Para que a vida em família seja mesmo confortável, tem de haver confiança entre marido e mulher. Quando a única coisa que se găsse ao chegar a casa é desconfiança ou cara feia, esquece lá a paz e harmonia. Com o tempo, estas coisas viram tempestades num copo de água e acabam por minar qualquer relação, por muito bolacha-maria que já tenha vivido.
O problema é que muita gente arrasta dificuldades com confiança ninguém nasce desconfiado, normalmente é coisa herdada de experiências passadas. Se uma mulher já levou com mentiras no pátio de trás, vai achar que todos os homens são distribuidores automáticos de aldrabices. E quando então apanha um daqueles mesmo a trair, ui, aí é que fica tudo de pé atrás. Mas vale a pena mudar isso, sim senhora.
Estas pequenas guerras interiores não devem ser travadas por ninguém senão pela própria pessoa. Se a desconfiança começa a ser o pão nosso de cada dia, ali se vai o sabor da vida a dois. A vida fica passada a tentar decifrar mensagens, encontrar pistas, e ninguém aguenta ansiedade gratuita durante tanto tempo. Não tem de se acreditar piamente em toda a gente, mas pelo menos convém saber conversar e não viver em modo polícia secreta. Senão, é stress a dar com um pau, todos os dias.
Ora, o meu colega Afonso andava a notar que a mulher, Beatriz, estava muito dada a passeios. Ao início nem ligou, mas quando ela começou a sair não só uma, mas duas vezes por semana, o nosso homem ficou a matutar. Como quem não quer a coisa, Afonso descobriu algo que o deixou de boca aberta há umas semanas: à procura dos seus sapatos para aquele jantar em casa do primo, deu de caras com uma caixa cheia de notas! Sim, euros, não eram vales de desconto do Continente.
Afonso ficou aparvalhado nunca a Beatriz falara de dinheiro escondido. Uns dias depois, zás, o dinheiro desapareceu da caixa e ela voltou a sair. O nosso Afonso já não aguentava com a pulga atrás da orelha e vai de segui-la.
Adivinhe-se o quê a senhora Beatriz cruzou a rua e entrou no prédio da frente. Afonso, feito detetive de bairro, lá foi atrás. No segundo andar ouviu-se qualquer coisa a trancar; subiu logo e bateu à porta com aquele nervosismo de quem vai apanhar o fim do mundo. Abriu-lhe a porta, não um galã, mas sim uma velhota de cabelos brancos e avental florido.
Afinal, a Beatriz tinha conhecido a Dona Amália há tempos, quando regressava do supermercado e a ajudou com os sacos cheios. Desde aí, começou a ir lá duas vezes por semana para levar compras e fazer-lhe companhia. O dinheiro era para essas compras uma mão lava a outra, já dizia a minha avó!
No fim das contas, confiança é mesmo artigo de luxo. E muitas vezes, aquilo que parece um assassinato de telenovela, afinal não passa de uma ida solidária ao Pingo Doce…







