Ele achava que eram uns teso, até descobrir quem ela era de verdade!
Nunca julguem um livro pela capa. Esta história é a prova viva desse velho ditado português.
Interior de uma relojoaria de luxo no centro de Lisboa. O gerente, de fato e gravata impecáveis, braços cruzados com ar de quem comeu e não gostou, observa um casal jovem. Eles usam hoodies largos e sapatilhas, estilo bem quem me viu, quem me vê.
O gerente faz um gesto nervoso em direção à porta:
**Isto não é miradouro de Belém. Se fazem favor, ponham-se a andar antes que chame o segurança para vos pôr na rua.**
O rapaz parece prestes a explodir de indignação, mas a rapariga pousa-lhe suavemente a mão no ombro, travando-o. Depois olha para o gerente nos olhos, sem pestanejar.
O gerente esboça um sorriso trocista:
**Não tenho paciência para estas figuras. Vocês não fazem parte deste mundo.**
Ele já estica o braço até ao botão vermelho debaixo do balcão quando a rapariga solta um suspiro farto, saca de um cartão transparente com brilho de cristal e encosta-o à montra. Um toque musical ressoa pela loja toda, como os sinos da Sé em dia de festa.
O gerente congela. Precisamente nesse instante, o seu telemóvel, em cima do balcão, começa a vibrar. No ecrã aparece: **DIRETOR GERAL NÚMERO PESSOAL**. O gerente olha do telefone para a rapariga, empalidecendo de imediato.
A rapariga inclina-se para ele, com um leve sorriso gelado:
**Vá lá, atenda. Explique-lhe porque é que se recusa a servir a nova dona desta franquia.**
A mão do gerente treme quando pega no telefone. Os olhos arregalados, o rosto de quem acabou de ver um fantasma.
O gerente balbucia: Sim?… Sr. Diretor?… Eu eu não fazia ideia. Da coluna sai uma voz gélida: Estás despedido. Chave no balcão, e não voltes.
Ela então vira-se para o namorado, que permanece ali, boquiaberto:
**Desculpa, Simão, ia contar-te isto depois do jantar, mas olha, o segredo não aguentou até lá. Bora escolher o teu presente?**
Passa calmamente pelo ex-gerente, que tira devagar o crachá dourado, sentindo no peito o peso de uma carreira que subitamente foi de vela.
**Moral da história:** O respeito não tem etiqueta de preço no casaco. Mas há justiça que chega exatamente quando menos se espera… e ainda toca sinos!






