O meu irmão estava casado há cinco anos, mas nunca conhecemos a sua esposa. Um dia, ele disse-me que vinha cá com ela passar dois dias. Vieram, mas eu não consegui suportar aquela mulher.

Ouve só, isto parece cena de novela, mas foi mesmo real. O meu irmão, Henrique, quando acabou a faculdade, mudou-se para longe, para o Porto, para começar a trabalhar. Ele tinha planeado ficar lá só um ano para juntar algum dinheiro e depois regressar a casa, aqui em Lisboa, para comprar um apartamento. Mas como se costuma dizer, o destino gosta de pregar partidas. Lá acabou por conhecer uma rapariga e apaixonou-se, ao ponto de decidirem casar. O Henrique acabou por ficar por lá. Nenhum de nós conhecia a tal mulher misteriosa. Na altura do casamento deles, imagina só que eu estava a umas semanas de ter bebé, já de barriga mesmo grande, então decidi nem pensar em meter-me numa viagem dessas. O meu pai também não pôde ir porque no trabalho não lhe deram folga, por isso só a minha mãe é que foi ao casamento. Ela conheceu a minha cunhada, mas a verdade é que não criaram grande ligação, ficaram por ali. Os noivos foram de lua-de-mel e a minha mãe voltou sozinha para Lisboa uns dias depois. Lembro-me que dizia que a rapariga era bonita, simpática, sempre de sorriso, mas pronto, nunca a conhecemos verdadeiramente. Os anos foram passando e nada.
Este ano, o Henrique surpreende-nos com uma novidade. Fez planos para uma viagem à la portuguesa com vários destinos: primeiro viriam eles cá a casa, depois iam a um casamento de uma amiga dele, logo a seguir tinham um encontro com colegas do liceu e depois iam até ao Algarve para se juntar aos pais dela, antes de regressarem ao Porto. Vinham cá passar dois dias. Olha, eu nem me preocupei muito. Sim, a casa cá é pequena, mas podíamos sempre ir para a casinha de campo dos meus sogros em Sintra. Eles emprestaram-nos aquilo sem problema. É certo que já não via lá obras há anos, mas tirando o aspeto meio antiquado, vivia-se bem. Nesse dia, até estava animada, ansiosa por finalmente conhecer a tal cunhada fantasma. Chegam eles. E bem, a partir daí foi uma comédia dramática.
O Henrique apresentou-nos e, olha, mal a mulher põe um pé na sala, começa logo a reclamar: que se vinha a derreter de calor durante a viagem, que o comboio era barulhento, que era apertado, que estava desconfortável, enfim. Depois, lá fomos para a casa de campo, quis mostrar tudo, toda contente, ela a fazer cara de quem acabou de comer limão, especialmente ao ver o duche e a casa de banho parecia que tinha visto coisa do outro mundo. Foi logo meter o Henrique de lado, ficaram a falar baixinho, e não tarda o meu irmão vem pedir ao meu marido para os levar de volta ao centro. A minha cunhada disse que dali não mexia no duche. Lá foram para minha casa, ela tomou banho, pôs-se toda arranjada, depois lá voltámos para o campo. Quando chegou a hora da comida, outra novela não comia nada do que tínhamos preparado, e olha que nos esforçámos ao máximo! Se não era pelo glúten, era pelo azeite, ou porque não sei quê… Acabou só a comer legumes e mesmo esses a olhar como se estivessem envenenados. O quarto? Nem pensar em dormir lá. Voltámos para o nosso apartamento em Lisboa. No dia seguinte, fomos passear, e olha, parecia que eu tinha levado o meu filho de três anos e ela trocada: ora se queixava que estava calor, ora se queixava das pernas, ora dizia que estava aborrecida. Saí-me um alívio quando se foram embora, nem te digo! Fico mesmo a pensar como é que o Henrique aguenta aquilo há anos. Conseguiu dar-nos volta à cabeça em apenas dois dias!

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O meu irmão estava casado há cinco anos, mas nunca conhecemos a sua esposa. Um dia, ele disse-me que vinha cá com ela passar dois dias. Vieram, mas eu não consegui suportar aquela mulher.
Z Igora sa stal skutočný muž domu: Pre Marínu vyrovnal záhradu, postavil kvetinové záhony aj altánok, všetko v domácnosti mal pevne v rukách. Marína si naozaj správne vybrala muža! A navyše Igor stále zarábal peniaze a rozmaznával Marínu darčekmi. — „Veď si ma nikdy nemilovala. Vzala si si ma bez lásky. Teraz ma opustíš, keď som ochorel…“ — „Nikdy! Nikdy ťa neopustím!“ poví Marína a objíme Igora. — „Si najlepší muž na svete!“ Igor nemohol uveriť, že je to pravda. Jeho nálada bola pochmúrna… Marína bola vydatá dvadsaťpäť rokov a celý čas bola u mužov obľúbená, hoci nikdy nebola žiadna veľká kráska. Neodišla od svojho prvého muža, hoci bol veľmi komplikovaná povaha. Zostala s ním až do jeho smrti. Dcéra Daria sa vydala do Talianska, volá ju na návštevu, ale Marína nechce predať dom ani sa sťahovať. Po smrti manžela dom bez mužskej ruky zostáva pre ňu veľkým bremenom. Aj keď Daria radí predať dom, Marína zostáva. Dodnes nechápe, prečo je pre mužov taká príťažlivá — nie je predsa žiadna miss… Vždy bola skôr charizmatická a s iskrou. Po rokoch sa u nej objavujú dvoritelia aj po štyridsiatke. K jednému ju to ťahá, no ten je len na pekné slová. Nakoniec si vezme Igora, poctivého chlapíka so zlatými rukami. V ich dome je po ňom hneď vidieť poriadok — postaví altánok, kvetinové záhony, záhrada rozkvitne. Marína je spokojná: správne si vybrala! Šťastie však preruší Igorova choroba. Bojí sa, že ho Marína opustí, keď už nebude silný ako predtým. Ale ona ostáva, povzbudzuje ho, pomaly sa zotavuje. Pri oslave Igorovho jubilea bez alkoholu si uvedomia, že sú šťastní aj napriek všetkému — doma v altánku, medzi svojimi… O láske, ktorá rastie z malých činov, o charizme a sile zostať spolu.