«Não choro por mulheres» — escreveu um homem (52 anos). Em resposta, fui ao encontro sem saltos altos e maquilhagem.

Já trocávamos mensagens há umas duas semanas. O Pedro era daquelas pessoas raras com quem é fácil conversar. Nenhum duplo sentido, nenhuma tentativa de se mostrar melhor do que é. Homem de cinquenta e dois anos, divorciado, dois filhos adultos, trabalha na construção civil. Sério, com sentido de humor, culto. Quando ele sugeriu encontrarmo-nos, aceitei sem hesitar.

Depois veio aquela mensagem: «Olha, vamos já combinar — eu não pago por mulheres em encontros. É um princípio meu, espero que leves na boa.»

Sabem, eu realmente levei na boa. Mais ainda — respeito a honestidade. É muito melhor saber disso antes do que estar depois num restaurante a pensar quem deve o quê a quem. Respondi: «Ok, sem problema. Então vemo-nos no sábado.»

Mas depois comecei a pensar.

Na manhã de sábado levantei-me mais cedo do que o habitual. Tenho quarenta e seis anos e sei bem quanto tempo preciso para parecer «apresentável». Por hábito, abri o armário, tirei o vestido preto — aquele que nunca falha e disfarça todas as imperfeições. Depois olhei para a prateleira da maquilhagem. Base com efeito lifting, corretor para olheiras, paleta de sombras, rímel, batom, corretivo… O kit normal para um encontro na minha idade.

E ali, bateu-me a ficha.

Para quê?

Se construímos uma relação de igual para igual, se cada um paga o seu, se ninguém deve nada a ninguém — porque é que hei de perder duas horas a preparar-me? Porque é que hei de parecer uma revista, quando o Pedro, muito provavelmente, vai aparecer de jeans e camisola, tendo gasto uns quinze minutos a arranjar-se?

Decidi fazer uma experiência. Honesta e até ao fim.

Vesti os meus jeans favoritos, uma camisola cinzenta macia onde me sinto eu mesma. Prendi o cabelo num rabo de cavalo simples — como uso em casa. Nada de maquilhagem. Nada de saltos. Apenas eu. A mais verdadeira, sem filtros nem cenários.

Quando me olhei ao espelho, foi estranho. Não mau — estranho. Estou habituada a ver-me «preparada» antes de sair. E ali olho e vejo uma rapariga normal que vai encontrar um amigo. Ou ir às compras.

«Pronto», pensei, «vamos ver no que dá.»

O Pedro já estava sentado à mesa quando entrei. Viu-me, acenou, sorriu. Sentei-me, cumprimentámo-nos com um abraço de conhecidos. Tudo normal.

Nos primeiros vinte minutos só conversámos. Falámos do tempo, de uma nova série, da última caminhada dele. Ele contava bem, com humor. Até pensei que me tinha preocupado à toa — a noite estava a correr bem.

Depois ele calou-se a meio de uma frase. Olhou para mim com um ar avaliativo. E perguntou:

— Olha, tu… assim… não te preparaste muito para o encontro, pois não?

Não percebi logo.

— Como assim?

— Bom, nas fotos eras tão… vistosa. Arrumada. Lembras-te, mandaste aquelas fotos? Vestido vermelho, maquilhagem. E agora… — hesitou. — Agora parece que saíste assim, à toa, para ir ao supermercado.

Aí sorri. Porque percebi que a experiência tinha funcionado exatamente como previa.

— Pedro — comecei calma —, lembras-te do que me escreveste sobre pagar a conta?

Ele acenou, um pouco tenso.

— Lembro. E então?

— Então tu propuseste igualdade. Cada um paga o seu, certo? Sem obrigações, sem papéis, sem expectativas. Tu és um homem independente, eu sou uma mulher independente.

— Pois — concordou. — E qual é o problema?

— Não há problema. Só pensei: se estamos em pé de igualdade, porque é que a igualdade só se aplica ao dinheiro? Tu vieste de jeans normais, camisola, sem grande preparação — como te sentes confortável. E eu vim exatamente igual. Não é justo?

O Pedro abriu a boca, fechou. Abriu outra vez.

— Mas isso… são coisas diferentes — começou, hesitante.

— Porquê diferentes? — inclinei-me para a frente, curiosa. — Explica-me.

Ele tentou. Palavra de honra, tentou explicar. Coisas sobre tradições, sobre a natureza feminina, que as mulheres gostam de se arranjar. Eu ouvia e acenava.

— Olha — disse eu.

Cabelo bonito. Pele tratada. Unhas feitas. Depilação. Maquilhagem. Roupa. Sapatos. E ainda o tempo, a energia e o dinheiro.

Falam da beleza natural aqueles que nunca somaram o custo de «manter um aspeto cuidado».

O Pedro ficou calado.

— Percebes o que quero dizer? — continuei. — Quando um homem diz «sou a favor da igualdade», muitas vezes quer dizer: «Não quero pagar o jantar». Mas ainda assim espera ver à sua frente uma mulher arranjada, bonita, vistosa. Só que agora pedem-lhe que faça isso de graça. Por conta dela. Em tempo, dinheiro e esforço.

— Mas… — ele tentou de novo. — Vocês gostam disso, não gostam? As mulheres adoram arranjar-se.

Ris-me. Não com maldade — com sinceridade.

— Pedro, gosto de me sentir bonita. Mas sabes do que gosto ainda mais? De me sentir eu mesma. Dormir uma hora extra em vez de fazer penteados. Não me preocupar se o rímel escorreu ou se a unha partiu. Usar sapatos confortáveis, não bonitos.

Ele olhou para mim como se eu falasse outra língua.

Ainda ficámos uns quarenta minutos. Falámos de trabalho, de planos para o verão. Mas a atmosfera mudou. Ele parecia perdido, eu pensativa.

Quando chegou a hora de ir embora, dividimos a conta ao meio. Ele pagou a salada e o café dele, eu paguei os meus. Tudo certinho. Tudo igual.

Despedimo-nos educadamente. Ele até disse que foi um prazer conhecer-me. Respondi o mesmo.

Nunca mais trocámos mensagens.

Sabem o que é mais interessante? Não me arrependo da experiência. Pelo contrário — esclareceu muita coisa. Não só sobre o Pedro, mas sobre a sociedade em geral.

Vivemos num tempo estranho. Por um lado, toda a gente fala em igualdade, independência, parceria. Os homens querem ao lado uma mulher autossuficiente, que pague o seu e não exija apoio financeiro. E isso é normal — acredito mesmo nisso.

Mas o que não é normal: as exigências sobre as mulheres continuam as mesmas. Mais ainda, aumentaram. Agora a mulher tem de parecer impecável, e ainda ganhar o mesmo que o homem. Fazer carreira, ser interessante, evoluir. E tudo isto parecendo uma modelo de capa.

E quando ela aparece num encontro sem maquilhagem, com roupa confortável, apenas viva e verdadeira — o homem estranha: «Então, não te preparaste?»

Depois daquela noite, pensei muito. Sobre o que é realmente a igualdade. Sobre se é justo o que chamamos de relações modernas.

E percebi o seguinte: igualdade não é quando ambos pagam a conta. É quando ambos investem o mesmo. Não necessariamente dinheiro — mas esforço, tempo, atenção, cuidado.

Se um homem não está disposto a pagar pela mulher — respeito essa escolha. A sério. Mas então ele não tem o direito de esperar que ela gaste duas horas a preparar-se para o encontro. Não tem o direito de ficar desapontado por ela ter vindo de jeans e ténis, em vez de vestido e saltos.

Se estamos em pé de igualdade — então é em tudo. Sem expectativas escondidas. Sem duplos padrões. Sem surpresa quando a mulher aparece tão simples e descontraída como o homem.

Não sou contra a igualdade. Sou a favor. Mas sejamos honestos: a igualdade não começa com o pagamento da conta no café. Começa com a honestidade connosco e com o outro.

Com a compreensão de que a beleza exige recursos. Que ter um aspeto cuidado é trabalho, tempo e dinheiro. Que se dizemos «cada um por si», isso aplica-se não só à carteira, mas também às expectativas.

Agora, passado algum tempo, vejo nas redes sociais pessoas a discutir este tema. Uns gritam: «O homem tem de pagar!» Outros respondem: «As mulheres são interesseiras!» Uns e outros têm razão — e ao mesmo tempo não têm.

Porque o essencial não é quem paga. O essencial é como construímos as relações. Com que valores. Com que honestidade.

O Pedro queria igualdade — e teve-a. A mais verdadeira, sem enfeites. Só que não era a igualdade que ele imaginava.

E vocês, o que acham — onde está o limite entre a justiça e o cuidado mútuo? Entre a independência e o afeto? Entre a igualdade no papel e a igualdade na vida?

Ainda procuro a resposta.

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«Não choro por mulheres» — escreveu um homem (52 anos). Em resposta, fui ao encontro sem saltos altos e maquilhagem.
Moja kamarátka mi neprispela ani centom na moju svadbu, no teraz ma pozýva na svoju vlastnú svadbu.