A sogra não entende coisas elementares O que devo fazer?
A minha sogra faleceu há já alguns anos, e, depois de lhe fazer o funeral, jurei para mim mesma que honraria a máxima: pelos mortos, só se diz bem ou nada se diz.
Prometi também outra coisa qualquer nora que entrasse em minha casa, jamais me tornaria o que ela foi para mim.
Mas as intenções são uma coisa, a vida acaba por mostrar outras.
O meu único filho, Tomás, completou 25 anos e, no início do verão, decidiu trazer a sua namorada para casa.
Fiel à minha decisão de não me intrometer, recebi a rapariga com o coração aberto e com a prudência de quem fecha um pouco os olhos ao que pudesse vir.
Disse-me que não a olharia de lado, não procuraria os seus defeitos, nem lhe daria lições coisas que a minha falecida sogra sempre fez comigo, ao ponto de instalarmos um rancor mútuo que nunca teve volta.
Não quero afastar nem o Tomás, nem a namorada. Confesso até que me dá gosto preparar-lhes café, saber os gostos de cada um ao pequeno-almoço e mimá-los ao sábado ou domingo, nos únicos dias em que consigo dar-me a esses mimos.
Nos dias de semana, faço por desaparecer vou com o meu marido até à praia fluvial, visito uma amiga, ou vou à aldeia ajudar a minha mãe a fazer compotas e pickles. Fico longe e deixo-os sozinhos em casa.
No entanto, aconteceu uma situação que poderia ser cómica, mas que me deixou verdadeiramente pensativa e por isso a partilho como memória. Uma noite, a namorada do Tomás mostrou-me uma camisola nova que tinha comprado ao regressar do trabalho.
Não fora cara, ainda mais porque lhe faltava um botão.
Vestiu-a, virou-se para o espelho ficava-lhe mesmo bem, era gira e assentava-lhe que nem uma luva. No dia seguinte, sexta-feira, íamos as duas visitar uma amiga e perguntei se não queria vestir a nova camisola Mas, afinal, não a levava porque não sabia coser o botão.
Ai, menina!, escapou-se-me, não por desdém, mas fiquei mesmo espantada uma rapariga de 22 anos sem linha, agulha, nem botão extra!
E amanhã, filha, como será? Como há-de tomar conta de uma casa ou de uma família, como irá tomar decisões importantes?
Agora, não sei bem o que fazer se hei-de coser-lhe o botão, mostrar-lhe como se faz, ou se deixo ficar como está se quiser usar a camisola, aprende a coser; se não, fica esquecida no armário.
Só tenho uma certeza não quero ser má sogra, já conheci o que isso é e não gostei nada…







