Galina foi amante antes de encontrar o verdadeiro amor: Solteira até aos trinta, envolveu-se com um …

Graça era amante. Não teve sorte no casamento. Ficou solteira até aos trinta anos, até que decidiu finalmente arranjar um homem. O Paulo era casado, algo que ela só percebeu depois, quando ele próprio deixou de disfarçar, assim que notou o quanto ela se tinha afeiçoado e apaixonado por ele. Mas Graça nunca fez qualquer reprovação ao Paulo. Pelo contrário, só se martirizava por aquela ligação e pela sua fraqueza perante ele. Sentia-se diminuída, por não ter encontrado um noivo a tempo, e via a vida passar-lhe ao lado.

Apesar de tudo, não era feia: não era uma beleza, mas tinha ar simpático, um pouco cheiinha, o que talvez a fizesse parecer mais velha. A relação com o Paulo não ia dar em nada. Não queria continuar como amante, mas também não era capaz de o largar. Tinha medo de ficar sozinha.

Num dos dias, apareceu-lhe de surpresa o primo Tiago. Estava de passagem por Lisboa em trabalho. Passou a casa da prima por algumas horas; já não se viam há imenso tempo. Almoçaram juntos na cozinha, falaram como nos tempos de infância, conversando de tudo e de nada, as suas vidas agora. Graça contou-lhe tudo, sem máscaras, sobre a sua vida sentimental. Até chorou um pouco.

Nesse momento, bateu à porta a vizinha Dona Teresa, a pedir para Graça a ir ajudar a ver umas compras que tinha feito. Graça foi, dizendo que não se demorava. Só passados vinte minutos regressou. Entretanto, tocaram à porta. Tiago foi abrir, julgando que Graça tinha voltado nem tinham fechado à chave a porta Do outro lado estava Paulo. Logo Tiago percebeu que era ele, o amante. Paulo ficou sem saber o que dizer ao ver em casa de Graça um homem grande, seminu de calças de fato de treino e camiseta, a trincar um pão com chouriço.

A Graça está? perguntou Paulo, por fim, sem saber o que dizer.
Está na casa de banho respondeu Tiago sem hesitar.
E você, quem é, se me permite? gaguejou Paulo.
Sou o marido dela. Unimos de facto por enquanto, vá E o senhor, porque quer saber? Tiago chegou-se perto de Paulo e agarrou-o pelo colarinho. Então não é você o espertinho casado de quem a Graça me falou? Ouça bem. Se o vejo aqui outra vez, dou cabo de si. Desce as escadas aos trambolhões, está a ouvir?

Paulo, arfando ao desprender-se do aperto, fugiu a correr escadas abaixo.

Graça voltou pouco depois. Tiago contou-lhe quem ali tinha estado.
O que foste tu fazer? Ninguém te pediu! choramingou Graça. Ele já não volta…
Ela sentou-se no sofá e escondeu a cara nas mãos.

Pois, não volta não. Ainda bem. Chega de lágrimas. Olha, tenho para ti um homem como deve ser, lá da nossa terra. Ficou viúvo, desde que morreu a mulher que não o largam, mas ele afasta-se de todas. Diz que quer estar sozinho mais um tempo. Olha, depois desta viagem volto cá e vamos juntos ao Montijo para te apresentar.

Como assim? estranhou Graça Não posso. Nem conheço o homem. E que vergonha, aparecer lá sem mais nem menos…
Vergonha é andar com homem casado. Não tenhas medo de conhecer alguém livre. Ninguém te obriga a saltar para a cama com ele. Vá, vem comigo, a minha Luísa faz anos.

Uns dias depois, Graça e Tiago já estavam no Montijo. A mulher de Tiago, a Luísa, preparou uma mesa farta no quintal, junto à churrasqueira. Vieram vizinhos, amigos e também o tal viúvo, Alexandre. Os vizinhos já conheciam a Graça; só com Alexandre ela nunca tinha falado.

Depois do convívio, Graça regressou a Lisboa. Ficou-lhe no pensamento a calma e reserva de Alexandre. “Ainda sofre da mulher dele. Coitado. Poucos homens bons assim”, pensou Graça.

Na semana seguinte, ao sábado, alguém tocou à porta. Ela não esperava ninguém. Quando abriu, ficou pasmada: naquela soleira, Alexandre, com um saco de supermercado na mão.

Permite, Graça, passei aqui por acaso, fui ao mercado e aproveitei para lhe fazer uma visita disse ele embaraçado, com a frase meio ensaiada.

Graça lá o convidou a entrar, surpresa, oferecendo-lhe chá. Começou a perceber que aquela visita não caíra do céu por acaso.

Então, comprou tudo o que precisava? perguntou Graça.
Sim, deixei tudo no carro. Isto é para si… Alexandre tirou do saco um pequeno ramo de tulipas e ofereceu-lho.

Ela aceitou o ramo; os seus olhos brilharam. Sentaram-se na cozinha, conversaram do tempo, dos preços das batatas e das sardinhas. Finalmente, acabando o chá, Alexandre agradeceu e começou a preparar-se para sair. No corredor, vestia devagar o casaco, calçava os sapatos sem pressa. De repente, quase a sair, voltou-se para Graça e disse:

Se eu sair agora e não lhe disser, arrependo-me depois. Graça, pensei em si toda a semana. Só nela pensei, a sério. Não via a hora de ser sábado, para poder vir cá. Pedi o seu endereço ao Tiago…

Graça corou e baixou os olhos.
Mal nos conhecemos… murmurou, embaraçada.

Isso não importa. Importa é: não lhe sou antipático? Posso tratá-la por tu?… Eu sei que não sou grande coisa. E, além disso, tenho uma filha, pequena, oito anos. Agora está com a avó.

Alexandre estava nervoso, as mãos tremiam.

Uma filha é uma bênção. Sempre sonhei ter uma menina suspirou Graça, sonhadora.

Animado por aquelas palavras, Alexandre pegou-lhe nas mãos, puxou-a suavemente, e beijou-a.

Após o beijo, Alexandre olhou-a nos olhos e viu-lhe lágrimas a brilhar.
Fiz mal? Não gostaste? perguntou ele.
Não, gostei, até estranho em mim… Senti tudo em paz. Não estou a roubar ninguém a outra mulher…

Desde então, encontravam-se aos fins-de-semana. Dois meses depois, Graça e Alexandre casaram-se e foram viver para o Montijo. Graça arranjou emprego num jardim de infância. Ao fim de um ano, nasceu-lhes uma filha. Assim iam crescendo duas meninas naquela casa: ambas queridas, ambas filhas. Felicidade e carinho nunca faltaram para as duas. Alexandre e Graça parecem até mais jovens de dia para dia, como vinho bem guardado que apura com o tempo.

Tiago, nas festas, piscava o olho à prima:
Então, Graça, vê lá que marido te arranjei! Cada vez estás mais bonita. Contigo, quem se dá bem sou eu ouve sempre o teu primo!

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Veď ty zarábaš celé hory peňazí, však? Švagriná si odo mňa požičala peniaze na byt a išla na dovolenku k moru. Toto leto k nám prišla na návštevu milovaná sestra mojej manželky. Hovoril som jej domáci miláčik, lebo na všetkých rodinných oslavách sa hovorí iba o nej – bola jednotkárka, úspešne skončila vysokú školu, našla si prácu v odbore, no povedzte, nie je to ideálna dcéra? Moja manželka je najstaršia, ale školu nedokončila a vydala sa. No to rodičom nevadilo, lebo ja som bol slušne bohatý podnikateľ, vlastný byt, auto aj solídny príjem. Ale aj tak bola najlepšia práve tá mladšia sestra. A tak toto leto, keď švagriná prišla na návštevu, požiadala ma o pôžičku – že potrebuje peniaze na zálohu na hypotéku, lebo chce vlastný byt. Pre mňa to nebol problém, dal som jej peniaze. Uistila ma, že robí na úrade a všetko splatí načas. Peniaze si požičala, takmer mi prisahala, že každý mesiac bude splácať. No o týždeň neskôr už bola pri mori! Bol som z toho poriadne zmätený, keďže teraz nemala ani na byt, ale dovolenkovať išla. Zobrala si voľno, všetkým hovorila, že si na dovolenku šetrila celý rok, no jednu vec opomenula – hypotéku si nakoniec vôbec nevzala. Keď som sa jej na to pýtal, povedala, že si to rozmyslela. Požiadal som ju teda o vrátenie dlhu, na čo mi povedala, že peniaze nemá, všetko minula pri mori. Vtedy mi došlo, že žiadny byt si ani nechcela kupovať. Poprosil som ju slušne, aby mi dlh čo najskôr vrátila, lebo som jej predsa požičal na byt, nie na dovolenku pri mori. Jej odpoveď ma však poriadne nahnevala: – Veď zarobím ešte veľa peňazí, počkáš, teraz nič nemám. Ako si myslíte, že to celé dopadlo? Presne – svojej mame sa posťažovala, že si pýtam peniaze skôr, ako sme sa dohodli, a že takto sa rodina nespráva – a zrazu bola najmladšia dcéra opäť dokonalý anjel, a my „bohatí monštrá“!