A gravidez estava a correr muito bem, mas quando ouvi as palavras do médico na última consulta, fiquei em choque num instante – de repente, estava perante a decisão mais difícil da minha vida.

Olha, neste momento já tenho dois filhos. São um furacão de energia, partem tudo no caminho deles, mas acredita que têm um coração do tamanho do mundo. Imagina só, estão a brincar, de repente um magoa-se, chora, no instante seguinte já estão a dar-se um abraço apertado como se nada tivesse acontecido. As pessoas à volta só veem o caos, claro, e não perdem a oportunidade de me dar conselhos sobre como é que eu devia educá-los. Eu cá penso que, nesta idade, eles precisam mesmo é de espaço para serem quem são, para descobrirem o seu lugar.

Oiço muito dizer: O teu Diogo é bem-comportado, tão calminho, mas o Afonso é um traquinas, despistado, capaz de só arranjar confusão com o irmão quando crescerem!. Sinceramente, às vezes só aceno com a cabeça. Talvez tenham razão, mas a verdade é que são inseparáveis, complementam-se tão bem! Não conseguem mesmo viver um sem o outro.

Eles andaram a pedir-me um cão, mas confesso, morro de medo de cães! Se um dia houver de haver bicho cá em casa, será uma tartaruga sossegadinha, passo a vida a rir-me só de imaginar! Elas são lentas, pacíficas e ainda se protegem sozinhas, parece-me perfeito para nós.

Olha, eu e o meu marido, o João, nem por sombras imaginávamos o quanto a nossa vida ia mudar depois do nascimento do Afonso, o nosso segundo filho. Quando soubemos que o menino vinha com alguns problemas de saúde, senti o chão a fugir-me dos pés. Não havia o mais pequeno sinal durante a gravidez, as ecografias corriam sempre bem, parecia tudo tranquilo.

Lembro-me bem, naquele dia, depois daquela ecografia que nunca mais me sai da cabeça, passou-me pela cabeça interromper a gravidez… foi só um segundo, acredita! Mas recompus-me logo e decidi que ia avançar, ia tê-lo. Ninguém além do João me apoiou, nem os meus próprios pais. O João, coitado, nem sabia sequer o que fazer ou dizer, mas esteve ali, firme comigo. Aguentei bocas feias e choros, até frases feias me chamaram, mas mantive-me firme e pensei que, no fim, os filhos são a alegria da vida.

Graças a Deus, o João mostrou o que vale e decidiu comigo: Ela vai ter o menino, ponto final!. Aos poucos, a minha família lá começou a aceitar. E quando o Afonso nasceu, olha, ninguém esperava que ele fosse tão despachado! O irmão mais velho andava sempre a passar-lhe brinquedos, ele logo a aprender nomes, a querer imitar tudo o que o Diogo fazia. Foi nessa altura que percebi que, afinal, tudo ia correr bem. E olha, correu mesmo!

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A gravidez estava a correr muito bem, mas quando ouvi as palavras do médico na última consulta, fiquei em choque num instante – de repente, estava perante a decisão mais difícil da minha vida.
Nunca vou esquecer o jantar em que a minha sogra decidiu humilhar-me diante de todos.