Há uns dias, o meu pai veio cá a casa fazer-me uma visita. Acabámos por conversar sobre o facto de o meu marido andar aflito com o telemóvel, que mal aguenta ligado 15 a 20 minutos antes de se desligar sem aviso; até já mudámos a bateria, mas piorou tudo, ficou ainda mais instável. Portanto, tenho andado a procurar um telemóvel novo, já a pensar no meu aniversário.
A ideia era o meu marido ficar com o antigo, porque eu sei que preciso mais de um telemóvel funcional para o meu dia a dia. Foi quando o meu pai apareceu com uma caixa velha e gasta, dizendo: Isto é para ti, da parte da tua avó. Podes sempre vender e comprar o telemóvel. A minha avó decidiu dar-me a sua aliança de casamento. Até a caixinha dela resistiu ao tempo, o que me surpreendeu.
Aberta a caixa, além da aliança, estavam guardados uma garantia, uma etiqueta e o selo original. O anel foi comprado em 1977. Pesa pouco mais de 7 gramas.
Com a minha idade, já não tenho grande noção dos preços, muito menos comparando com o que se paga hoje em dia aqui em Portugal. Parece-me caro. Naquela época, as alianças grossas estavam na moda e as pessoas conseguiam comprá-las.
Hoje em dia, já é raro alguém optar por uma peça assim. Nem sequer imagino quanto custaria agora. O ouro era de lei 583. Mas, sinceramente, acho que o ouro português de antigamente era bem superior ao que vejo agora nas lojas. A aliança é enorme, sobretudo quando comparada com os modelos de noivado mais comuns atualmente.
No meu íntimo, disse logo ao meu pai que não tencionava vendê-la. Vou usá-la. Nunca fui supersticiosa nem dei ouvidos a crenças antigas sobre não se poder usar alianças de outras pessoas. Para mim, esta aliança vai ser sempre um tesouro cheio de significado e memórias. Telefone, compra-se, estraga-se, volta-se a comprar noutro ano, mas uma aliança destas, com esta história, nunca terei outra igual.
E fico a pensar: o que fariam vocês com uma aliança assim?







