O meu marido continua a ser o verdadeiro menino da mamã aos 35 anos.

Cometi muitos erros ao longo da minha vida, mas o maior deles ainda permanece aqui comigo, e nem sei o que fazer. Tinha 25 anos quando decidi casar-me com um homem chamado Paulo. Ele era dois anos mais velho do que eu. Na altura, parecia-me quase um príncipe montado num cavalo branco.

Ele estava sempre a oferecer-me flores, presentes, ajudava-me a carregar as coisas pesadas, nunca discutíamos e resolvíamos tudo com tranquilidade. Nunca vivemos juntos antes do casamento. Nenhum de nós era adepto da ideia de juntar antes de casar, achava isso demasiado relaxado. Então, casámos. Os meus pais deram-nos dinheiro para o casamento, mas nem de perto era suficiente para comprar uma casa. Não queria propriamente arrendar para quê pagar renda a um senhorio qualquer e ainda ter de ouvir sempre onde vivo bem ou mal? E lá veio a sugestão da mãe do Paulo: podíamos ficar a viver com ela. O apartamento tinha dois quartos, ela estava quase sempre sozinha, e havia espaço suficiente. Parecia razoável, por que não?

Aceitei de bom grado. A mãe do Paulo parecia-me ser uma mulher simpática, fácil de conversar. Mas mal casei e fui morar com a minha sogra, percebi que não conhecia tão bem assim o meu marido. A mãe dele ainda lhe tratava como se fosse um menino pequeno. E, a viver com ela, ele não mexia uma palha em casa. Até ao ponto de ela lavar-lhe a roupa interior e as meias um homem feito. Convenhamos, não é nada normal.

Tudo o que Paulo fazia era ir trabalhar e tratar das suas coisas. Por isso, assim que começámos a viver juntos, toda a responsabilidade da casa caiu sobre mim. Passei a cozinhar para todos, a limpar, a lavar roupa, a passar a ferro. Era isto que eu queria? A verdade é que a minha sogra não se metia nas minhas tarefas, nem entrava na cozinha quando lá estava. Mas, aquele distanciamento só servia para me fazer sentir como uma espécie de criada no meio daquela família.

Depois, as coisas ainda pioraram. Certo dia, uma tomada começou a dar faíscas e eu consegui apagar o fogo. Pedi ao meu marido para tirar o resto da tomada e substituir por uma nova, mas aquilo para ele parecia um desafio de matemática avançada. Descobri que ele não sabia sequer trocar uma tomada. E quando foi preciso mudar a lâmpada do quarto, ele afastou-se assustado e disse que não o ia fazer. Peguei no banco e troquei eu mesma. No fim de contas, percebi que o Paulo não sabia fazer nada em casa. Pronto, poderia passar. Mas ele nem mostrava vontade de aprender. Para quê? Melhor chamar um técnico e pagar. Ok, mas o meu marido não ganhava nem por perto o suficiente para poder pagar alguém para tudo.

O que mais me revoltava era ver a sogra a tratar constantemente o filho como se tivesse sete anos, e ele ainda respondia, embaraçado, mamã.

Paulo, já puseste as meias, já trocaste os boxers? Paulo, lavaste-te bem? ouvindo aquelas conversas, só me apetecia fugir. Ele é um adulto, e a mãe a perguntar-lhe se trocou os boxers

Enfim, só me apetece pedir o divórcio. Mas e depois? Não tenho casa própria, o dinheiro que os meus pais me deram já foi gasto. Mas não posso continuar a tolerar tudo isto. Até quando consigo aguentar esta falta de vida? Agora percebo que, por mais encantadora que pareça a vida a dois, não se pode saltar etapas e esquecer que maturidade não se compra aprende-se.

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