Todos ajudam, mas tu és mesmo especial para nós

Todos ajudam, mas tu és sempre especial aqui em casa

Rita, achas que podiam passar cá hoje? perguntou a minha irmã, com aquele tom de esperança já tão conhecido. O Pedro está fora, fico sozinha com os miúdos e já sinto a cabeça a andar à roda.

Esfreguei a testa e os pensamentos começaram a girar à procura de uma desculpa aceitável, cada uma mais disparatada do que a outra. Se dissesse que tinha trabalho urgente para acabar, a Marta não acreditava era sábado, ela sabe bem. Se alegasse cansaço, viriam as perguntas, os conselhos, e lá levaria mais uma lição. Mordi o lábio e respirei fundo, a preparar-me para responder.

Marta, hoje não dá mesmo tentei dar o máximo de tristeza à voz. A Leonor ficou doente, estamos fechadas em casa até ela melhorar.

Do outro lado ficou um silêncio, só cortado por um suspiro pesado.

Que pena… arrastou a Marta. Podíamos pôr a conversa em dia, os miúdos entretinham-se enquanto nós descansávamos…

Revirei os olhos, feliz por ela não ver. Entretinham-se, pois. A Leonor ficaria a correr atrás dos mais pequenos e eu ali, a servir chá na cozinha.

Sim, é verdade, que pena. Quando ela estiver melhor, combinamos confirmei.

Marta ainda suspirou uns segundos, desejou as melhoras à Leonor e desligou. Fiquei a olhar para o ecrã com uma sensação agridoce. A conversa toda demorou quatro minutos nem uma vez perguntou como eu estava. Nada sobre o trabalho, nada sobre a minha saúde ou ânimo. Só queria saber se nós íamos lá. Precisava da babá grátis, e pronto.

A Leonor entrou na sala e olhou-me muito séria.

Era a tia Marta outra vez? perguntou.

Acenei com a cabeça, largando o telemóvel na mesa. A Leonor sentou-se do meu lado, ajeitou-se com as pernas cruzadas, e na cara misturava-se irritação e alívio.

Mãe, não quero ir mais a casa dela disse decidida.

Virei-me para ela, erguendo as sobrancelhas à espera da explicação. Leonor apertou os lábios, a ganhar coragem, e então desabou:

Ela está sempre a empurrar-me os miúdos, mãe. Obriga-me a tomar conta deles, a correr de um lado para o outro, a brincar, a inventar jogos. E o mais velho só tem cinco anos! Eu não sou ama deles…

Olhei para minha filha de nove anos e não consegui evitar um sorriso. A Leonor já sabia pôr em palavras o que sentia, sabia defender o que era justo para si e não tinha medo de dizer as coisas. Fiquei cheia de orgulho.

Não te preocupes disse, passando-lhe a mão pelo cabelo. Isso não vai voltar a acontecer.

Leonor sorriu e saiu para o quarto dela.

Fiquei a olhar o teto, deixei os pensamentos correrem. No fundo, sempre existiu algum desnivelamento entre mim e a Marta. Ela é quatro anos mais nova, mas já tem quatro filhos. Quatro! Eu só tenho a Leonor, que ainda precisa tanto de mim energia, tempo, amor. E a Marta, parece que espera que toda a família trate dos dela.

Esfreguei as têmporas, fechei os olhos. Para a Marta, criar os filhos é função coletiva dos nossos pais, a Maria do Carmo e o António Jorge, dos pais do Pedro, dos vizinhos, dos amigos, dos primos de longe. Toda a gente acaba a ajudar nos filhos da Marta, menos ela própria.

Ao contrário, eu só peço ajuda à minha mãe em último caso. Só quando já não consigo, quando o trabalho aperta mesmo, quando adoeci. De resto, desenrasquei-me desde o início e custou, mas não morri por isso. Por acaso até tenho uma filha independente, despachada, cheia de cabeça.

Já a Marta… quanto mais os anos passam, mais descarada fica.

Sacudi as ideias, levantei-me do sofá. Já me tinha esquivado da irmã por hoje, era uma pequena vitória. O sábado chamava por mim, com aquele trabalho doméstico que não se faz sozinho. Fui até à cozinha pôr a máquina da loiça a fazer a sua magia.

Os dias seguintes passaram-se entre as rotinas do costume: trabalho, casa, filha. Na sexta à noite, o telemóvel vibrou o nome Marta a piscar no ecrã. Respirei fundo e atendi.

Rita, então e a Leonor? Já está boa? A voz da Marta parecia doce, quase preocupada.

Sim, está ótima. Já corre pela casa como sempre.

Ainda bem! animou-se logo. Então têm MESMO que cá vir este fim de semana e ficar para dormirem!

Revirei os olhos outra vez. Aqui vamos nós.

Marta, passar a noite aqui não vai dar recusei, abanando a cabeça, mesmo que ela não visse. Mas posso ir de manhã lá tomar um café.

Lá ficou um silêncio reprovador no ar. Ela queria mais mas acabou por ceder e combinar o tal café para sábado de manhã.

Sábado apareceu nublado e fresco. Saí de casa sozinha, de casaco e tudo, apanhei o autocarro e depois caminhei ainda uns dez minutos até ao prédio da Marta.

Ela abriu a porta e logo olhou para trás de mim, a espreitar.

E a Leonor, onde está? franziu o sobrolho.

Está ocupada, tem teste para estudar menti, entrando.

Marta torceu o nariz, irritada, e bateu a porta.

A tua filha anda tão antipática queixou-se. Nunca quer cá vir, nem se lembra de mandar mensagem.

Tirei o casaco, pendurei-o atrás da porta. Lá dentro ouvia-se a barulheira dos miúdos. Voltei-me para a minha irmã e olhei-a de frente.

Ela está cansada Marta disse, sem rodeios. Está sempre a ser empurrada para tomar conta dos teus filhos.

A Marta perdeu a compostura num instante ficou vermelha, olhos semicerrados.

Isso é completamente normal! levantou a voz. Os mais velhos tomam conta dos mais novos, sempre foi assim!

Mas não dos filhos dos outros, Marta respondi serena. Não dos teus.

Não são de outros, são primos! continuou a gritar. Ela só tem dez anos! É uma criança, não uma empregada.

Isto vai-lhe fazer bem! apontou-me o dedo. Aprende a desenrascar-se com crianças!

Ela não precisa dessas lições gritei também. Não tem irmãos, não tem de carregar com os teus!

Pois então, ainda mais razão para aprender e ajudar! virou-se completamente.

Dei por mim sem acreditar no que ouvia.

Tens noção do que estás a dizer? perguntei. Queres só arranjar uma ama de graça!

E então? cravou as mãos nas ancas. Não tenho mãos para tudo!

Então para que tiveste quatro filhos? escapou-me antes de pensar.

Ela quase gaguejou de raiva, ficou com as veias do pescoço à mostra.

Já tens a tua filha crescida! Bem podias vir cá ajudar mais vezes!

Senti um clique cá dentro. Toda a mágoa estalou.

Estás a abusar, Marta disse entre dentes. Sempre à espera que os outros cuidem do teu caos.

Só peço ajuda! desabafou.

Não, tu exiges. Achas que o mundo te deve.

E os pais ajudam! Os meus sogros ajudam! Vocês é que são diferentes!

Os pais já não são novos expliquei, pegando no casaco. Merecem descanso, não a correr atrás da tua criançada.

Eles gostam!

Ela ainda agarrou-me pelo braço, mas puxei-o.

Não voltamos cá disse antes de sair. Arranja outra ama.

Saí sem olhar para trás, com ela a levantar a voz pela casa.

Nesse mesmo dia ao fim da tarde, a minha mãe ligou. Atendi.

Rita, mas o que foste fazer? A Marta está em prantos, disseste-lhe horrores! a voz da Maria do Carmo tremia.

Mãe, só lhe disse o que precisava de ouvir sentei-me no sofá.

Que não vais ajudar mais a tua irmã?

Ajudar é uma coisa, ser escrava é outra.

Mas ela tem quatro filhos! O Pedro viaja, ela não para!

Essa foi a escolha dela, mãe. Não minha, nem da Leonor.

A Leonor podia ajudar um bocadinho. Todos ajudam, só tu és sempre especial, Rita!

Não, mãe cortei. A minha filha não vai ser ama dos filhos dos outros.

Não são outros já quase gritava. São vossa família!

Fui à janela. Lá fora, as luzes de Lisboa acendiam uma a uma.

Se tu e o pai querem viver para os netos, força. Eu não. Nunca me comprometi com isso.

Que egoísmo! acusou, quase aos gritos.

Tenho a minha família. A minha filha. E não planeio viver em função da minha irmã.

Pousei o telefone no sofá antes que ela continuasse. Tapei o rosto com as mãos.

Senti uns braços pequenos à volta da cintura. A Leonor encostou a cabeça ao meu ombro.

Mãe, ouvi tudo…

Voltei-me para ela e abracei-a com força, sentindo o cheiro doce do champô.

Sabes, faço isto por ti. Sempre farei.

A Leonor olhou-me com aquele sorriso que só ela tem, um misto de gratidão e amor.

Eu sei mãe. Obrigada.

Ficámos as duas ali, a olhar para Lisboa iluminada. Lá nalgum bairro, a Marta decerto já chorava para a sogra. A mãe, de certeza, no telefone a contar à família como a Rita é de coração duro. Mas naquela casa, havia paz e calor.

Eu tomei a minha decisão, custasse o que custasse com a mãe ou com a irmã. A Leonor era a prioridade. Era o direito dela viver a infância sem obrigações de adulto.

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Todos ajudam, mas tu és mesmo especial para nós
Nevychovávaš z neho chlapa, ale slaboch! – Prečo si ho dala do hudobnej školy? Ludmila Petrovna prešla okolo nevesty, cestou si sťahovala rukavice. – Dobrý deň, pani Ludmila, nech sa páči ďalej. Aj ja vás rada vidím. Sarkazmus ju minul. Svokra hodila rukavice na stolík a otočila sa k Márii. – Kosto mi volal! Celý žiari, vraj bude hrať na klavíri! To snáď nie? Veď to nie je chlapčenské! Čo z neho chceš mať? Mária pomaly zavrela vchodové dvere. Dýchala zhlboka, len aby nevybuchla. – Znamená to, že váš vnuk sa bude učiť hudbe. Páči sa mu to. – Páči sa mu! – Ludmila Petrovna odfrkla, akoby Mária povedala najväčšiu hlúposť na svete. – Má šesť, ani nevie, čo chce! Ty musíš rozhodovať! Chlapec, náš rodinný pokračovateľ – a ty z neho čo robíš? Svokra zamierila do kuchyne, spustila rýchlovarnú kanvicu. Mária ju nasledovala, zuby zaťaté na prasknutie. – Ja z neho vychovávam šťastné dieťa. – Vychovávaš z neho len citlivku! – Ludmila Petrovna si dala ruky vbok. – Mal si ho dať na futbal! Na bojové športy! Nech vyrastie ako chlap, nie nejaký pianista! Mária sa oprela o zárubňu. Počítala do piatich. Nepomohlo. – Kosto to naozaj chcel. Sám. Miluje hudbu. – Miluje, jasné! – mávla rukou svokra. – Sergej bol v jeho veku ten najaktívnejší – futbal, hokej, vonku s chalanmi! A tvoj syn? Bude drnkať nejaké gamy? Hanba! Niečo v Márii prasklo. Odtlačila sa od zárubne a šla k svokre. – Už ste skončili? – Ešte nie! Už dávno som ti to chcela povedať… – A ja vám už dávno chcem povedať, – Mária zašepkala, – Kosto je môj syn. Môj. Ja rozhodnem, ako ho vychovávať budem. A vy ste do toho nemali čo zasahovať. Ludmila Petrovna sa rozčervenala. – Ako sa to so mnou rozprávaš?! – Odíďte. – Čože?! Mária prešla do chodby, strhla svokre kabát z vešiaka a podala jej ho do rúk. – Opustite môj dom. – Vyháňaš ma?! Mňa?! Mária otvorila vchodové dvere, chytila svokru za lakeť a prakticky ju vytlačila von. Ludmila sa bránila, ale Mária bola rázna. – Dosiahnem svoje! – Ludmila Petrovna sa otočila na schodišti, tvár prekrivená hnevom. – Nedovolím ti pokaziť môjho jediného vnuka! – Dovidenia, pani Ludmila. – Sergej sa dozvie všetko! Všetko mu poviem! Mária zabuchla dvere, oprela sa o ne a dýchala. Dlho, pomaly, až kým sa neupokojila. Za dverami ešte chvíľu zneli tlmené výkriky, potom sa ozvali kroky na schodoch. Ticho nastalo až po chvíli. Svokra ju dorazila nadobro. Tie nepretržité pripomienky, rady, poučovania – čo jesť, čo nosiť, ako vychovávať… Sergej problém nevidel. “Mama chce len tvoje dobro”, “Je skúsená”, “Aspoň si ju vypočuj”. Matku uctieval – každé jej slovo bola svätá pravda. Mária musela znášať… deň za dňom, návšteva za návštevou. Ale dnes nie. Sergej prišiel domov po ôsmej. Mária hneď vedela, že svokra volala. Podľa toho, ako muž hodil kľúče na stolík. Ako ťažko šiel do kuchyne, ani sa nepozrel do izby, kde Kosto pozeral rozprávky. – Kosto, poklad, zostaň tu, – Mária mu nasadila veľké slúchadlá, pustila obľúbený seriál o robotoch. – S tatinom sa musíme porozprávať. Kosto prikývol, zahľadel sa na tablet. Mária privrela dvere detskej izby a šla do kuchyne. Sergej stál pri okne, ruky prekrížené. Ani sa neotočil. – Vyhodila si moju matku. Nie otázka. Konštatovanie. – Požiadala som ju, aby odišla. – Vystrčila si ju! – Sergej sa otočil, čeľuste mu napäto hýbali. – Plakala mi do telefónu dve hodiny! Dve hodiny, Maša! Mária si sadla za stôl. Nohy mala od práce unavené, teraz aj psychiku. – Netrapí ťa, že urazila mňa? Sergej sa na chvíľu zasekol. Potom mávol rukou. – Ona sa len bojí o vnuka. Čo je na tom zlé? – Nazvala môjho syna citlivkou a slabochom. Nášho syna, Sergej. Šesťročné dieťa. – Trochu to prehnala. Ale má v niečom pravdu. Chlapec potrebuje šport, kolektív, disciplínu… Mária sa na manžela dlho dívala, kým neodklonil pohľad. – Mňa nútili chodiť na gymnastiku. Mama rozhodla – budeš gymnastka. Bodka. Päť rokov som plakala pred každým tréningom, trpela bolesťami, chudla, prosila, aby ma vzali preč. Sergej mlčal. – Dodnes nemôžem ani vojsť do telocvične. Dodnes. A svojmu synovi to nikdy neurobím. Ak bude chcieť futbal – nech ide. Ale len ak sám bude chcieť. Proti vôli – nikdy. – Mama chce len najlepšie… – Tak nech si porodí ešte jedného, ktorého bude vychovávať po svojom, – Mária vstala od stola. – Do Kostoho výchovy už zasahovať nebude. Ani ty, ak budeš na jej strane. Sergej sa akoby chcel ozvať, ale Mária už odišla. Zvyšok večera neprehovorili. Mária uložila Kosta, dlho sedela v detskej izbe, počúvala jeho spokojné dýchanie. Dva dni prešlo v tichu. Potom dal Sergej pri večeri nejaký vtip, Mária sa usmiala – napätie pomaly mizlo. V piatok už rozprávali normálne, ale svokru obaja neadresovali. V sobotu ráno sa Mária prebudila nečakane skoro. Osem hodín – skoro na víkend. Sergej spal, Kosto isto tiež. Čo ju zobudilo? Zrazu tichý kovový zvuk v chodbe. Zámok. Mária vybehla, srdce až v hrdle. Zlodeji? Cez deň? Chytila telefón, vyšla do chodby. Dvere sa rozleteli. Na prahu stála Ludmila Petrovna, v ruke zväzok kľúčov, na tvári víťazný úsmev. – Dobré ráno, nevestička. Mária stála bosá na studenej dlažbe, v vytiahnutom tričku a pyžamových nohaviciach, a svokra ju premeriava, akoby mala právo vtrhnúť do cudzieho bytu o ôsmej v sobotu. – Odkiaľ máte kľúče? Ludmila zamávala zväzkom pred Máriiným nosom. – Sergej mi ich dal. Predvčerom príšiel, prosil: mama, odpusť jej, nechcela uraziť. Takto sa za tvoje správanie ospravedlnil. Mária dvakrát žmurkla. Snažila sa v hlave upratať počuté. – Prečo ste tu tak skoro? – Idem za vnukom, – svokra už vešala kabát. – Kosto, priprav sa! Babka ťa zapísala na futbal, dnes máš prvý tréning! Hnev ju zaplavil okamžite, horúci, dusný, až sa roztriasla. Otočila sa do spálne. Sergej ležal otočený k stene. Tváril sa, že spí – ramená napnuté. – Vstávaj! – Maši, nechaj to… Mária mu strhla perinu, chytila ho za ruku a ťahala do obývačky. Sergej sa bránil, šúchal nohy, ale Mária ho pustila až v strede miestnosti. Ludmila už sedela na gauči, listovala časopis. – Dal si jej kľúče – od môjho bytu. Sergej mlčal, presúval sa z nohy na nohu. – Toto je môj byt, Sergej. Môj. Kúpila som ho ešte pred svadbou. Za svoje peniaze. Ako si mohol dať tvojej mame kľúče od môjho domu? – Ó, aká sebecká! – Ludmila hodila časopis. – Moje, tvoje… Stále myslíš len na seba! Sergej myslel na syna, preto dal kľúče. Aby som mohla byť s vnukom, keď ty ma vyháňaš. – Prestaňte vykrikovať! Ludmila sa zadychčala hnevom, ale Mária sa dívala len na manžela. – Kosto na futbal nechodí, kým nebude chcieť sám. – To nie je na tebe! – svokra vyskočila z gauča. – Si nikto! Len dočasná v živote môjho syna! Myslíš si, že si nenahraditeľná? Sergej ťa znáša len kvôli dieťaťu! Ticho. Mária sa pomaly otočila k mužovi. Len mlčal, hlavu sklonenú. – Sergej? Nič. Ani slovo na jej obranu. – Dobre, – prikývla. Studený pokoj ju zaplavil. – Dočasná. Táto kapitola končí práve teraz. Zoberte si svojho vnuka, pani Ludmila. Viac mi už nie ste manželom. – To nemôžeš! Nemáš právo len tak odísť! – Sergej, – Mária hľadela mužovi do očí. – Máš pol hodiny. Zbaľ sa a odíď. Alebo ťa vyhodím aj v pyžame. – Maši, počkaj… – Už sme si povedali dosť. Otočila sa k svokre a usmiala sa. – Kľúče si nechajte. Dnes mením zámky. …Rozvod trval štyri mesiace. Sergej sa skúšal vrátiť, volal, písal, nosil kvety. Ludmila Petrovna sa vyhrážala súdom, sociálkou, známosťami. Mária si našla dobrého právnika a prestala odpovedať. Dva roky ubehli rýchlo… …Slávnostná sieň ZUŠ bzučala hlasmi. Mária sedela v treťom rade, v rukách držala program: „Konstantín Voron, 8 rokov — Beethoven, Óda na radosť.“ Kosto vyšiel na pódium – vážny, sústredený, v bielej košeli a čiernych nohaviciach. Sadol za klavír, položil ruky na klávesy. Prvé tóny zaplnili sálu a Mária prestala dýchať. Jej chlapec hrá Beethovena. Jej osemročný syn, ktorý sám poprosil o hudobnú, sám trávil hodiny za nástrojom, sám si vybral túto skladbu. Keď zaznel posledný akord, sálu zaplavil potlesk. Kosto sa postavil, uklonil, našiel v publiku mamu a usmial sa – široko, šťastne. Mária tlieskala spolu so všetkými, slzy sa jej kotúľali po tvári. Všetko urobila správne. Syn bol na prvom mieste – nad názory druhých, nad manželstvo, nad vlastný strach zo samoty. Tak má konať matka…