A nossa filha casou-se há pouco tempo com um rapaz que, apesar de não vir de uma família abastada, sempre mostrou ter juízo e bom caráter. Eu e a minha mulher ficámos um pouco apreensivos, não era propriamente o que imaginávamos para ela, mas aceitámos, pois era essa a sua escolha.
Para marcar o início desta nova fase, ofereci à nossa filha um apartamento bonito em Lisboa, para que ela e o marido não precisassem de pagar renda de casa. O presente deixou-os muito contentes, principalmente os pais do noivo.
A mãe do rapaz não parava de elogiar o apartamento cada vez que nos visitava aparecia lá quase sempre, a pretexto de ver como estavam. A minha filha chegou a desabafar comigo que sentia a sogra sempre em casa dela, sem privacidade nem sequer para falar com as amigas ao telefone. Há pouco tempo, a sogra sugeriu-lhe, com alguma insistência, que os registos do apartamento podiam passar a incluir ela e o resto da família do marido, assim poderia desfazer-se do apartamento antigo onde morava, vendê-lo, e com o dinheiro poderiam comprar juntos um apartamento maior. Segundo ela, como família, faria todo o sentido que o novo apartamento fosse de todos, tudo partilhado.
A minha filha recusou educadamente, achando essa ideia bastante estranha. Mesmo assim, a sogra não largou o assunto. Começou a ligar-lhe quase todos os dias, insistia para que ela aceitasse, e acabou por recorrer até a ameaças e chantagens: acusou-a de não gostar do marido, ameaçou processos de divórcio e ainda disse que lhes ficaria com o apartamento. Nem sequer deu ouvidos ao filho, que tentou acalmar a mãe e fazê-la desistir.
Eu e a minha mulher achámos que era melhor não nos intrometermos logo e deixámos os jovens tentar resolver entre eles. Mas quando a nossa filha nos começou a telefonar a chorar, não aguentámos mais e decidimos intervir.
Fui falar diretamente com a sogra, olhei-a nos olhos e disse-lhe de forma séria e firme que deixasse a nossa filha em paz, e que se continuasse com aquelas pressões teríamos de recorrer às autoridades. Ela mudou imediatamente de atitude, disse-nos que a tínhamos percebido mal e alegou que só queria ajudar. Desde então, a nossa filha deixou de sofrer com aquela situação e agora vive tranquila e feliz com o marido.







