A minha mãe dizia que o meu pai nunca precisou de mim, mas o desejo de o encontrar assombrou-me durante anos – até ao dia em que finalmente o consegui!

Olha, queria partilhar uma história muito pessoal contigo, daquelas que parece que só dizemos a alguém mesmo chegado. Sabes, a minha vida sempre foi marcada pela ausência do meu pai, e à medida que fui crescendo, aquela vontade de o encontrar e de perceber as razões por detrás de tudo só ficou mais forte. A minha mãe estava grávida quando ele a deixouimagina só, ficou completamente sozinha a enfrentar tudo o que é criar uma criança. Ela nem contou a ninguém da gravidez, só para não ter de lidar com fofocas e julgamentos do pessoal lá da terra. O meu pai? Em vez de assumir o papel dele, optou por fugir à responsabilidade.

Guardo com muito carinho todas as memórias da minha mãe, sempre tão trabalhadora, feita formiguinha, incansável a cuidar de mim. O amor dela via-se nas coisas boas que trazia para casa, nos mimos, nas sopas quentinhas, e naqueles beijinhos suaves na testa antes de apagar a luz do quarto. Com os anos, a minha curiosidade sobre quem seria afinal o meu pai foi crescendo, mas nunca tive coragem de abordar o assunto com a minha mãe, para não a magoar, percebes?

Depois de muitos anos sem notícias, decidi que tinha de o procurar. Um dia, mexendo nas coisas antigas da minha mãe, dei com uns papéis onde vinha o nome completo e até a morada dele. Fiquei ali a olhar, a pensar o que fazer. Tentei encontrar algo na internet, mas não deu em nada. O curioso é que acabei por conhecer nas redes uma rapariga, a Beatriznome mesmo português, sabes?que vivia em Lisboa, no mesmo bairro onde o meu pai morava.

Ela, super simpática, disse logo que me ajudava. Não pensei duas vezes, fui até ao endereço, coração a mil. Só que, azar dos azares, ele não estava, tinha ido de férias com a nova família dele. Mas a Beatriz não desistiuinsistiu, foi perguntar aos vizinhos e acabou mesmo por conseguir a confirmação de que ele vivia ali e que, entretanto, já tinha voltado a casa. Ela voltou a tentar contactá-lo por mim.

É aqui que a coisa ficou difícil. O meu pai recusou-se completamente a encontrar-se comigo. Mandou dizer que já tinha recomeçado a vida, que agora tinha uma nova família e não queria arriscar meter-se em complicações por alguém que, para ele, era um estranho, mesmo sendo seu filho de sangue. Custou-me tanto ouvir aquilo, senti mesmo um nó na garganta Comecei a perceber, pela primeira vez, tudo aquilo que a minha mãe dizia.

Olhando para trás, já vejo que talvez tenha cometido um erro ao ter ido atrás dele sem pensar nas consequências. Ter sido rejeitado assim só aumentou ainda mais o vazio que senti a vida toda. Mas sabes que mais? Acho que está na hora de aceitar a verdade e de dar valor àquilo que sempre tive: o amor incondicional e o apoio da minha mãe, a mulher mais extraordinária que conheço. Acho que isso é o que realmente importa, não achas?

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A minha mãe dizia que o meu pai nunca precisou de mim, mas o desejo de o encontrar assombrou-me durante anos – até ao dia em que finalmente o consegui!
O meu pai abandonou-nos, deixando a minha mãe afogada em dívidas. Desde então, perdi o direito a uma infância feliz.