O pai recebeu uma mensagem codificada do filho e percebeu que precisava agir imediatamente

Hoje, enquanto escrevo no meu diário, penso tanto sobre a adolescência da minha filha, Beatriz. O cenário já se repetiu algumas vezes: a Bia saiu com os amigos para dar uma volta pelo centro de Lisboa. Como qualquer mãe preocupada, pego no telemóvel e ligo-lhe só para ter a certeza de que está tudo bem. Claro que, do outro lado, ela responde com aquele sim, mãe, estou bem, mas não me iludo sei que nem sempre as coisas são assim tão simples. Às vezes, mesmo com toda a nossa preocupação, acabamos por descobrir mais tarde que foi naquela noite que experimentou pela primeira vez uma imperial ou, pior ainda, algo que me assustaria de verdade.

Lembro-me de ouvir uma história parecida do nosso pároco, padre Gonçalo Mendes. Ele, que também cresceu no seio de uma família muito devota no Porto, sabia bem como é complicado ser adolescente e sentir aquela pressão vinda dos amigos. Apesar de o padre Gonçalo sempre ter tentado confiar no filho dele, o Francisco, queria garantir que ele sentisse liberdade suficiente para lhe pedir ajuda sempre que precisasse, sem sentir vergonha perante os colegas.

Foi então que o padre Gonçalo teve uma ideia brilhante: criar um pequeno código secreto, quase como um sinal de emergência. Assim, se o Francisco alguma vez ficasse numa situação desconfortável se estivesse numa festa onde se sentisse fora do lugar ou pressionado a fazer algo contra vontade bastava enviar um simples X pelo WhatsApp a qualquer membro da família: ao pai, à mãe, ou à irmã mais velha, Sofia.

A regra era clara quem recebesse a mensagem tinha de ligar àquele número passado poucos minutos. A conversa seria mais ou menos assim:

Olá, Francisco? Ouve, ficou tudo complicado por aqui. Precisas mesmo que te venha buscar já. Mas o que aconteceu? Explico-te tudo já, prepara-te que chego aí em cinco minutos.

Assim, o Francisco podia avisar os amigos: Aconteceu qualquer coisa em casa, tenho mesmo de ir. E ninguém desconfiava de nada. Para eles, o Francisco não estava a fugir ou a recusar-se a participar ele ia-se embora por motivos de família, e isso, entre adolescentes, tem sempre um ar de importância.

Este sistema simples ajudou a criar muita confiança entre pai e filho. E para mim, é uma inspiração. O mais difícil é mesmo isto não deixar os nossos filhos sozinhos nos momentos de aperto. Esta confiança, este pequeno acordo, vale mais do que mil euros. Construir uma relação próxima com a Bia, onde ela saiba distinguir o certo do errado, escolher o bem por vontade própria, é aquilo por que vale a pena continuar a tentar, todos os dias.

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O pai recebeu uma mensagem codificada do filho e percebeu que precisava agir imediatamente
Deu à luz gémeos pela quinta vez consecutiva. E mais uma vez, meninas, o Padre abençoou na sala de partos