Maria e o marido adoram a sua casa na aldeia. Apesar de tudo, segundo Leonor, a sua nora, não há nada ali que mereça admiração. Falta-lhe comodidades modernas, tudo é feito ao ar livre, e o trabalho nas hortas e na estufa nunca termina. No entanto, Maria e o marido vivem lá desde abril até outubro. Se dependesse deles, passariam até o inverno na aldeia, mas isso exigiria investimentos grandes na casa. Seria mais sensato se fizessem férias numa estância balnear, opina Leonor.
Há cerca de cinco anos, Maria e o marido pediram ao filho e à nora que os ajudassem a renovar a casa. O casal jovem tinha uma quantia considerável no banco, que não pretendia gastar tão cedo. Então, emprestaram com satisfação o dinheiro aos pais.
Os pais deram garantia de que devolveriam a dívida em dois anos. Pouco depois de entregarem o dinheiro, Leonor deu à luz gémeas. Durante todo esse tempo, Maria proporcionou à nora apoio e ajuda valiosos. Nem consigo imaginar como teria conseguido sem a minha sogra, confessa Leonor. Ela vinha todos os dias, até deixando de lado o seu amado quintal. A minha própria mãe não podia ajudar tanto, ainda trabalhava. Entretanto, nesses dois anos, o sogro de Leonor cultivou o terreno sozinho.
Durante estes dois anos, Maria abordou várias vezes o tema do pagamento da dívida, garantindo ao filho e à nora que resolveriam tudo. No entanto, com o tempo, a conversa foi ficando sem resposta. O sogro ficou incapaz de trabalhar durante um ano devido à doença, e Maria já estava reformada há seis anos. Agora, parece impossível pagar o dinheiro emprestado. O marido de Leonor propõe: Vamos esquecer esse dinheiro. Afinal, a mãe ajudou-nos imenso e deu-nos legumes e fruta da terra. A amiga de Leonor concorda: Acho que dívidas entre pais e filhos não fazem sentido. Pelo contrário, a mãe de Leonor insiste: Eles pediram emprestado. Prometeram pagar.
No meio deste turbilhão de emoções, Leonor sente-se dividida, sem saber como avançar. O que faria no seu lugar?






