Há uma semana, descobri algo que jamais poderia imaginar. Passeava pelo centro de Lisboa quando, por puro acaso, encontrei-me com uma colega dos tempos de escola…

Há uma semana descobri algo que nunca poderia imaginar. Passeava pelo centro de Lisboa quando, por acaso, cruzei caminho com uma ex-colega de escola que não via há anos. Cumprimentámo-nos, conversámos, pusemos as novidades em dia e, a certa altura, ela contou-me que agora trabalha como enfermeira no lar de idosos de uma aldeia próxima. Disse-lhe o quanto achava louvável, que devia ser um trabalho pesado mas muito nobre. Nessa altura, ela larga, meio distraída:

Sabes, vejo a tua mãe lá todos os últimos sextas-feiras do mês.

Fiquei petrificada. Perguntei-lhe como assim, o que fazia a minha mãe no lar. Ela respondeu-me com a maior naturalidade do mundo:

Não sabias? Ela leva sempre um lanche para todos os avós do lar. Todos os meses, sem falhar. É uma grande generosidade da parte dela.

Não soube o que dizer. Tive vergonha de admitir que a minha mãe nunca me tinha contado nada e que eu não fazia a mais pequena ideia. A colega pensou que eu estava a brincar, mas ao ver o meu ar sério acrescentou:

A tua mãe é muito humilde. Vai lá, cumprimenta, deixa tudo e vai-se embora.

Nesse mesmo dia, mal cheguei a casa, fui direta a ela:

Mãe, porque é que nunca me disseste que vais ao lar de idosos todos os meses?

Ela varria a sala e nem me olhou bem de frente:

E porquê que havia de dizer?

Continuei a insistir:

Porque é bonito, porque é importante

Ela encostou a vassoura à parede, fitou-me com calma e disse:

Acho que as boas ações não são para se mostrar. Fazem-se e pronto. Deus vê tudo isso basta-me.

Contou-me então que, há dois anos, depois de uma grande amiga ter falecido, sentiu necessidade de fazer algo bom por alguém. Um dia passou pelo lar de idosos, viu alguns velhotes sentados à porta e decidiu entrar. Falou com a assistente social, perguntou o que fazia mais falta.

Desde esse dia, todos os últimos sextas-feiras de cada mês, a minha mãe compra sumos, bolachas, pacotinhos de snacks e leva ao lar. Às vezes também leva toalhetes ou artigos de higiene, conforme pode nesse mês.

Disse-me que nunca quis envolver ninguém porque não queria que as pessoas pensassem que procurava atenção ou reconhecimento. Preferia fazer tudo em silêncio, à sua maneira.

Quando queremos ajudar ajudamos. Se não queremos, não temos de o fazer. Mas não tenho de contar a ninguém. Eu sei o que faço.

Foi o que me disse, enquanto arrumava os pratos do jantar.

Durante toda a noite, não consegui parar de pensar nisso. A minha mãe uma mulher simples, modesta e com pouco dinheiro, que tantas vezes abdica do que precisa todos os meses vai alegrar quem ninguém visita. Senti um orgulho imenso, mas também fiquei com o coração apertado por ela carregar este peso sozinha.

Agora, penso em ir com ela na próxima sexta-feira. Ainda não sei como lhe hei de dizer, com medo que ache que estou a intrometer-me ou a violar o seu espaço.

Só sei uma coisa ver a minha mãe a fazer algo tão grande, em silêncio, transformou algo dentro de mim.

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– Подмладяваме колектива, освободете кабинета си до утре – усмихваше се директорът, без да знае за обаждането от министерството.