À medida que a idade chega, a preguiça para tomar banho parece crescer junto com as rugas…
Esta é uma história que escuto frequentemente enquanto espero na pastelaria pelo meu café e bola de Berlim.
Não costumo discordar, apenas conto com um sorriso maroto.
De facto, envelhecer exige esforço extra até para coisas básicas: sair da cama sem barulho de ossos, atacar mais uma ronda de escovadela de dentes, preparar um pequeno-almoço digno e pôr as meias certas. E, claro, lavar a roupa. Somos mestres da preguiça, mas não é por falta de talento é mesmo porque não apetece.
Contudo, existem normas e regras que não desaparecem mesmo se fingirmos que não as vemos. Não podemos simplesmente ignorar o banho, a escovagem dos dentes, a lavagem da cara ou das roupas. Porquê? Porque vivemos numa sociedade que não aprecia aromas naturais de três semanas de maratona.
Não é preciso ter a última tendência da moda em cima. Importa é que a roupa esteja limpa, sem cheirinho a festival do suor, sem aquela aura suspeita de quem não larga o casaco há duas luas. Podemos ter cabelos brancos, que afinal gastar a reforma em tintas é um exagero. Só que um shampoo barato resolve muito. Por isso, sim, o cabelo merece ser lavado. O mesmo vale para a cara. No fundo, maquilhagem não é recomendada depois dos setenta mas uma lavadela é sempre bem-vinda, não é?
Nas mãos, um creme hidratante do supermercado resolve. Debaixo dos braços, o desodorizante mais económico faz milagres. Nos sapatos, bicabornato e fé: é o santo que tira maus cheiros, incomparável. E, se o corpo decidir mandar aromas desagradáveis, há sempre essa maravilha da cozinha: é a solução das tias.
Pensando bem, não tem muito segredo. Adoramos justificar a preguiça e os aromas exóticos com os dramas da idade, da reforma ou da carteira vazia. Mas, para ser limpo, não é preciso um subsídio milionário em euros.
Por isso, seja qual for a idade, há que manter o mínimo de dignidade e respeito por nós próprios. É o conselho da Alzira, minha vizinha e, confesso, também meu.







