Uma amiga encontrou o caderninho do marido com registos de despesas em medicamentos e outras coisas. Lá se vai o romance.

Uma amiga minha, a Leonor Silva, foi internada no hospital por causa de uma doença bem conhecida nos dias de hoje. O caso era complicado ambos os pulmões estavam afetados. Durante a estadia no hospital, acabou por ser despedida do trabalho. Quando finalmente voltou para casa, ninguém teve coragem de a pressionar a procurar logo um novo emprego. Além disso, a situação cá no país não estava nada fácil, todos se agarravam ao trabalho como podiam. Era praticamente impossível arranjar vaga numa empresa conceituada, e o próprio estado de saúde dela não permitia aceitar um cargo cansativo, como por exemplo, de caixa num supermercado. Por isso, a Leonor foi tentando encontrar, com calma, algo na sua área, enquanto fazia alguns trabalhos a partir de casa, na medida em que se sentia capaz.

Aproveitou então que estava em casa e resolveu fazer uma limpeza profunda antes que a vida lhe exigisse outro ritmo. Começou a organizar o computador e, ao esvaziar gavetas, descobriu um velho caderno. Ficou intrigada, pois não se lembrava de ter aquele caderno em casa. Será que lá estavam números de telefone antigos, talvez recados ou moradas de alguém? Abriu ao acaso e uma pilha de talões caiu. Em cada página, percebeu rapidamente, estava registada, na caligrafia do marido, cada despesa feita: creme hidratante, vitamina D, injeções (duas sessões).

As mãos da Leonor começaram a tremer. Apercebeu-se que o marido tinha registado com um detalhe quase obsessivo todas as compras feitas para ela durante a doença desde medicamentos a alguns bens pessoais tudo somado junto com outras despesas do casal. De tempos a tempos, via algumas somas parciais, o que fez com que ela percebesse que, naquela altura, já devia quase 100.000 euros. Até gastos médicos e parte das compras da casa estavam apontados naquele caderno!

Nunca esquecerei o autocontrolo da Leonor. Não pegou no telemóvel para descarregar a raiva, não fez escândalo nem vingança subtis, como misturar laxante na comida dele. Simplesmente esperou em silêncio até ele chegar a casa. Serviu-lhe o jantar, ouviu o resumo do dia dele, e só depois trouxe o assunto à baila, de forma calma e educada nada de palavras feias ou discussões.

O marido ouviu e respondeu como se nada fosse: Mas o que é que há de errado? Antes de termos um orçamento de casal, cada um investia do seu bolso, lembras-te? Agora, enquanto só eu trabalho, faço o mesmo. Quando voltares a trabalhar, vais investindo mais até a conta ficar saldada. E, quando sobrar, compro um portátil novo, já que o meu está nas últimas e já nem corre os jogos de futebol recentes.

No fim desse dia, depois de tudo, percebi que por vezes as pessoas mais próximas podem surpreender-nos pela forma como entendem uma relação. E aprendi que há conversas que nunca devemos adiar, porque por muito que o amor aguente, a confiança constrói-se com pequenos gestos e respeito mútuo.

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Uma amiga encontrou o caderninho do marido com registos de despesas em medicamentos e outras coisas. Lá se vai o romance.
Те се присмиваха на нейното евтино палто, докато не разбраха цялата истина