Quando as pessoas são amigas, como um casal português de longa data, mais cedo ou mais tarde acabam por surgir algumas divergências. Quanto mais gente junta, mais facilmente aparecem discussões e desentendimentos.
Uma vez, o meu amigo João contou-me como ele e os amigos celebraram a passagem de ano. Normalmente, três famílias costumavam festejar juntas, em casa de um deles, mas no ano passado uma decidiu não participar e preferiu ir passar a noite com os pais.
Assim, as outras duas famílias combinaram passar uma parte da noite em casa de uma e a outra parte em casa da outra. O habitual era todos contribuírem para a comida, dividindo as despesas, cada um trazendo bebida, doces e tudo o que fosse preciso.
Juntaram-se todos com os filhos, sentaram-se à mesa até à meia-noite, brindaram e trocaram risos. De repente, começaram a reparar que os donos da casa começaram a levantar a mesa, guardar a comida no frigorífico e a arrumar as loiças. Inicialmente não perceberam o que se passava, mas quando a anfitriã, Dona Constança, apareceu com o aspirador e começou a limpar, ficou tudo claro. Era um daqueles sinais discretos de que estava na hora de ir embora. Não vos parece um pouco estranho?
Curiosamente, quando mais tarde foram à casa da outra família da Margarida , ninguém parecia ter pressa em sair. Ficaram à conversa até de manhã, petiscaram, beberam vinho do Porto e riram-se à vontade.
Enfim, o aspirador até pode ter sido útil à minha colega, mas o João é apenas um homem com muita educação soube perceber o recado sem problemas.







