Na escola, eu estava sempre a ser chamado para várias olimpíadas. Certo dia, fui escolhido para a Olimpíada de Química. Interpretei isso como um reconhecimento das minhas capacidades intelectuais.

Na escola, eu era constantemente chamado para participar de olimpíadas. Certa vez, fui selecionado para a de Química. Interpretei isso como uma homenagem à minha suposta inteligência. Quando soube, a minha mãe, que era química e se chamava Dona Matilde Pereira Cardoso antes de juntar-se ao meu pai, comportou-se de um modo quase plebeu. Normalmente, ela sorria com a delicadeza de uma personagem saída dos romances do Eça de Queirós. Mas dessa vez, entornou chá na toalha de renda e explodiu numa gargalhada.

Foi a primeira e última vez que vi a minha mãe rir assim, às gargalhadas. Depois disso, fui enviado à olimpíada distrital de Física. E depois, a outra, e mais outra. Comecei a suspeitar de que a administração da escola simplesmente me despachava para que outros alunos pudessem ter calma para estudar.

Na olimpíada de Biologia, não fui sozinho. Entregaram-me por companhia o António ParedesTolico, como lhe chamávamos. Também percebia tanto de Biologia quanto eu. Distinguíamos um veado de uma tartaruga a cem metros de distância, e isso já era sorte. Quando a professora de Biologia soube que ia ser representada por nós, quase entrou em greve de fome. Mas eles vão passar o dia inteiro fora, lá conseguiu convencê-la a diretora, imagino eu.

Puseram-nos aos dois numa sala enorme, repleta de sessenta desconhecidos, todos miúdos interessados em Biologia. Distribuíram-nos folhas de prova, grandes e cheias de espaços em branco.

Durante esse tempo, uma senhora fazia um discurso inspirador da tribuna. Ao peito levava uma pregadeira de vidro, grande como um punho. O discurso resultou: diziam que estávamos ali por mérito, que tínhamos uma vida grandiosa à nossa frente. E se agora fizéssemos barulho ou colássemos, passaríamos a vida a descarregar camionetas. O que também era digno, segundo ela.

Pisquei o salão à minha volta e toquei levemente o ombro da rapariga sentada à minha direita. Ficou corada, baixou as pestanas pintadas. De repente, todos começaram a rabiscar nas folhas como se lhes tivessem lançado água a ferver. Isto inquietou imenso o Tolico:

Ó pá, mas afinal o que é preciso fazer? O que é que a gente tem de fazer?

Nem ali ele suspeitava que teríamos de escrever alguma coisa. Pensava que tinham-nos trazido para beber groselha. Vendo bem a folha, percebi: nos espaços em branco faltavam respostas. Informeio Tolico. A senhora da pregadeira, ouvindo o nosso burburinho, pediu-me para me acalmar.

E as respostas, onde é que se vêem? perguntou-me Tolico.

A senhora com a pregadeira de vidro quis saber, num tom casual, de que escola éramos, nós, os dois miúdos tão afoitos para a ciência. Quem conhece a polícia juvenil sabe lidar com perguntas. Afirmei que éramos da Escola Número Cento e Setenta e Dois. Ela anotou no meu papel e no do Tolico.

Mas não somos da Cento e Setenta e Cinco? protestou Tolico.
Cala-te, asno repliquei.
Tolico deu-me um encontrão, só que acertou na cadeira da rapariga da frente. Ela virou-se em modo coruja. Decidiu que éramos inofensivos e pediu-nos para não repetir.

Recordo-lhe as sardas.
O que queres? rosnou Tolico para ela. Senta-te quieta e não chateies.
A senhora interveio, fazendo uma última advertência à rapariga. Ela chorou. Para a consolar, a senhora, num gesto maternal, disse-lhe para confiar apenas em si mesma, que assim conseguia tudo. Os professores de antigamente sabiam convencer: ela limpou as lágrimas e, de facto, dali em diante saiu-se bem.

Eu estava encurralado. Tentar lembrar as datas da vida de Lineu e trocar olhares com a rapariga das pestanas era impraticável. Ou Lineu ou pestanas. Se tentasse as duas coisas ao mesmo tempo, resultava num Lineu de pestanas maquilhadasum quadro repleto de estranheza. Quem quer que fosse este Lineu, a ideia era arrepiante.

Quantas espécies de peixe vivem no rio Douro? perguntou Tolico baixinho.
Novecentos e doze, respondi.
A sério?
Com essas coisas não se brinca.

Sobre Lineu, respondi de forma tão vaga que caberia numa biografia da Sophia de Mello Breyner. Desde que não lessem com atenção, parecia aceitável.

Vamos ao cinema?, escrevi num papel dobrado e atirei para a rapariga das pestanas. O retorno veio passados instantes: Já tenho namorado, dizia com uma caligrafia bonita. Até hoje me impressiona esta incapacidade feminina para dizer sim logo à primeira. Ora bolas. Nem me passava pela cabeça destruir esse namoro; propunha só mais uma amizade. Já era amigo de duas raparigas que eram amigas entre si. Os namorados delas dormiam descansados. Só o meu pai se mostrava inquieto, por ter de me dar mais uns escudos.

Ele é melhor do que eu?, escrevi. Sim, devolveu-me. Então porque é que ele não está na olimpíada? Ela ficou a pensar. Compreendo-a.

Não confundiste o Douro com o Atlântico? sussurrou a senhora da pregadeira, quando passou pelo Tolico novamente, tentando apanhar o que pensava serem cábulas. Mas para ter cábulas, é preciso pelo menos saber sobre o que estudar.

Tolico olhava o mundo como um rapaz em estado urgente de consulta médica. Era o seu estado natural; a senhora é que não conhecia.

Que é que ela quer com o oceano? insistia ele, atrapalhando o início das minhas relações questionáveis Nem há perguntas sobre oceanos aqui.
Quem é quem no cinema francês com Jean-Paul Belmondo, escrevi e mandei. Não!, respondeu ela, com um bonequinho a rir, com tranças e orelhas. Foi má ideia. As orelhas fascinaram-me mais que as pestanas. Os emojis de hoje não têm esse encanto. Já ia ficando perdido nisto, quando o colega começou a martelar de novo.

Diz-me só, a nível de conformação de proteínas, o cabelo tem tipo alfa-espiral ou quê? O queratina é resposta? Quem fez isto era da Guiné, de certeza. Mas as esquilos não tinham cabelo ruivo?
Concordei e acrescentei:
No inverno ficam cinzentos.
Tolico registou: Ruivo. No inverno cinzento. Sabia adaptar-se a qualquer ambiente.

A rapariga das sardas virou-se e sussurrou:
Alfa-hélice.
Onde? olhei à volta.
O nível de conformação é alfa-hélice, explicou e virou-se de novo.
Olhei para as suas orelhas. Também atraíam. Rapidamente escrevi a resposta, rasguei um bocadinho do rascunho e escrevi: Queres ir ao cinema? Algum dia tinha de resultar…

Vamos, caiu na minha mesa.
Logo depois veio outro: Está bem, vamos.
Encontrei-me num beco sem saída existencial. Tendo duas jovens a exigir compromisso sério, como é que se responde a Como se chama a cria do rinoceronte?? Rinocerinheirinho? Rinossaurino? Vitelo? Rinotolico? À direita, pestanas; à frente, sardas. Estava feito. Respondi: Cria de rinoceronte.

Com a das sardas durámos até ao inverno, até os esquilos ficarem cinzentos. A das pestanas não apareceu no cinema. São uns seres enigmáticos, as mulheres.

No fim, acabei por ganhar o segundo prémio na olimpíada de Biologia e deram-me um diplomasó dois meses depois. Andaram para cima e para baixo. Na escola Cento e Setenta e Dois só encontraram um rapaz com o meu apelido e andava no primeiro ano. À pergunta retórica da directora: Como é que ele foi parar à olimpíada?, ele desatou a chorar e disse que não voltava a fazer aquilo. Acabaram por encontrar-me.

Fui o único desse encontro de génios que sabia como se chamava a cria do rinoceronte. Os cientistas portugueses ainda hoje discutem o nome dessa criatura: rinotolico não vingou. Assim entrei no mundo dos sábios e tornei-me parte dele. Depois, estraguei-me. E saí, como vêem.

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Na escola, eu estava sempre a ser chamado para várias olimpíadas. Certo dia, fui escolhido para a Olimpíada de Química. Interpretei isso como um reconhecimento das minhas capacidades intelectuais.
„Viem o tvojich záletoch,“ povedala manželka. Viktor zamrzol. Nie, neráznul sa. Ani nezbledol – hoci vo vnútri sa všetko zovrelo do klbka, ako keď niekto pokrčí papier predtým, než ho vyhodí. Len onemel. Lýdia stála pri sporáku, miešala niečo v hrnci. Bežná domáca scéna – chrbtom k manželovi, zásterka s drobnými bodkami, vôňa smaženej cibule, útulná kuchyňa. No jej hlas – ten znel, akoby čítala večerné správy v televízii. Viktor si v duchu pomyslel: či len správne počul? Možno hovorila o uhorkách – že vie, kde predávajú najlepšie? Alebo o susedovi z tretieho, čo predáva auto? Ale nie. „O všetkých tvojich záletoch,“ zopakovala Lýdia, ani sa neobrátila. Vtedy Viktor naozaj stuhol. Pretože v jej tóne nebola ani hystéria, ani krivda. Nebolo tam nič z toho, čoho sa vždy bál: slzy, výčitky, rozbitý riad. Bola to len konštatácia. Ako keby oznámila, že došlo mlieko. Päťdesiatdva rokov žil Viktor na svete. Dvadsaťosem z nich s touto ženou. Poznal ju ako svoje päť prstov: kde má znamienko na pleci, ako krčí nos pri ochutnávaní polievky, ako si ráno povzdychne. Ale tento tón od nej ešte nikdy nepočul. „Lydka,“ začal, ale hlas mu v hrdle zhasol. Okašľal sa, skúsil to znova. „Lýdia, o čom hovoríš?“ Otočila sa, pozrela na neho – dlho, pokojne, akoby ho videla prvý raz. Alebo skôr ako keď prezeráte starú fotografiu, na ktorej už nerozoznáte tváre. „Napríklad o Zuzane – z tvojej účtárne. Dvetisícosemnásť, ak sa nemýlim.“ Viktorovi sa podlomili kolená. Nie, to nie je len fráza – zem mu skutočne zmizla spod nôh a on sa ocitol vo vákuu. Preboha. Zuzana?! Meno jej ledva vedel vybaviť. Bolo to na firemnom večierku? Alebo po ňom? Krátke, nič vážne – vtedy si sľúbil, že viac nikdy. „A o Saši,“ pokračovala Lýdia chladne, „tá čo ťa oslovila vo fitku. Pred dvoma rokmi.“ Otvoril ústa. Zatvoril. Odkiaľ to vie o Saši?! Lýdia vypla sporák. Pomaly, precízne si zložila zásteru, sadla si za stôl. „Chceš vedieť, ako som na to prišla? Alebo ti je dôležitejšie, prečo som mlčala?“ Viktor mlčal. Nie preto, že by nechcel – len nemohol. „Prvýkrát,“ začala Lýdia, „som si všimla už pred desiatimi rokmi. Začal si sa zdržiavať dlhšie v práci. Najmä v piatky. Prichádzal si veselší, s iskrou v oku. Cítila som parfém.“ Trpko sa pousmiala. „Hovorila som si, že si namýšľam? Alebo že niekto v kancelárii nosí nový parfum? Presviedčala som sa celý mesiac. A potom som v tvojom saku našla účtenku z reštaurácie. Večera pre dvoch. Víno, dezert. Tam sme spolu nikdy neboli.“ Viktor chcel niečo povedať – ospravedlniť sa, zahovoriť, ako obyčajne. Slová však ostali kdesi medzi žalúdkom a hrdlom. „Vieš, čo som urobila?“ Lýdia sa mu pozrela do očí. „Plakala som vo vani. Potom som sa umyla. Navarila večeru. Privítala ťa s úsmevom. Dcére som nič nehovorila – mala vtedy pätnásť. Skúšky, prvá láska. Načo by mala vedieť, že otec…“ Odmlčala sa, rukou prešla po stole, akoby zotierala prach. „Myslela som si: prejde to. Pretrpím. Chlapi sú už takí – kríza stredného veku, hormóny, hlúposti. Vrátis sa – a snáď rodina zostane pokope.“ „Lydka–“ vydýchol Viktor. „Nechaj ma dohovoriť.“ Mlčal. „A potom bola druhá. Tretia. Štvrtá. Prestala som to rátať. Tvoj mobil – vždy bez hesla. Myslel si, že doň nepozerám? Čítala som správy. Tie hlúpe sms: ‚Chýbaš mi, zlato,‘ ‚Si najlepší.‘ Videla som fotky – ako ich objímaš, ako sa usmievaš…“ Hlas sa jej zachvel, prvýkrát za celý rozhovor. Nadýchla sa. „A stále som sa pýtala: prečo to robím? Prečo žijem s človekom, ktorý ma nemiluje?“ „Milujem ťa!“ vyhŕklo Viktorovi. „Lýdia, ja…“ „Nie,“ povedala pevne. „Nemiluješ. Miluješ pohodlie. Vyžehlené košele. Teplú večeru. Ženu, čo nekladie otázky.“ Vstala, pristúpila k oknu. Chvíľu sa dívala do tmy. „Vieš, kedy som sa rozhodla?“ spýtala sa. „Pred mesiacom. Dcéra prišla na víkend. Sedeli sme pri čaji. Vraví mi: ‚Mama, si nejaká iná. Tichšia. Ako by si ani nebola sama sebou.‘ A ja som si uvedomila – má pravdu. Už desať rokov nežijem pre seba.“ Viktor ju pozoroval – vzpriamený chrbát, napäté ramená – a prvýkrát pochopil: stráca ju. Nie „môže stratiť“ – práve ju stráca. „Nechcem sa rozvádzať,“ zašepkal. „Lýdia, prosím.“ „Ale ja chcem,“ odpovedala pokojne. „Papiere som už podala. O mesiac je pojednávanie.“ „Prečo práve teraz?!“ vybuchol Viktor. Otočila sa k nemu, pozrela mu do očí a smutno sa usmiala. „Pretože mi došlo: ty si ma nikdy nezradil, Viktor. Zradiť možno len niekoho, na kom ti záleží. Ja som pre teba bola len prostredie. Bola som tu. Vždy. Ako vzduch.“ A bola to pravda. Viktor sedel na gauči – zhrbený, akoby o desať rokov starší. Lýdia stála v predsieni. Medzi nimi dvadsaťosem rokov manželstva, spoločná dcéra, byt, ktorý poznal ich životy. A priepasť – obrovská, neprekonateľná. „Vieš predsa,“ povedal potichu, „že sa bez teba stratím.“ „Nestratíš sa,“ prerušila ho. „Nejako prežiješ.“ „Nie!“ vyskočil, vykročil k nej. „Zmením sa! Prisahám! Žiadne ďalšie…“ „Viktor,“ zastavila ho zdvihnutím ruky, „problém nie je v nich. Vôbec nie.“ „A v čom?“ Odmlčala sa. Dlho hľadala slová, ktoré chcela povedať už roky, no nikdy sa neodvážila. „Vieš, aké to bolo? Po každej tej tvojich Zuzane, Saši – keď si si po večeri ľahol ku mne, cítila som sa – ako prázdne miesto. Ani si sa nesnažil skrývať. Mobil si nechával ležať, košele hádzal do prania s rúžom na golieri. Myslel si, že som hlúpa. Že nič nevidím.“ Viktor sa zachvel, akoby ho udreli. „Nechcel som…“ „Nechcel?“ Pristúpila tesne k nemu. Oči jej žiarili, nie od sĺz, ale od hnevu – dlhoročného, konečne vypusteného. „Nerobil si vôbec nič. Ani raz si nepomyslel na mňa. Čo ti bežalo v hlave, keď si sa bozkával s inou? Že tvoja žena sa to nedozvie? Alebo: ‚Aký rozdiel?’“ Mlčal. Lebo pravda bola horšia. Naozaj na ňu nemyslel. Bola v jeho živote samozrejmosťou. Veril, že neodíde. Vždy tu bude. „Chodil si domov po svojich záletoch – a cítil si sa úplne normálne. Veď domov je, žena je, rodina drží pokope, všetko v pohode.“ Otočila sa mu chrbtom. „Ale ja som tam nebola. V tvojom svete. Vôbec.“ Viktor spravil krok, vystrel ruku – chcel sa dotknúť jej ramena, objať ju, udržať. Lýdia sa odtiahla. „Už nie,“ odvetila unavene. „Je neskoro.“ Zovrel jej ruky. „Lýdia, prosím! Ešte jednu šancu! Zmením sa, prisahám!“ Pozrela na ich prepletené prsty, na jeho tvár – zúfalú, strhanú. A vtedy pochopila: on sa naozaj bojí. Ale nie že stratí ju. Bojí sa byť sám. „Vieš,“ povedala tichým hlasom, vyslobodzujúc si ruky, „aj ja som sa bála. Byť sama. Bez teba. Bez rodiny. Ale vieš čo?“ Vzala kabelku zo stola, kľúče. „Ja som už dávno sama. S tebou – ale sama.“ A šla ku dverám. Prešli tri týždne. Viktor sedel v prázdnom byte, Lýdia sa presťahovala k dcére hneď po tom rozhovore – a prechádzal si mobilom. Zuzana z účtárne. Saša z fitka. Ešte dve, tri mená, ktoré kedysi niečo znamenali. Zavolal Saši. Zložila mu to. Zuzane napísal – prečítala, neodpovedala. Ostatné ani si nepozreli správu. Zvláštne: keď bol ženatý, všetky sa pretrhli, aby sa s ním videli. Teraz, keď je „slobodný“… Nie je zaujímavý pre nikoho. Aj byt, v ktorom kedysi nebolo miesta nazvyš, zrazu bol obrovský a cudzí. Prvýkrát za 52 rokov sa cítil naozaj sám. Ešte raz vyhľadal v mobile meno „Lýdia“. Dlho pozeral na obrazovku. Prsty mu triasli. Napísal správu. Zmazal. Napísal druhú. Zmazal. Nakoniec iba: „Môžeme sa stretnúť?“ Odvetila po hodine: „Načo?“ Premýšľal. Napísať „Prepáč“? Neskoro. „Vráť sa“? Smiešne. „Zmenil som sa“? Lož. Odpovedal pravdu: „Chcel by som začať odznova. Môžem to skúsiť?“ Tri bodky naskočili a zmizli. Znovu. A potom prišlo odpoveď: „Príď v sobotu. K dcére. O druhej. Porozprávame sa.“ Viktor si vydýchol. Nevie, čo bude. Či ho odpustí. Či sa vráti. Či má vôbec nárok na druhú šancu. Pozrel na obrúčku na prste. A po mnohých rokoch pocítil pripravenosť začať naozaj odznova. Ak mu to dovolí. Mala Lýdia odpúšťať manželovi jeho zálety? Nemala radšej hneď urobiť rázny koniec? Ako to vidíte vy?