Teresa casou-se aos 20 anos, e aos 22 deu à luz ao seu primeiro e único filho. Nunca teve grande ligação com crianças. Quando o filho nasceu, Teresa e o marido confiaram a sua educação à avó materna. Todos os meses, enviavam-lhe algum dinheiro em euros, e viviam sem preocupações. Dois anos depois, a avó faleceu e tiveram de trazer o filho de volta para casa. Teresa ficou incomodada com a presença do menino. Inscreveu-o numa creche para o ver o menos possível, e depois no jardim de infância. Na escola, a criança era alvo de troça.
Não sabia ler nem escrever. Tentaram chamar os pais à escola, mas Teresa nunca tinha tempo. Um dia, o marido apareceu à escola. Os professores aproveitaram para lhe contar tudo sobre as dificuldades do menino. Mal chegou a casa depois da reunião, o pai descarregou a frustração no filho, batendo-lhe com o cinto. Quando o rapaz acabou a escola, Teresa mandou-o trabalhar numa fábrica. Foi lá que conheceu aquela que viria a ser sua esposa. A administração da fábrica ofereceu ao jovem casal um pequeno apartamento. Quando Teresa teve netos, continuou totalmente desapegada.
De vez em quando, enviava algum dinheiro aos netos em datas especiais, como o Natal ou festas populares. O tempo passou, e Teresa aproximava-se da reforma. Decidiu organizar uma grande celebração. Resolvida, pediu ajuda ao filho: Transferi uns euros para o teu cartão. Vai com a Maria comprar comida e uns acessórios. Vamos festejar a minha reforma lá em casa. Sim, mãe. O filho e a esposa mandaram os filhos para o interior, para não atrapalhar, e começaram a preparar a festa. Tudo ficou impecável, e Teresa chegou satisfeita. Está bom, agora vão para a cozinha.
Vão chegar convidados e temos que recebê-los, depois sento-me convosco quando eles se forem embora. O filho e a nora obedeceram e ficaram na cozinha. Os convidados comeram, beberam e dançaram durante horas. No fim, quando tudo terminou, Teresa entrou na cozinha e disse: Sobrou uma fatia de bolo, partilhem entre vocês. Não me sinto bem, vamos para casa, não posso estar convosco hoje. O filho ficou profundamente magoado. Uma semana depois, Teresa telefonou: Filho, vou ser operada, levam-me ao hospital. Preciso que tragas umas coisas, vou enviar a lista. Não, mãe, vamos de férias com a Maria. Já sabes, chama o pai. Até logo. Finalmente, alguém fez Teresa perceber que o mundo nunca girou à sua volta.







