, se podem investir todo o seu dinheiro em coisas belas, dedicadas apenas ao prazer próprio?
Voltaram descansados, radiantes. Por vezes, no início, Diogo dizia sentir ciúmes dos amigos rapazes de Margarida, mas isso evaporou-se com o tempo, como nuvens num dia de verão. Percebeu que eram apenas crianças, facilmente controláveis numa conversa ou duas. Margarida ia a festas e aniversários dos amigos, enquanto Diogo preferia ficar em casa, indiferente ao ruído da juventude. Ele gostava de encontros sossegados, com conversa e chá, quase como se estivesse num sonho tranquilo. No fundo, encaixavam-se muito bem.
Já passaram três anos desde o casamento. Diogo trabalha, ganha bons euros, e Margarida estuda e trabalha ao mesmo tempo. Claro que surgem pequenas discussões e mal-entendidos, mas nunca houve escândalos ou tempestades sérias. Ainda não pensam em filhos; querem primeiro comprar um apartamento maior, talvez com vista para o Tejo. Diogo tem que explicar à esposa, por vezes, coisas óbvias, mas não lhe pesa, e Margarida escuta, entende e aceita. Para ela, as palavras de Diogo têm peso de ouro, e para Diogo, Margarida é o significado da vida, como se tudo o resto fosse apenas um cenário etéreo deste sonho português.






