Querido diário,
A minha tão esperada boda, que terá lugar daqui a uns dias em Lisboa, está a ser marcada pelas exigências e teimosias da minha mãe. Ela insiste que convide o meu pai, mas não admite de modo algum que ele traga a nova esposa, a quem detesta profundamente. Apesar dos meus pais estarem separados há já muitos anos, o meu pai refez a vida dele e casou-se novamente, mas a minha mãe ainda carrega um ressentimento difícil de explicar. A segunda esposa do meu pai, Beatriz, foi o catalisador do divórcio deles. Segundo a minha mãe, Beatriz percebeu que o meu pai não queria separar-se da minha mãe só por minha causa e, sem rodeios, foi ter com a minha mãe e disse-lhe: Ele já não te ama, só continua contigo por causa da vossa filha. Não te humilhes mais, deixa-o seguir em frente comigo. Numa fúria, a minha mãe pôs o meu pai fora de casa.
Houve um tempo em que a minha mãe até me proibiu de falar com ele, mas não consegui aceitar ser afastada nem do meu pai nem da nova família dele. O meu pai e a Beatriz tiveram um filho juntos, o meu irmão mais novo, o Mateus, e continuei a visitá-los frequentemente, aproveitando para brincar com o miúdo. Hoje o Mateus já tem dez anos. Quando contei ao meu pai que ia casar, ele, emocionado, prontificou-se logo a oferecer-me um presente de casamento de luxo um apartamento na zona da Estrela, a que eu escolhi. Quis garantir um início tranquilo para mim e para o meu futuro marido, mostrando o quanto se preocupa com o nosso bem-estar. Este gesto deixou-me radiante, mas as atitudes da minha mãe vieram ensombrar toda a minha felicidade.
Recusa-se terminantemente a que o meu pai compareça com a esposa na cerimónia, chamando à Beatriz a destruidora de lares. Diz que se ela aparecer, ela própria nem entra na igreja. Como se não bastasse, ficou a saber do apartamento e acusou-me de ser uma traidora só porque aceitei o presente do meu pai. Neste momento, sinto-me dividida entre o apoio e carinho do meu pai e o desejo impossível de agradar à minha mãe.
Tenho chorado noites inteiras, sem saber como lidar com esta situação. O meu noivo, Miguel, tem tentado conversar com a minha mãe para que ela perceba o quão injusta está a ser, mas o resultado foi ela começar também a implicar com ele. Não compreendo esta dureza sei bem que o meu pai deve tê-la magoado profundamente, mas acredito que, para sermos felizes, é preciso conseguir perdoar e seguir em frente. Este dilema é muito doloroso e só desejo que, no fim, todos consigamos encontrar alguma paz e alegria.







