Um amigo meu, com 42 anos, encontrou esposa: diz que ela é uma excelente empregada doméstica e uma cozinheira de mão-cheia, e que o resto não lhe importa.

Conheço o António desde a infância. Crescemos juntos num daqueles antigos pátios lisboetas, e claro, éramos inseparáveis. Quando chegámos à adolescência, formávamos sempre aquele grupo animado e íamos passear para o centro da cidade. Lá passávamos o tempo a conversar ou sentávamo-nos nos bancos da Praça do Comércio. As relações com raparigas, nessa altura, não nos preocupavam muito. O que realmente nos importava era como os nossos amigos iam reagir nunca queríamos perder a cara diante deles.

Depois, fui chamado para cumprir o serviço militar, enquanto o António conseguiu escapar a essa obrigação, vá-se lá saber como. Quando terminei o serviço, arranjei emprego, casei-me, enfim, segui o caminho tradicional. Vivi com a minha mulher dez anos e tivemos dois filhos. Com o tempo, apercebemo-nos de que já não nos reconhecíamos um ao outro. As discussões começaram a ser constantes, até que percebemos que era melhor cada um seguir o seu caminho. O divórcio veio pouco depois.

Dois anos mais tarde, já livre, reencontrei por acaso o António numa rua da Baixa. Tinha mudado imenso nesses doze anos; estava agora bastante mais pesado.

Sentámo-nos numa pastelaria e pusemo-nos à conversa. Soube então que ele também se tinha divorciado e, tal como eu, andava à procura de uma nova companheira. O tempo passou. Acabei por conhecer outra mulher e casámo-nos. Mais tarde, voltei a cruzar-me com o António, já com nova namorada. Mas sinceramente, não gostei dela. Era uma senhora muito corpulenta.

O que é que te atrai nela? perguntei-lhe.

O António sorriu e contou-me que ela era impecável a tratar da casa e uma cozinheira de mão cheia.

Além disso, dá-me uma paz de espírito incrível! Posso ver o futebol tranquilamente com a minha cerveja, sair com os amigos para um copo É a mulher perfeita. Nunca me diz que não a nada.

Fiquei surpreendido com aquela resposta. Para mim, uma mulher representa algo completamente diferente. Embora claro, seja importante ela saber cozinhar bem e manter a casa arrumada. Mas o essencial é o amor que partilhamos.

Para alguns, ter a casa limpa e uma boa refeição na mesa é o mais importante. Eu, pelo contrário, procuro que eu e a minha amada estejamos em sintonia, quase como se fôssemos um só. É importante haver respeito e compreensão mútuos. Gosto que um casal tenha coisas em comum por exemplo, cá em casa, muitas vezes cozinhamos e limpamos juntos.

Quando dois seguem em bicicleta na mesma direção, pedalando lado a lado, é muito mais provável chegarem bem ao destino.

Concordam comigo?

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Um amigo meu, com 42 anos, encontrou esposa: diz que ela é uma excelente empregada doméstica e uma cozinheira de mão-cheia, e que o resto não lhe importa.
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