Divórcio por Causa da Vizinha: Por Que Trocar Uma Esposa de Vinte Anos por Uma Divorciada do Prédio ao Lado? — Explica-me só, porquê? De todas as mulheres de Portugal, porquê ela? De mim… e vais para ela, porquê? Carina perdia para a Inês em tudo. E ainda se o Valério dissesse algo do género: “Ela é divertida, mais leve, menos rígida, não tão melancólica como tu”. — Como é possível, Inês! Como é possível?! Vocês sempre viveram tão bem… — lamentavam a mãe, a irmã e as amigas da Inês ao saberem do divórcio iminente. — Vivemos — concordava Inês. — Mas já não vamos viver. — Inês, pensa bem, rapariga, antes de deixares um homem destes. Ele trabalha, adora os filhos, e nem sequer te quer largar… A partir desta frase, Inês punha toda a gente — nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp e, claro, na vida real — num bloqueio vitalício. Colegas de trabalho, até aquela com quem sempre se dava bem, agora só tinham direito a um aceno e um “olá” de circunstância ao cruzarem-se no corredor. E quando tentavam conversar como dantes, Inês não se coibia de responder torto, tanto pelos conselhos indesejados como quase a obrigarem a voltar para o marido traidor. Traidor mesmo! Inês ainda não fazia sentido da situação. Tinham uma vida normal! Vinte anos juntos, desde a faculdade, já não era um quilo — era uma tonelada de sal partilhado, como diz o ditado português sobre a vida a dois. Passaram por tudo: miséria, desemprego, doenças dela, dele e das crianças… Duas crianças, um filho e uma filha, família completa. A casa sempre limpa, tudo pronto, a Inês nunca dizia que tinha dor de cabeça… Cuidava-se, nunca tratou o Valério como caixa multibanco, reservava tempo para ele e não o relegou ao segundo plano depois dos filhos… Então, o que é que ele queria mais que o levou, de um momento para o outro, a procurar outra? E logo quem! Ainda se fosse uma miúda, talvez desse para entender. Mas não — deixou-se levar por uma divorciada com um filho, mesmo do prédio ao lado. — Explica-me o que viste nela? — repetia Inês. Ria e chorava ao mesmo tempo quando a traição veio ao de cima e Valério teve de se explicar. Por que ela? Por quê? Carina não tinha nada que lhe ganhasse aos olhos da Inês. E mesmo se Valério tivesse dito que era pelo carácter da outra, ainda se percebia… Mas não! Nem isso soube justificar. Não foi uma aventura de copos, não estava bêbado — estava bem consciente. O máximo que balbuciava era um “simplesmente aconteceu” e depois suplicava de joelhos para voltar. Sim, para espanto da Carina, o plano do Valério não era divorciar-se da Inês e ir morar com a nova namorada. Pensava que dava para ter a sua “aventura” e voltar depois para o lar como se nada tivesse passado, sem nunca meter a Carina no baralho. E até talvez resultasse se a paixão não tivesse engravidado — e decidido que estava na hora de arranjar marido para o novo bebé (e para o antigo também). A Carina foi lá a casa da Inês, feita furacão. Nem queria acreditar! Afinal, vinte anos com o homem, conhece-o como ninguém… Mas a Carina ainda sabia mais — onde eram as marcas de nascença, a forma da cicatriz que ele tinha nas costas, aquelas coisas que só se sabe depois de ver a pessoa sem roupa. Ou seja, houve mesmo caso. E encostado à parede, o Valério não teve como negar. E qual não é o espanto da Inês quando vê algumas conhecidas — nem eram amigas próximas — todas a apoiar o Valério! Colegas, amigas antigas, primos afastados… Todos, de repente, convencidos de que a Inês devia aguentar, perdoar e continuar a amar o Valério, como se nada tivesse acontecido. Se a sogra tentava “salvar a família”, ainda se percebia. O filho não queria o divórcio, ela fazia de tudo para manter a família unida. Chegou até a pedir aos netos que falassem com a mãe para não se divorciarem. Feio? É. Mas percebe-se. Agora e os outros, porque se metem? Estilo balde de caranguejos: “Estamos todos metidos na mesma vida de miséria, tu não vais sair!” O que mais pode ser? Inês não sabia. Mas continuar aquilo, não ia. Uma coisa aprendeu com o pai, já falecido: — Filha, se te chamam egoísta e dizem que tens de aguentar, ceder, perdoar só porque “é tradição” ou porque algum santo mandou, não acredites. Só querem aproveitar-se de ti. Inês nunca deixou, nem os filhos — tanto que a sogra exigiu que desbloqueassem a avó no Facebook e falassem com ela. — Farta dela, mãe — explicou Kátia à mesa de jantar. O irmão andava em casa da namorada, era a filha a dar a resposta. — É sempre a mesma lenga-lenga: “lutem para juntar os pais, tudo será melhor se a mãe e o pai ficarem juntos”. Já expliquei uma, duas vezes, mas ela não ouve. — Obrigada — disse-lhe Inês no jantar. — Sei que não é fácil o que está a acontecer, e agradeço por não caíres nos jogos da avó. — Ó mãe, não sou burra — suspirou Kátia. — Sei bem o que o pai fez. Se se tivessem zangado por motivos normais, ainda dava para consertar. Mas traição… só gente sem amor-próprio é que perdoa. E ele sabia — mas mesmo assim foi atrás da Carina. Mãe, gosto dele, vai ser sempre meu pai, mas… Em que estava ele a pensar? E a avó agora? A Inês não tinha resposta. E pensava que podia sempre responder a tudo. Agora, nem isso. Como explicar quando o homem, durante vinte anos, sempre foi o bom marido e pai — e, de repente, faz isto? Pois é, o que devia estar nos costados, ou na cabeça, ou nos diminutivos fofinhos que a Carina usava para o Valério, não se percebe. E de mostrar à família quem realmente era, escolheu a forma mais estranha. E tudo aconteceu cinco anos depois do divórcio…

Divórcio por causa da vizinha

Oh pá, explica-me só uma coisa: de todas as mulheres do mundo, foste logo escolher aquela? Sair de casa, de mim e ir ter com ela, consegues explicar?

Olha, a Carina perdia para mim em tudo. E ainda vá lá que o Valter dissesse: Ah, ela é divertida, mais leve, menos rígida, não é tão chata como tu. Mas nem isso disse.

– Como foi possível, Maria? Como é que tu deixaste isto acontecer? Vocês até pareciam tão bem – lamentava-se a minha mãe, a minha irmã, as amigas todas, mal souberam que eu ia me divorciar.

– Estávamos, pois – respondia eu. Mas não vamos estar mais.

– Maria, pensa lá bem, trinta vezes se for preciso, antes de deixares fugir um homem destes. Ele trabalha, adora os miúdos, e nem sequer quer o divórcio

Depois deste tipo de discurso, confesso-te que comecei a enviar essas pessoas diretamente para o bloqueio eterno tanto nas redes sociais como na vida real. Farta mesmo.

Sabes a Carla, a colega do trabalho com quem eu até me dava bem? Agora só lhe aceno com um olá de circunstância no corredor.

E quando tentou falar comigo, fiz questão de lhe dizer tudo: desde os conselhos não pedidos até ao quase empurrãozinho que me deu para voltar para aquele marido traidor.

Sim, traidor! Eu ainda hoje, passados meses, nem acredito nesta história.

Tanta coisa vivida juntos! Vinte anos, imagina Desde a faculdade já nem era um quilo, era uma tonelada de sal a que sobrevivemos juntos, como diz o ditado.

Vivemos de tudo: falta de dinheiro, desemprego, problemas de saúde meus, dele, das crianças.

Tenho dois filhos, um rapaz e uma rapariga, a família certinha como manda o figurino. A casa sempre arrumada, jantar feito, e dores de cabeça nunca tive para me safar.

Cuidava de mim, nunca vi o Valter só como um multibanco com pernas, arranjava sempre tempo para ele, mesmo depois das crianças nascerem.

Então, o que é que ele foi lá buscar, diz-me tu! O que é que leva um homem a decidir ir passear para o lado?

E pior, com quem! Numa miúda nova ainda aceito que me chocasse menos. Mas não: foi-se meter com uma divorciada, mãe de um miúdo, do prédio ali ao lado.

– Mas diz-me lá, que raio viste tu nela?

Olha, no dia em que a traição saltou cá para fora e o Valter teve de admitir tudo, ora dava-me para rir, ora para chorar.

– Oh Valter, explica-me de uma vez: de todas as mulheres, foste logo escolher essa? Trocar-me, logo a mim, por ela?

A Carina sinceramente, não tinha nada de especial. E ainda se o Valter tivesse dito algum disparate como ela diverte-se mais que tu ou é mais maluca, vá que não vá.

Mas nem isso. Nem ele conseguiu explicar. Não foi bebedeira, não foi nada disso. Só lhe saía um aconteceu, nem sei bem porquê, e depois a pedir-me de joelhos para voltar para casa.

E acredita que, para ele, nunca esteve nos planos separar-se de mim e ir viver com a Carina. Ele achava que isto ia ser do género: porta das traseiras, dá uns amassos e depois volta para casa como se nada fosse, deitar-se na minha cama e fingir que não tinha ninguém no lado.

E se calhar até conseguia, não fosse a Carina ter engravidado com a brincadeira, e decidir que, para este filho (e já agora para o outro também), era melhor o Valter passar a ser o pai oficial. Queria levá-lo ao registo civil à força toda.

Foi ter lá a casa com um escândalo daqueles. Juro-te: eu nem acreditei! Afinal, são vinte anos e conheço o homem de olhos fechados. Ou, pensava eu.

Mas a Carina também conhecia. Sabia onde tinha as marcas de nascença, que cicatriz tinha nas costas Só quem o viu despido é que podia saber. Pronto, não havia volta a dar.

Nisto, até os conhecidos do Valter começaram, do nada, a tomar o partido dele colegas de trabalho, conhecidas, aqueles primos afastados tudo a dizer que eu devia era perdoar, ficar com ele, fingir que não se passou nada.

Isto eu não conseguia engolir.

A sogra entendia-se queria salvar a família, proteger o filho, ajudar-lhe a limpar o disparate. Ao ponto de fazer chantagem emocional aos netos: digam à vossa mãe para não se divorciar do vosso pai.

Feio e manipulação, mas pronto, percebe-se o porquê.

Agora, os outros, porquê? Era aquele velho balde de caranguejos se eles estavam a ferver na lama, queriam que eu ficasse na mesma.

Mas comigo não pegava. Felizmente, o meu falecido pai ensinou-me uma lição cedo na vida. Dizia-me muitas vezes:

– Ó filha, se alguém te chama egoísta porque não queres levar a cruz deles, partilhar o que é teu, ou perdoar só porque a tradição ou qualquer santo diz Não acredites. Só querem usar-te para resolver problemas deles.

Si fizessem chantagem desse género, eu já sabia ao que vinham. E manipulações comigo, não.

Mesmo os miúdos, quando lhes foi pedida aquela coisa absurda de desbloquearem a avó no WhatsApp, já sabiam responder. O Victor, meu filho, estava na casa da namorada nessa noite. Então foi a miúda, a Constança, quem me explicou à mesa:

– Oh mãe, só fala em juntar a família, em como devias ficar com o pai uma e outra vez, sem parar. Já lhe disse duas vezes que isso é entre vocês, mas ela não percebe. Então bloqueei, até mudar a música de avó.

– Obrigada, filha. Eu sei que isto não te deve estar a saber nada bem E agradeço que não alinhes nesse jogo, nem cedas à pressão da tua avó.

– Eu não sou burra mãe, – suspirou a Kika (como lhe chamamos em casa). Eu vi bem o que o pai fez. Se se tivessem zangado por causa de férias ou cortinas, vá que não vá. Agora traição, mãe? Pessoas normais não perdoam traição. E o pai sabia disso.

E o que é que ele esperava? E a avó, agora, o que é que espera de mim?

Nem eu sabia responder. E a verdade é que até há um mês, achava que conseguia responder a tudo o que a Constança me perguntasse.

Agora nem eu sei de onde veio tudo isto. Como é que se aceita que alguém, durante vinte anos, é um exemplo de marido e pai, e de repente, parece que perdeu a cabeça? Sério, será que é aquela história do diabo no corpo quando chegam aos cinquenta?

Olha, o Valter afinal tinha muito bicho dentro dele, ou no corpo, ou na cabeça, ou sabe-se lá onde.

E sabes o que ele fez uns cinco anos depois do divórcio? Apareceu outra

Mas essa, conto-te depois.

Оцініть статтю
Додати коментар

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

nine + twenty =

Divórcio por Causa da Vizinha: Por Que Trocar Uma Esposa de Vinte Anos por Uma Divorciada do Prédio ao Lado? — Explica-me só, porquê? De todas as mulheres de Portugal, porquê ela? De mim… e vais para ela, porquê? Carina perdia para a Inês em tudo. E ainda se o Valério dissesse algo do género: “Ela é divertida, mais leve, menos rígida, não tão melancólica como tu”. — Como é possível, Inês! Como é possível?! Vocês sempre viveram tão bem… — lamentavam a mãe, a irmã e as amigas da Inês ao saberem do divórcio iminente. — Vivemos — concordava Inês. — Mas já não vamos viver. — Inês, pensa bem, rapariga, antes de deixares um homem destes. Ele trabalha, adora os filhos, e nem sequer te quer largar… A partir desta frase, Inês punha toda a gente — nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp e, claro, na vida real — num bloqueio vitalício. Colegas de trabalho, até aquela com quem sempre se dava bem, agora só tinham direito a um aceno e um “olá” de circunstância ao cruzarem-se no corredor. E quando tentavam conversar como dantes, Inês não se coibia de responder torto, tanto pelos conselhos indesejados como quase a obrigarem a voltar para o marido traidor. Traidor mesmo! Inês ainda não fazia sentido da situação. Tinham uma vida normal! Vinte anos juntos, desde a faculdade, já não era um quilo — era uma tonelada de sal partilhado, como diz o ditado português sobre a vida a dois. Passaram por tudo: miséria, desemprego, doenças dela, dele e das crianças… Duas crianças, um filho e uma filha, família completa. A casa sempre limpa, tudo pronto, a Inês nunca dizia que tinha dor de cabeça… Cuidava-se, nunca tratou o Valério como caixa multibanco, reservava tempo para ele e não o relegou ao segundo plano depois dos filhos… Então, o que é que ele queria mais que o levou, de um momento para o outro, a procurar outra? E logo quem! Ainda se fosse uma miúda, talvez desse para entender. Mas não — deixou-se levar por uma divorciada com um filho, mesmo do prédio ao lado. — Explica-me o que viste nela? — repetia Inês. Ria e chorava ao mesmo tempo quando a traição veio ao de cima e Valério teve de se explicar. Por que ela? Por quê? Carina não tinha nada que lhe ganhasse aos olhos da Inês. E mesmo se Valério tivesse dito que era pelo carácter da outra, ainda se percebia… Mas não! Nem isso soube justificar. Não foi uma aventura de copos, não estava bêbado — estava bem consciente. O máximo que balbuciava era um “simplesmente aconteceu” e depois suplicava de joelhos para voltar. Sim, para espanto da Carina, o plano do Valério não era divorciar-se da Inês e ir morar com a nova namorada. Pensava que dava para ter a sua “aventura” e voltar depois para o lar como se nada tivesse passado, sem nunca meter a Carina no baralho. E até talvez resultasse se a paixão não tivesse engravidado — e decidido que estava na hora de arranjar marido para o novo bebé (e para o antigo também). A Carina foi lá a casa da Inês, feita furacão. Nem queria acreditar! Afinal, vinte anos com o homem, conhece-o como ninguém… Mas a Carina ainda sabia mais — onde eram as marcas de nascença, a forma da cicatriz que ele tinha nas costas, aquelas coisas que só se sabe depois de ver a pessoa sem roupa. Ou seja, houve mesmo caso. E encostado à parede, o Valério não teve como negar. E qual não é o espanto da Inês quando vê algumas conhecidas — nem eram amigas próximas — todas a apoiar o Valério! Colegas, amigas antigas, primos afastados… Todos, de repente, convencidos de que a Inês devia aguentar, perdoar e continuar a amar o Valério, como se nada tivesse acontecido. Se a sogra tentava “salvar a família”, ainda se percebia. O filho não queria o divórcio, ela fazia de tudo para manter a família unida. Chegou até a pedir aos netos que falassem com a mãe para não se divorciarem. Feio? É. Mas percebe-se. Agora e os outros, porque se metem? Estilo balde de caranguejos: “Estamos todos metidos na mesma vida de miséria, tu não vais sair!” O que mais pode ser? Inês não sabia. Mas continuar aquilo, não ia. Uma coisa aprendeu com o pai, já falecido: — Filha, se te chamam egoísta e dizem que tens de aguentar, ceder, perdoar só porque “é tradição” ou porque algum santo mandou, não acredites. Só querem aproveitar-se de ti. Inês nunca deixou, nem os filhos — tanto que a sogra exigiu que desbloqueassem a avó no Facebook e falassem com ela. — Farta dela, mãe — explicou Kátia à mesa de jantar. O irmão andava em casa da namorada, era a filha a dar a resposta. — É sempre a mesma lenga-lenga: “lutem para juntar os pais, tudo será melhor se a mãe e o pai ficarem juntos”. Já expliquei uma, duas vezes, mas ela não ouve. — Obrigada — disse-lhe Inês no jantar. — Sei que não é fácil o que está a acontecer, e agradeço por não caíres nos jogos da avó. — Ó mãe, não sou burra — suspirou Kátia. — Sei bem o que o pai fez. Se se tivessem zangado por motivos normais, ainda dava para consertar. Mas traição… só gente sem amor-próprio é que perdoa. E ele sabia — mas mesmo assim foi atrás da Carina. Mãe, gosto dele, vai ser sempre meu pai, mas… Em que estava ele a pensar? E a avó agora? A Inês não tinha resposta. E pensava que podia sempre responder a tudo. Agora, nem isso. Como explicar quando o homem, durante vinte anos, sempre foi o bom marido e pai — e, de repente, faz isto? Pois é, o que devia estar nos costados, ou na cabeça, ou nos diminutivos fofinhos que a Carina usava para o Valério, não se percebe. E de mostrar à família quem realmente era, escolheu a forma mais estranha. E tudo aconteceu cinco anos depois do divórcio…
Каква луда идея, мамо? История за осиновеното куче.