Bernardo conhece a mãe desde que era bebé. Ela esteve sempre com ele. Não tem mais ninguém. O pai abandonou a mãe antes dele nascer. Agora é noite. O pequeno Bernardo prometeu que seria corajoso e que esperaria a mãe voltar.
O pequeno Bernardo prometeu ser forte e aguardar pelo regresso da mãe.
Passa uma hora, depois duas, e a mãe não chega. O menino, com apenas cinco anos, chora e vai até ao quarto, só para garantir se a mãe não está lá. Mas encontra o quarto vazio. Até os sapatos dela, aqueles que usou quando saiu, desapareceram.
O medo começa a instalar-se em Bernardo e ele volta a chorar. Assim, acaba por adormecer.
O sol nasce e os primeiros raios iluminam a cama dele, acordando-o. O menino levanta-se e vai novamente à procura da mãe. Não vai à casa do vizinho, porque, segundo a mãe, lá mora um tio malcriado, sempre bêbado e dado a discussões. Bernardo tem medo dele.
O menino sai para a rua. Espera encontrar a mãe por ali. Os lisboetas que por ele passam não lhe dão importância. Cansado de tanto procurar, Bernardo senta-se num banco de jardim. Uma senhora idosa já estava sentada ali. O menino senta-se ao lado dela e começa a chorar, sem conseguir aguentar as lágrimas. A senhora olha para ele e pergunta o que aconteceu.
Vai para casa, menino, diz ela, convencida de que ele só está a fazer birra, e oferece-lhe uma maçã. Mas Bernardo não pára de procurar. Os adultos que encontra nem reparam nele, todos demasiado ocupados com as suas próprias vidas.
Ao fim do dia, exausto, Bernardo adormece no parque. Quando a noite cai, sente frio e fome. Alguém chama a Polícia. É assim que Bernardo acaba na esquadra da Polícia de Lisboa. Depois levam-no para outro sítio e entregam-no a uma senhora, que ele nunca viu.
Quero a minha mãe! Bernardo volta a chorar, com esperança de a ver ali. Mas no quarto para onde o levam, mãe não há.
Outra senhora chega, traz-lhe roupa limpa e ajuda-o a mudar-se. Depois pega-lhe na mão e guia-o para outro lugar. Assim vai Bernardo ter a uma casa cheia de outras crianças como ele. Sentou-se encostado à parede, ficou ali muito tempo, tonto, a pensar. Começa a aceitar que a mãe está longe, algures, e que talvez nunca venha buscá-lo.
P.S. Naquele serão, ao sair de casa, a mãe de Bernardo foi atropelada por um carro em Lisboa e faleceu.







