Olha, tenho que te contar o que se passou cá em casa este verão. A irmã mais nova da minha mulher veio passar uns dias connosco. Chamavam-lhe sempre o animal de estimação da família, porque, sempre que havia um jantar ou reunião, era só elogios: que era um cérebro na escola, que se licenciou à primeira, arranjou logo emprego na área… Enfim, parecia a filha espetáculo.
Já eu, casado com a irmã mais velha, sempre foi o contrário. Ela nem sequer acabou o curso, casou-se comigo cedo, mas a família nunca se preocupou muito, porque eu já tinha algum sucesso tinha o meu próprio negócio, apartamento, carro, uma vida estável. Mas, sabes como é, a estrela continuava a ser a irmã mais nova.
Então, este verão, quando ela veio visitar-nos, pediu-me um empréstimo. Queria avançar com um crédito para comprar casa própria, mas não tinha dinheiro suficiente para a entrada. Para mim, não era grande quantia, portanto emprestei-lhe na boa. Ela garantiu-me que trabalhava numa repartição pública e que me ia devolver o dinheiro certinho todos os meses.
Passados uns dias, ela vai-se embora… e pumba, já estava a postar fotos dela nas praias do Algarve. Fiquei logo de pé atrás. Então ela não me disse que não tinha dinheiro para o apartamento e, de repente, vai de férias? Ia dizendo à família toda que tinha estado o ano inteiro a poupar para esta viagem, mas não passou do paleio, porque o crédito para a casa nem sequer tinha avançado.
Perguntei-lhe o que se passava, e ela disse-me que afinal mudou de ideias. Pedi-lhe, então, para me devolver o dinheiro, que para ir à praia não lhe emprestei nada. E a resposta dela foi na lata: Ah, agora não tenho dinheiro, gastei tudo no Algarve. Vais ter de esperar, quando estiver melhor pago-te tudo.
Fiquei mesmo incomodado, até porque lhe emprestei aqueles euros a pensar que eram para um objetivo sério, não para se divertir por aí. Pedi-lhe com educação para devolver assim que pudesse, e achas que ela percebeu? Não! Foi contar à família, à mãe inclusive, que eu estava a pressioná-la para pagar antes do combinado e que isso não se faz à família. E pronto, era ver outra vez toda a família a dar razão à filha querida enquanto nós, os ricalhaços insensíveis, éramos os maus da fita.
Enfim, é assim a vida. Que achas desta história?







