Чуждата мъка: История за чужда болка в нашите сърца

Чуждо нещастие

Стоян Иванов се чувстваше зле още от сутринта. Главата му се въртеше странно, а в очите му понякога се появяваше мъгла. Разбира се, той се надяваше изобщо да не се събуди, но упоритото му тяло категорично отказваше да си тръгне. А Радка Радка вече го нямаше.

Той издихна тежко.

На опашката в супермаркета вече се бяха натрупали няколко души, а една жена бавише Стоян се раздразни.

Жената зряла, ухожена, дори красива стоеше съвсем спокойна. Дъщеря ѝ я беше помолила да купи соево мляко, затова и беше зашла. Лека усмивка с горчивина докосна хубавите ѝ устни. Не си лъжи, всъщност не ти се прибираше. Последно време у дома беше станало неудобно. Не че нямаше уют те бяха създали прекрасен интериор, спечелили пари, купили луксозен апартамент Но спряха да говорят. А преди винаги им беше весело с Божидар, като оная млада двойка зад нея, която си приказваше шепнешком

Пъстрият бунтар с нежна детска линия на врата прегръщаше своята половинка. Момичето беше хубаво, но беше изчернило всичко, до което можеше да достигне: черни нокти, черни коса, черни устни, избрисан слепоочие революционен протест, така да се каже. Но влюбеният не обръщаше внимание гледаше я безоткъснато, отчупваше ѝ парченца от пресния багет, а в очите му светеха звезди.

Каква глупост, помисли Стоян. Нито има хора в магазина, нито касиерки. Деловият чичко с папка, кисело мляко и кифлички беше последен на опашката и си ръмжеше нетърпеливо.

Всичко това Стоян забелязваше с някакво странично зрение стара военна навика. Разузнавач. Но ръцете му не го слушаха бъркаше се в коженият си портфейл, преброяваше монетите и не можеше да се съсредоточи.

Касиерката изкрещя срещу стария дървар Цял дент се разхождат, пъшкат, забавят хората!

Стоян побърза да си тръгне. Бог с него, с този хляб всеки ден по-скъп, някакъв пълнозърнест, на такива цени ще фалираш! Горчиво се усмихна.

С Радка живееха много скромно, дори бедно. Получаваха малка пенсия стари хора, издръжка. Но апартаментът им напоследък се разпадаше ту кран течеше, ту тръба се пукаше. Разходи. На него вече не му стигаха силите деветият десеток беше наближил. А Радка Радка не го дочака.

Стоян и Радка се запознаха по време на война

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Чуждата мъка: История за чужда болка в нашите сърца
Velhinho levanta-se com dificuldade da cama e, apoiando-se na parede, vai até ao quarto ao lado. À luz do candeeiro, olha com olhos cansados para a esposa deitada: «Não se mexe! Será que morreu? – ajoelha-se. – Parece que respira». Levanta-se e segue lentamente para a cozinha. Bebe um iogurte líquido, vai à casa de banho. Depois regressa ao seu quarto. Deita-se. Não consegue dormir: «Eu e a Lena já temos noventa anos. Tanto que vivemos! Já não falta muito para partirmos, e não há ninguém por perto. A nossa filha, a Natasha, morreu antes dos sessenta. O Maxim morreu na prisão. Temos uma neta, a Oxana, mas já vive na Alemanha há vinte anos. Nem se lembra dos avós. Se calhar, os filhos dela já são grandes». Adormece sem dar por isso. Acorda ao sentir um toque: – Kosti, estás vivo? – ouve-se uma voz baixinha. Abre os olhos. A esposa está inclinada sobre ele. – O que foi, Lena? – Olhei para ti e vi que não te mexias. Assustei-me, pensei que tinhas morrido. – Ainda estou vivo! Vai dormir! Ouvem-se passos arrastados. Clica o interruptor na cozinha. Elena Ivanovna bebes um copo de água, vai à casa de banho e dirige-se ao seu quarto. Deita-se na cama: «Um dia destes acordo e ele já faleceu. O que faço? Ou se calhar, morro eu primeiro. O Kosti já tratou do nosso funeral. Nunca pensei que se pudesse organizar o próprio funeral. Mas, de certa forma, é bom. Quem nos há de enterrar? A neta esqueceu-se de nós. Só a vizinha, a Paulina, é que vai lá a casa. Tem uma chave da nossa porta. O velhote dá-lhe dez mil euros da nossa reforma. Ela compra tudo – comida e medicamentos. Para que queremos dinheiro? E do quarto andar já não descemos sozinhos». Konstantin Leonidovitch abre os olhos. O sol espreita pela janela. Vai até à varanda. Vê a copa verde da cerejeira. Sorri: «Até ao verão chegámos!» Vai ver a esposa. Ela está sentada na cama, pensativa. – Lena, chega de tristezas! Anda cá que quero mostrar-te uma coisa. – Ai, nem forças tenho! – a velhota levanta-se lentamente. – O que é que estás a inventar agora? – Anda, anda! Segura-lhe nos ombros e leva-a à varanda. – Olha, já está tudo verde! E tu dizias que não íamos chegar ao verão. Chegámos! – Olha, pois é! E o sol já brilha. Sentam-se no banquinho na varanda. – Lembras-te quando te convidei para ir ao cinema? Ainda na escola. Nesse dia também a cerejeira ficou verde. – Como poderia esquecer? Quantos anos passaram? – Setenta e tal… Setenta e cinco. Ficam sentados a recordar a juventude. Muito se esquece na velhice, até o que se fez ontem, mas a juventude nunca se esquece. – Ai, já estamos aqui a conversar há muito! – abana-se a esposa. – Ainda nem tomámos o pequeno-almoço. – Lena, faz um chá bom! Já farto dessa infusão de ervas. – Mas não podemos. – Faz mais fraquinho e põe só uma colherzinha de açúcar. Konstantin Leonidovitch bebe o chá pouco forte, acompanhando com uma sandes de queijo. Lembra-se dos tempos em que ao pequeno-almoço tomavam chá forte e doce, com bolos ou pastéis. A vizinha entra e sorri: – Como é que estão hoje? – Que assuntos pode ter quem tem noventa anos? – brinca o avô. – Bem, se brinca, é porque está tudo bem. Querem que compre alguma coisa? – Paulina, traz carne! – pede Konstantin. – Mas não vos faz bem. – De frango pode ser. – Pronto, eu compro. Faço uma canja para o almoço! – Paulina, compra qualquer coisa para o coração, – pede a velhota. – Dona Elena, ainda há pouco comprei. – Já acabou. – Querem que chame o médico? – Não é preciso. A vizinha arruma, lava a loiça. E sai. – Lena, vamos para a varanda, – propõe o marido. – Ao menos estamos ao sol. – Vamos! Estar aqui fechados é que não. A vizinha regressa. Vai à varanda: – A sentir falta do sol, não é? – É tão bom aqui, Paulina! – sorri Elena Ivanovna. – Já vos trago a papa. E vou já pôr a canja ao lume. – Que boa mulher, – comentam depois. – O que era de nós sem ela? – E tu só lhe dás dez mil por mês. – Lena, pois é, mas deixámos-lhe a casa, tudo no notário. – Ela nem sabe disso. Ficam na varanda até à hora do almoço. Almoçam canja de galinha, bem saborosa, com carne picadinha e batata esmagada. – Sempre fiz assim para a Natasha e o Maxim quando eram pequenos, – lembra-se Elena Ivanovna. – Agora, na velhice, são outros que cozinham por nós, – suspira o marido. – Kosti, é o nosso destino. Morremos os dois e ninguém vai chorar por nós. – Chega, Lena, não fiquemos tristes. Vamos dormir um bocadinho! – Dizem que “velho é como criança”. Temos tudo igual: sopa passada, sesta, lanche. Konstantin descansa, mas não consegue dormir muito. Sente-se estranho. Vai à cozinha. Dois copos de sumo preparados pela Paulina estão sobre a mesa. Traz os dois copos e cuidadosamente entra no quarto da esposa, que observa a janela, pensativa: – O que foi, Lena? Estás triste? – sorri. – Bebe um sumo! Ela bebe um gole: – Também não consegues dormir? – É o tempo, a tensão não ajuda. – Eu desde manhã não me sinto bem, – diz Elena Ivanovna, resignada. – Sinto que não me resta muito nesta vida. Dá-me um enterro bonito. – Lena, não digas disparates. Como vou viver sem ti? – Um de nós há de ir primeiro. – Basta! Vamos para a varanda! Ficam ali até ao entardecer. Paulina faz queijo fresco. Comem e sentam-se a ver televisão, como todas as noites. Os filmes novos já não compreendem muito, gostam de rever as comédias e desenhos animados antigos. Hoje só viram um. Elena Ivanovna levanta-se do sofá: – Vou dormir. Já estou cansada. – Também vou. – Deixa-me olhar bem para ti! – pede-lhe a esposa de repente. – Porquê? – Só quero olhar. Ficam muito tempo a olhar um para o outro, talvez a recordar quando eram jovens. – Deixa-me acompanhar-te até à cama. Elena Ivanovna dá o braço ao marido e vão devagar. Ele cobre-a cuidadosamente e regressa ao seu quarto. Sente um peso enorme no coração. Custa-lhe a adormecer. Julga não ter dormido, mas o relógio marca duas da manhã. Vai ao quarto da esposa. Ela está de olhos abertos, a olhar o teto: – Lena! Toca-lhe na mão – está fria. – Lena, que se passa! Le-e-e-na! De repente, também lhe falta o ar. Vai à sua sala, tira os documentos preparados, põe-nos na mesa. Volta ao quarto da mulher. Fica longo tempo a olhar-lhe o rosto. Depois deita-se ao lado dela e fecha os olhos. Vê a sua Lena, jovem e bonita, como há setenta e cinco anos. Caminha para onde há luz ao fundo. Corre até ela, apanha-lhe a mão… De manhã, Paulina entra no quarto. Estão deitados lado a lado, com o mesmo sorriso feliz nos rostos. Mal recomposta, a vizinha liga para o INEM. O médico observa-os e balança a cabeça, surpreendido: – Morreram juntos. Devem ter-se amado muito. Levam-nos. Paulina senta-se exausta à mesa. E ali vê o contrato do funeral e… o testamento em seu nome. Enterra o rosto nas mãos – e chora.