Nasci e cresci numa aldeia do interior, sempre fui conhecido pelo meu jeito educado e cordial. Aos meus dezoito anos, tomei a decisão de mudar-me para Lisboa à procura de uma profissão, ignorando o conselho da família, que achava que devia ficar na terra, onde havia empregos para quem quisesse trabalhar. Mas eu estava determinado e não ligava às preocupações deles.
A minha mãe, viúva desde cedo, criou-me sozinha e não queria que eu partisse. Continuei os meus estudos na cidade e tornei-me mecânico automóvel certificado, enviando quase todo o meu salário em euros para casa, para ajudar a minha mãe. Acabei por casar-me, mas o casamento durou apenas cinco anos. A minha esposa, que nunca ficou satisfeita com a nossa situação financeira, pediu o divórcio. Apesar de tudo, era estimado pelos meus amigos e familiares.
No entanto, a vida citadina nunca me conquistou. Fiquei desiludido ao descobrir que, na cidade, a maioria dos problemas só se resolviam com dinheiro. Sonhava com uma vida mais simples, com sentido e tranquilidade.
Ao telefone, a minha mãe propunha sempre que voltasse à aldeia, onde havia oportunidades e ainda me lançava uma ideia sobre a nossa amiga comum, Guiomar, que poderia ser uma boa companheira. Eu tinha sentimentos por Guiomar, mas a minha segunda mulher, também da cidade, acabou por me deixar devido às dificuldades económicas.
Aos quarenta anos, voltei à minha aldeia e consegui emprego numa fábrica de madeira. Esta mudança trouxe-me uma felicidade enorme. Finalmente percebi o real valor de viver numa comunidade onde todos se apoiam mutuamente. Reencontrei Guiomar e acabámos por casar. Pouco depois, nasceu o nosso primeiro filho.
Acima de tudo, o meu regresso alegrou muito a minha mãe. Compreendi, de facto, o significado do ditado português: Onde há pessoas, há proveito. Com o calor e o apoio da nossa pequena comunidade, encontrei finalmente satisfação e propósito na vida. O mais importante: percebi que a felicidade está onde pertencemos e onde podemos contribuir para o bem dos outros.







