A Felicidade Tão Esperada: A Jornada de Vitória Até à Maternidade, o Encontro Emocionante com o Pequeno Kirill no Lar de Crianças, a Adoção que Transformou Vidas e o Milagre da Chegada de Polina à Família Portuguesa

FELICIDADE TÃO ESPERADA

O dia de hoje foi, sem dúvida, o mais feliz da vida de Beatriz. Ela não cabia em si de alegria! Pudera foram doze anos de tentativas e esperanças, sem nunca conseguir ser mãe. Mas hoje o destino resolveu surpreendê-la: finalmente, ela iria ter um filho. Existe notícia mais incrível para uma mulher? Qualquer mãe portuguesa confirmaria com entusiasmo.

Beatriz estava verdadeiramente nas nuvens. Tocava a barriga a toda hora e, com um sorriso largo, começava conversas animadas com o bebé que mal tinha dois meses e meio de existência.

Ela conheceu o Tomás ainda nos tempos da faculdade. Estudaram juntos, fizeram trabalhos de grupo, e acabaram por concluir o curso de mãos dadas. Três meses depois do último exame, casaram-se. Eram felizes, muito cúmplices, tudo ia bem. Só que, meia dúzia de meses depois da boda, Beatriz começou a ficar preocupada. O marido, sempre tranquilo, tentava acalmá-la: garantia que era tudo normal, que nada estava perdido e que os filhos acabariam por chegar. Se há coisa que português sabe, é esperar com calma e um café forte do lado, como manda a tradição.

Pararam mais dois anos e Beatriz começou a perder a esperança. Foi ao médico, fez exames, mas, segundo o doutor, estava tudo bem. Tomás esforçava-se para animá-la: caminhadas pela marginal, programas de fim de semana, carinho não faltava. Mas a tristeza parecia instalar-se, como se tivesse feito contrato de arrendamento lá em casa. Assim passaram-se doze anos, e o tão desejado lar cheio parecia uma miragem.

Certo dia de verão, um daqueles dias quentes de julho que fazem os lisboetas fugir para os jardins da cidade, Beatriz saiu para dar uma volta, enquanto o marido estava no trabalho. Caminhava devagar, absorvida nos seus pensamentos, nem notando que o mundo à sua volta continuava a girar, como os elétricos na Baixa.

De repente, ouviu uma vozinha mesmo ao lado:
Será que és tu a minha mãe?

Beatriz parou de sopetão, como quem vê o mar pela primeira vez. Levantou os olhos e viu um menino de uns três anos. Do outro lado de um portão, de mãos agarradas às grades, olhava para ela com aquele olhar profundo de criança que vê logo tudo.

Sem perceber muito bem o que estava a acontecer, Beatriz ficou ali, estática. Com calma, aproximou-se do miúdo. Percebeu que ali era um lar de crianças, avistando ao longe outros pequenos a brincar.

Beatriz ficou encantada com aquele menino de cara laroca e não conseguia dizer palavra que fosse. As ideias atropelavam-se na cabeça. E se aquele momento mudasse tudo? Depois de algum tempo, arriscou:
Não te lembras da tua mãe? Como era ela?
Não, nunca a conheci disse o menino. Por isso fico aqui à espera. Se ela passar, vai-me reconhecer, de certeza.
Sim, faz sentido respondeu Beatriz, sentindo cá dentro uma esperança renovada. Quem sabe podia ser ela aquela mãe que faltava.

Como te chamas, querido?
Sou o Tiago.

Beatriz decidiu que não ia descansar enquanto não tentasse adoptar o Tiago. Aquela cena, junto ao portão, parecia obra do destino como se os santos portugueses tivessem feito um empurrãozinho.

Sabes, houve um menino na minha vida há uns anos, mas eu perdi-o explicou com ternura. Ele também se chamava Tiaguinho e ainda o procuro. Talvez sejas tu!

O menino desatou a rir e, aos berros, disse:
És tu! És mesmo tu! És a minha mãe! Eu sabia!

Aquelas mãozinhas esticaram-se pelas grades, e Beatriz, comovida, abraçou-o o mais forte que conseguiu.

Agora vamos já falar com a directora! Vamos dizer que já nos encontramos! Vais comigo para casa.
Viva! gritou o Tiago, como se o Benfica tivesse marcado um golo.

Entraram juntos no lar de crianças e, pelo corredor, a educadora murmurou, visivelmente emocionada:
Até que enfim o nosso Tiaguinho vai ter uma mãe!

Seguiram-se papeis, reuniões, análises, aquele rolo burocrático nacional, sempre interminável. Mas para Beatriz foi tudo como um sonho confuso. E o Tiaguinho, esse, parecia compreender tudo e acreditava que a mãe dele não ia desistir. Enquanto isso, Beatriz explicou ao marido que um novo membro estava prestes a chegar. Organizaram o quarto, compraram uma caminha, brinquedos e tudo o que faz parte do enxoval português. Tomás, ao ver o olhar brilhante de Beatriz, não teve coragem de recusar. Ainda comentou para o amigo:
O que interessa é ver a felicidade dela, pá.

O grande dia finalmente chegou! Tiago passou a ser oficialmente filho deles. De mãos dadas, foram para casa cheios de alegria. O ambiente mudou; o silêncio instalado há doze anos foi expulso pelo som das corridas, dos brinquedos e, claro, pelo típico “Pai, olha para mim!” que ecoava pelas paredes. Beatriz parecia renascer. Toda a ternura acumulada daqueles anos, ela transferia agora para o Tiago, e Tomás tornou-se o melhor pai do bairro.

O tempo passou, o pequeno Tiago crescia saudável e feliz, enchendo a casa de gargalhadas e confusão como se quer numa casa portuguesa. Até que numa manhã, Beatriz sentiu-se indisposta. Tomás preocupou-se e lá foram os dois ao médico. Não esperavam, mas receberam uma notícia inacreditável: Beatriz estava grávida! Sorrisos, lágrimas, abraços, tudo ao molho e fé em Deus e nos médicos.

Toda a família aguardou ansiosamente pela chegada de mais um membro. E quando esse dia chegou, nasceu uma menina robusta e rosada chamaram-lhe Matilde. Agora estava tudo completo.

Beatriz tinha a certeza de uma coisa: o milagre da Matilde só aconteceu porque, naquele dia, ela parou junto àquele portão para ouvir um pequeno Tiago. Gestos generosos acabam sempre recompensados. E a felicidade essa não bate à porta por marcar; aparece a quem tem coração aberto para amar sem esperar nada em troca.

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„Смених апартамента си с по‑малък, за да помогна на децата“: Сега дори нямат време да ме посетятВсе пак се надявам, че една вечер ще се намери миг, в който ще чуя техния смях през вратата.