Beatriz foi internada na maternidade muito antes da data prevista para o parto: a sua gravidez estava a ser complicada nas últimas semanas e os médicos não quiseram correr riscos, ainda mais sabendo que ela estava à espera de gémeas. Propuseram-lhe uma cesariana programada, mas ela queria muito ter um parto normal, por isso, os médicos decidiram tentar sempre haveria tempo para uma cirurgia, se fosse necessário.
Além disso, Beatriz e o marido, João, tinham um acordo de parto acompanhado, e os obstetras não gostam muito de ter pessoas de fora na sala de operações. O trabalho de parto começou tarde, já era quase meia-noite; ligaram logo a João, que chegou passados apenas vinte minutos, e rapidamente seguiram juntos para o bloco de partos. Como não era a sua primeira experiência, Beatriz já sabia o que fazer, estava serena e centrada, e, por volta das quatro da manhã, nasceu a primeira bebé.
A bebé chorou de imediato, e a parteira parabenizou Beatriz pelo nascimento da sua primeira filha. Só que, em vez do tradicional momento de alegria, João forçou um sorriso e voltou-se logo para a esposa. Dez minutos depois, veio ao mundo a segunda menina. Beatriz sorria de pura felicidade, mas o pai não aguentou e desatou a chorar, não pareciam lágrimas de emoção. Ficámos preocupadas, mas Beatriz acenou tranquilamente e disse:
Não se preocupem, daqui a uma hora ele já está bem. Já é a quinta vez que tem gémeas. Ele sonhava com um filho rapaz, mas não aconteceu, então está assim um pouco ressentido. Mas ele adora as filhas vai tudo correr pelo melhor. E de facto, no dia seguinte, olhando da janela da maternidade para o jardim, vimos aquele grupo animado de meninas encantadoras, lideradas pelo pai, todos a segurar balões e a gritar à mãe quanto a amavam. Percebemos, então, que estava realmente tudo bem naquela família. Mas, ainda assim, ficou-nos alguma pena do João…







