Uma amiga encontrou um amante casado, mas a esposa dele revelou-se mais sábia

O meu amigo de então tinha acabado de fazer 25 anos. Era jovem, elegante e lindíssima. Arranjou emprego numa agência de viagens em Lisboa e lá iniciou um romance com o diretor.

O homem tinha mais de 40 anos, era casado e tinha dois filhos. Começou a alugar-lhe um apartamento e a oferecer-lhe presentes caros, um perfume francês, uma mala de designer. Estiveram juntos durante quase um ano.

Ela sabia que ele tinha uma família e não queria que ele se divorciasse. Mas, aos poucos, o diretor começou a ponderar o divórcio. A esposa dele já intuía que o marido estava envolvido com outra. Ele próprio confidenciou à amante que a mulher dele começava a desconfiar. Mas nunca lhe disse diretamente as suspeitas. Nunca fez uma cena, nunca lhe fuçou nos bolsos, nem andou a vasculhar-lhe o telemóvel ou a armar barracos.

Essa postura da esposa fez o diretor sentir-se culpado. A mulher era delicada, carinhosa e atenciosa. Começou a cuidar mais de si, emagreceu, mudou o tom do cabelo. E, passado uns meses, quando a paixão entre a minha amiga e esse homem esfriou, a esposa veio trabalhar com eles, tornando-se a chefe de contabilidade da agência. A minha amiga, Salomé, tinha medo de ir buscar o seu salário, receando uma cena pública. No entanto, a mulher mostrou-se cordial e educada.

Com o tempo, o diretor tornou-se indiferente à amante, que, desesperada, começou a fazer cenas e a insultá-lo. Já a esposa era uma verdadeira sedutora. Gradualmente, a relação com Salomé tornou-se um desastre; o homem preferia, ao cair da noite, regressar a casa. O ponto de viragem deste triângulo amoroso foi uma viagem de negócios, numa cidade portuária, talvez no Porto, onde tiveram de ir os três juntos. Salomé mostrou-se arrogante durante as reuniões, pensando que tinha uma posição especial, por ser amante do diretor.

No fim, Salomé acabou pior do que a mulher traída. O diretor pediu-lhe que abandonasse o apartamento e esclareceu que estava terminado. Quando Salomé voltou ao trabalho, foi chamada pela chefe de contabilidade que, de maneira calma, lhe comunicou que a empresa já não precisava dos seus serviços.

Salomé confessa, até hoje, que gostaria de apagar aquela história da memória, mas continua a admirar o comportamento da esposa, uma mulher que se revelou sábia e resiliente. Ela soube agir de modo a reconquistar o carinho do marido, que agora a venera. Ninguém imagina o quanto sofreu, quanto chorou em silêncio, quanto suportou. Mas conseguiu recompor-se, esperou que a paixão passasse e entrou em ação. Assim é uma mulher sagaz.

E as outras mulheres? As restantes 90% partem para o conflito, zangam-se, investigam e ameaçam os maridos. Mas, naquele momento, o homem está cego pela paixão por outra! Com quem ficará ele: a mulher rabugenta ou a amante dócil? Ele não pensa que a criatura doce pode transformar-se, no futuro, numa esposa amarga igual à que tem. Agora, não pensa com a cabeça.

Mas como compreende isso a esposa? Claro que as emoções são um obstáculo, mas a vida mostra que só vence quem sabe esperar e agir com inteligência.

Se descobrires uma traição e te apetecer partir tudo, reúne-te, respira fundo e pondera se ainda existe hipótese de ele regressar. Vai ao ginásio, procura uma esteticista, consulta um psicólogo, muda de penteado. Inscreve-te em aulas, dança, procura trabalho novo ou muda de emprego. Aprende a amar-te e respeitar-te é o único caminho.

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