Subi à escada para podar os ramos secos da árvore, mas o meu cão começou de repente a ladrar insistentemente e a puxar-me pelas calças para eu descer: inicialmente achei que ele estava simplesmente doido ou a brincar e que podia até acabar por me fazer cair da escada 😱😢

Eu subia a escada para cortar os ramos secos da macieira, quando o meu cão, Gaspar, começou de repente a ladrar com força e a puxar-me as calças para me fazer descer. Ao início, achei mesmo que ele tinha enlouquecido ou estava a fazer uma brincadeira parva e que, sem querer, ainda me ia fazer cair da escada

Bem tentei afastá-lo, e até me zanguei com ele, mas, poucos segundos depois, aconteceu algo completamente imprevisível.

Já estava a meio da escada, com a tesoura de poda esticada, pronta para cortar aqueles ramos secos e retorcidos da velha macieira no quintal da casa em Óbidos. Desde cedo que o dia estava estranho. O céu tapado de nuvens densas, o ar parado, húmido, como se anunciasse uma tempestade. Sentia no peito que o clima ia virar, mas mesmo assim insisti em terminar aquele serviçoesses ramos andavam a pedir para serem cortados há semanas.

De manhã, ajeitei a escada contra o tronco, bem encostada e conferi, mais do que uma vez, se estava segura. Subi alguns degraus e ia já para a primeira poda, quando senti um puxão forte nas calças, por trás.

Virei-me, surpreendida, e ali estava o Gaspar, atrapalhado a tentar trepar a escada atrás de mim. As patas escorregavam nos degraus de alumínio, as unhas tilintavam nervosamente e ele, de olhos enormes, não desviava o olhar de mim.

Oh Gaspar, mas que disparate é este? disse-lhe, a rir nervosa Vai brincar para o jardim, vá.

Acenei com a mão a ver se ele percebia, mas o Gaspar não arredou pé, antes subiu mais um pouco, agarrou-se com as patas e, de repente, cravou-me o tecido das calças com os dentes.

Começou a puxar. Forte.

Virei-me de chofre, quase perdendo o equilíbrio.

Gaspar, estás maluco? Larga! gritei, zangada.

Mas ele não largava. Puxava-me para baixo, apoiado nos quartos traseiros, e ladrava desesperado, como se a cada instante quisesse avisar-me de algo.

No início, enervei-me mesmo, mas passado um momento percebi que aquilo não era brincadeira nenhuma. Ele nunca tinha feito tal coisa. Havia nos olhos dele um alarme real.

Como se tentasse dar-me um recado que eu não entendia.

Ainda quis subir mais, mas o Gaspar puxou as minhas calças com tal força que acabei por agarrar a escada com ambas as mãos, num reflexo.

Suspirei, irritada, e comecei a descer.

Pronto, chega, resmunguei por entre dentes Se não te acalmas, vais para dentro do canil.

O Gaspar baixou o focinho, culpado, mas levei-o mesmo até ao cercado e fechei bem a porta. Queria despachar-me, antes que começasse a chover.

Mas foi exatamente naquele momento que tudo aconteceu, deixando-me petrificada e, de repente, fez todo o sentido o comportamento estranho do Gaspar

Voltei à escada, pisei o primeiro degrau, e ouvi um estalo sinistro por cima da minha cabeça.

O som foi seco e alto, igual ao de um galho a rachar. Olhei, assustada. Vi então uma das grandes ramas secas desprender-se da árvore velha.

Caiu a pique, mesmo onde segundos antes estava a minha cabeça. Estatelou-se no chão, partindo-se em estilhaços, a centímetros de mim.

Senti imediatamente as pernas fraquejarem. Fiquei ali, sem reação, encarando os pedaços do ramo partido, com o coração a martelar-me nos ouvidos.

Só aí percebi. O Gaspar não queria brincar nem me aborrecer. Ele estava a tentar salvar-me.

Tinha pressentido o perigo antes de mim. Talvez tivesse ouvido um ranger estranho dentro da madeira ou sentido a força do vento a empurrar. Olhei devagar para o cercado.

Gaspar estava por trás da rede, atento. Os olhos calmos, a cauda mexendo-se de leve, esperando por um sinal meu.

Aproximei-me, abri a porta, e ajoelhei-me junto a ele. De imediato, encostou-se ao meu peito.

Abracei-o ao pescoço e sussurrei-lhe, emocionada:

Salvaste-me a vida, Gaspar.

A partir daquele dia, nunca mais ignorei o instinto do meu amigo.

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Subi à escada para podar os ramos secos da árvore, mas o meu cão começou de repente a ladrar insistentemente e a puxar-me pelas calças para eu descer: inicialmente achei que ele estava simplesmente doido ou a brincar e que podia até acabar por me fazer cair da escada 😱😢
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