A minha sogra tem uma personalidade extremamente rígida e difícil. As discussões constantes e a sua incessante intromissão nas nossas vidas tornaram impossível para mim e para o meu marido encontrar a tão desejada tranquilidade. Apesar da sua desaprovação, fomos obrigados a viver todos juntos após o casamento, por razões familiares que não podíamos evitar. Muitas vezes, envolvíamo-nos em atividades como apanhar amoras no campo, principalmente para fazer compotas, mas o que sobrava nunca chegava à nossa própria casa.
Inicialmente, só participava nestas excursões aos fins de semana, porque tinha compromisso profissional durante a semana. No entanto, depois do nascimento da minha filha Beatriz, fui obrigada a ir quase todos os dias. A minha sogra, D. Laurinda, insistia que era melhor apanhar as amoras cedo, ainda de manhã, mesmo quando a floresta ficava abafada durante o dia, infestada de mosquitos e com zonas de lama, sem nenhuma proteção. Ela recolhia todas as amoras para si, guardando-as meticulosamente no congelador.
A situação agravou-se quando o meu marido, António, finalmente teve coragem de falar com ela sobre as nossas necessidades financeiras, já que também precisávamos de algum apoio. Isso resultou numa discussão desagradável, e D. Laurinda vingou-se, servindo-nos uma sopa com um pedaço minúsculo de carne. Senti-me humilhada e magoada, e refugiei-me na casa de banho, onde chorei descontroladamente.
Decidimos, por fim, alugar um pequeno apartamento em Lisboa e viver separados da minha sogra. Esta decisão trouxe-nos finalmente algum alívio e permitiu-nos viver em paz. Ainda íamos lá de vez em quando, mas recusei sempre beber chá em sua casa, como forma silenciosa de protesto contra a maneira como nos tratava. Tenho certeza que ela percebe o motivo das minhas ações, mas parece não se importar.
Qual é a vossa opinião sobre este comportamento entre nora e sogra? Quem acham que tem razão?







