Fiquei completamente surpreendido quando a minha filha Mariana anunciou que ia casar-se. Afinal, ela tinha apenas 18 anos. Fizemos tudo para tentar convencê-la a repensar essa decisão, mas foi em vão.
A minha sogra, sempre curiosa, perguntou-lhe diretamente:
Mariana, filha, estás grávida?
Não, avó.
O noivo da Mariana era só dois anos mais velho do que ela. Tivemos uma longa conversa com os pais do rapaz e decidimos que o casamento seria realizado em nossa casa. Mariana não ficou satisfeita.
Isso é muito antiquado! Devia ser algo mais moderno.
Andámos, durante semanas, entre discussões e conversas acaloradas. No final, concordámos que seria melhor fazer a festa de casamento num restaurante. Mariana fez questão de escolher a opção mais cara do menu. Eu e os pais do noivo não ficámos contentes, mas Mariana não quis ceder.
Acabou em lágrimas, dizendo:
Só me caso uma vez na vida.
Não tivemos outra alternativa, senão pedir um empréstimo ao banco, tal como os pais do noivo. Compraram-lhe o anel com diamante que ela tanto queria. E fui com a Mariana escolher o vestido de noiva, que era de facto deslumbrante.
Queríamos ir ao registo civil com o nosso velho Renault Clio, mas a Mariana fez logo cara feia.
Aluguem um jipe!
Tentei explicar-lhe que seria uma despesa desnecessária.
Mas eu quero mesmo.
Acabámos por alugar o jipe para transportar a Mariana e o genro no grande dia. Quando finalmente chegou o momento do casamento, estávamos cansados, física e emocionalmente. O casamento custou-nos uma fortuna.
Seis meses depois, Mariana já estava divorciada.
A verdade é que a minha filha percebeu que não gostava da vida de casada e arranjava sempre discussões com o marido.
Lembrei-me então do meu próprio casamento. Eu estava vestindo uma blusa bonita e uma saia. O meu noivo esperava-me no registo civil com um ramo de flores. Somos casados há vinte anos, tivemos uma filha e aprendemos que uma festa de casamento nunca determina uma vida conjugal feliz.
Não sou contra o casamento, nada disso. Mas tudo tem de ser feito com equilíbrio, sem exageros. Espero sinceramente que, numa próxima vez, a minha filha pense duas vezes antes de tomar uma decisão assim.
Esta experiência ensinou-me que valor está nos gestos simples e nos sentimentos verdadeiros, não nos luxos.






