O meu irmão e a sua família queriam ficar hospedados em Lisboa à minha custa. Mas tratei de lhes mostrar, com antecedência, que isso não ia acontecer!

O meu irmão é seis anos mais velho do que eu. Casou-se há três anos e decidiu ir viver com a mulher dele, em vez de ficar com os nossos pais. Como as rendas em Lisboa eram altíssimas, não lhes restava outra solução viável. Eu já era casado há seis anos e tinha dois filhos: um rapaz de seis anos chamado Lourenço e uma menina de quatro anos, Matilde. A minha mulher é lisboeta e, por isso, vivemos aqui na capital. Ambos trabalhamos a tempo inteiro, o que nos permitiu comprar, com muito esforço e um crédito ao banco, um pequeno apartamento.
Há pouco tempo, os meus pais avisaram-me de que o meu irmão ia vir passar uma semana connosco, com a família, e que esperavam que eu os recebesse e lhes desse alojamento cá em casa. Fiquei contente de saber que ia rever o meu irmão depois de tanto tempo, mas simplesmente não era possível hospedá-los, pois a minha família já vive apertada num T1.
Fui buscá-los à estação do comboio e o dia correu bem, a passear por Lisboa e a pôr a conversa em dia. No jantar, os meus pais voltaram à carga, sugerindo que eu devia acolher o meu irmão, a mulher e o filho, visto que arrendar um quarto ou um apartamento aqui é caríssimo. Mas tive de ser honesto e explicar de novo que não tinha condições. Então, sugeri levá-los a um hotel, mas o meu irmão ficou logo aborrecido, a insistir que tinha mesmo de ficar em minha casa.
Procurei alternativas, propus hostels, apartamentos de amigos que estavam disponíveis, falei até de pensões em conta, mas rejeitaram tudo. Ficou claro que queriam mesmo era ficar à minha custa: cama e mesa garantidas sem pagar um cêntimo Mas não posso esquecer que também tenho a minha família e o nosso bem-estar tem de estar primeiro. Os meus filhos e a minha mulher precisam de condições, descanso e espaço. Sinto que, por mais que custe dizer não à família, não sou obrigado a alojar ninguém, só porque sim. E é assim, entre família, responsabilidades e as exigências da vida em Lisboa, que por vezes somos obrigados a dizer que não, por mais que gostássemos de abrir a porta a todos.

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O meu irmão e a sua família queriam ficar hospedados em Lisboa à minha custa. Mas tratei de lhes mostrar, com antecedência, que isso não ia acontecer!
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