Encontro ao acaso
O casaco de penas da Beatriz só aquecia mesmo na parte de baixo. O enchimento já tinha descido todo, e por cima não passava de um corta-vento fino, atravessado por todas as correntes de ar. Por baixo, as calças de lã feitas à mão e as botas de feltro protegiam-na um pouco, e o lenço de lã, atado por cima dos ombros, ajudava a não congelar.
O carro prometido pela amiga de negócios, Mariana, falhou. Agora, rodeadas de sacos e malas, tentavam arranjar boleia. Com tanta tralha, dificilmente caberiam no mesmo carro, por isso acabaram por se separar, cada uma para seu lado.
Quando Beatriz trabalhava para a patroa, não havia estes problemas. Mas o dinheiro era curto sustentava sozinha os dois filhos, e há pouco tempo tinha começado a viajar com Mariana para o estrangeiro para comprar mercadoria e vender nos mercados.
O dinheiro não aumentou, a mercadoria ainda por vender, mas as complicações multiplicaram-se.
Agora tinha de levar tudo de manhã para a feira da Senhora da Hora, e à noite, voltar a juntar tudo e carregar para casa, rua acima até ao quarto andar, às vezes às várias viagens, se o filho não estivesse em casa para ajudar.
Ainda há pouco cantava a plenos pulmões Somos livres, sonhando com mudança, mas as mudanças foram outras: a empresa em Matosinhos onde trabalhava fechou, foi posta no desemprego. O marido sumiu-se da vida dela há muitos anos. Restava-lhe apenas lançar-se no comércio, apesar de sempre ter achado que isso não era para ela.
Agora ali estava, ao lado da estrada, num lamaçal de neve e chuva, ainda mulher jovem no fundo, mas com os lábios gretados, rosto queimado pelo vento e pelo frio dos mercados, e olhos que lacrimejavam constantemente.
Os carros, atirando lama e água, passavam por ela sem hesitar. Beatriz desviava o olhar da sujidade: preferia olhar para os telhados, para as árvores onde a neve ainda guardava aquele branco imaculado. Havia demasiado cinzento na vida: não valia a pena olhar ainda mais para ele.
Ergueu de novo o braço e finalmente, parou-lhe ao lado um carro sujo como tudo à volta.
Leva-me até à Rua do Almada por um preço em conta? disse para dentro da porta entreaberta, mas a voz desapareceu-lhe mal viu quem era o condutor.
Reconheceu-o de imediato. Era como se o tempo não tivesse passado por aquele homem. Ou talvez só o tivesse tornado ainda mais interessante. O mesmo olhar sério e misterioso, as sobrancelhas ligeiramente erguidas, um leve sorriso.
Enquanto tentava recompor-se, ele saiu do carro e atirou-lhe os sacos e malas para a bagageira.
Sentou-se apressada no lugar da frente, ajeitou o lenço e procurava desculpas para se justificar preparava-se para explicar porque estava assim tão mal apresentável. Ele também a tinha de reconhecer, com certeza.
Ou será…
Tantos anos. Quantos?
***
Tinha 22 anos. Tinha sido destacada para o estágio final numa antiga madeireira em Trás-os-Montes. Em Braga esperava por ela o noivo João, e tudo estava alinhavado: estágio diploma casamento.
O que mudariam três meses de estágio? Nada…
Alugaram-lhe um quarto na casa da Dona Leopoldina, também empregada na madeireira, já mulher de idade, que vivia com o sogro, um velhote surdo. Beatriz sempre foi de trato fácil, rapidamente fizeram amizade, apoiavam-se mutuamente.
Um dia dessas, o velhote teve um ataque à frente delas. Caiu. Beatriz correu para os vizinhos, mas não estava ninguém em casa. E nesse instante, viu um trator passar na estrada. Acenou-lhe. Um rapaz alto e bonito saiu do trator, olhar sério e profundo.
Voltaram juntos à casa: ele era forte, pegou no velho ao colo e levaram-no no trator. Beatriz foi junto, preocupada se cuidavam bem dele.
Chegaram à médica, e logo apareceu a ambulância. O rapaz também subiu para a ambulância, seguindo com Beatriz.
Só quando perceberam que o velho estava a salvo, começaram a conversar de verdade.
Descobriram que trabalhavam na mesma empresa e que eram vizinhos. Ele chamava-se André.
Já era tarde. O velho ficou no hospital, e ainda bem que chegaram a tempo. Mas e agora, como regressar? A ambulância não ia voltar ao povoado a essa hora.
Vem, a mãe de um amigo mora aqui perto. Dormimos lá, de manhã seguimos com os homens quando forem para o trabalho.
Beatriz percebeu que André era de confiança, mas ainda hesitou.
Prefiro dormir no hospital. De manhã espero por vocês. Pode ser?
Nos bancos do corredor? Anda, não sejas mariquinhas. A tia Emília é óptima, a casa é grande. Eu vou dormir com o João, no anexo.
Acabou por aceitar. Dormiu como uma pedra, num colchão alto e fofo como nunca vira, até a tia Emília a despertar com o cheiro do café.
Enquanto lhe servia o pequeno-almoço, contou-lhe a história do André: já tinha tido mulher, que fugiu, deixando-lhe um filho. Ele, trabalhador, para além da empresa, criava porcos, vendia carne, construía uma casa nova. Pelo tom da mulher, parecia querer arranjar-lhe noiva.
Beatriz só sorria. Noivo tinha, jovem engenheiro prestes a formar-se. Ela mesma queria mais da vida, e homens divorciados com filhos não lhe interessavam.
Mesmo assim, começou a ver André por todo o lado: nas madeiras, no refeitório, e várias vezes pela rua. A Leopoldina conhecia-o bem, e ajudara também a trazer o avô de volta para casa.
O André está encantado contigo, sabes? dizia-lhe Perguntei por ti e ficou vermelho. Vocês combinam!
Ó mulher, tenho o João!
Mas ainda não és casada. E o André é de confiança. Sozinho criou o filho, tem a vida em ordem. Só falta mesmo uma mulher boa com eles.
E o coração de Beatriz apertava-se. Também ela já o procurava com o olhar em cada esquina. Erguido, sereno, cheio de uma força calma que era respeitada por todos.
Conselha-te com o André! diziam-lhe os homens.
E Beatriz, sempre de aparência distinta, simples mas elegante, destacava-se naquela aldeia, de sobretudo bege claro em plena lama do fim de inverno. Parecia voar acima da sujidade. Os homens faziam silêncio ao passar por ela.
Dona Beatriz, espere aí! Levo-a ao povoado.
De carroça ou a pé, pouco importava: André estava sempre pronto a ajudar.
E o seu filho, André? Para Beatriz, um homem com filho era sempre mais velho, mesmo que por pouco.
E por que me trata por você? Chame-me tu. O miúdo está com a mãe, a vizinha ainda vai dar uma mão. Vai crescendo…
Como se chama?
É o Tiago um brilho de ternura no olhar Endiabrado. É preciso olho com ele.
E gosta de cá viver?
Habituar-te-ás. Isto agora é feio, mas na primavera… Os campos ficam lindos. Só não temos candeeiros de noite, é um problema. Mas havemos de resolver.
Os candeeiros estavam desligados porque a Junta não tinha dinheiro para pagar à EDP; mas André falava como se ele próprio fosse o responsável pela aldeia.
Mal sabia Beatriz então que responsabilidade era talvez a qualidade mais rara e valiosa num homem.
Os seus galanteios tornaram-se evidentes. Passava por casa, trazia lenha, levava medicamentos. Mas Beatriz resistia aos próprios sentimentos.
Não conseguia imaginar-se ali, naquele povoado. Embora nada a prendesse à cidade excepto João e as festas de casamento planeadas pela família. Imaginava o desgosto do João se soubesse que encontrara novo pretendente, ou a desilusão da mãe…
Vais viver no campo? perguntariam, entre espanto e mágoa.
E ainda mais, se soubessem que o André era divorciado, com filho, e dedicava-se à suinicultura! Logo ela, formada, esperança da família…
À noite, ao som do vento e dos cães, imaginava a vida com André. Ele ia amá-la, cuidar dela e do filho, agradecer-lhe para sempre se ficasse com eles. Teriam filhos, seriam parecidos com ele.
Mas achava impossível, não ousava dar o salto. João já tinha comprado as alianças, a sogra poupava para a boda, os pais… Como podia trair essas expectativas?
No entanto, sentia aquela doce antecipação de algo novo, maior do que tudo. Parecia-lhe nunca ter amado de verdade o João, mas ao André, sim. O facto de ter noivo à espera trazia um drama romântico irresistível à história.
E num desses dias de desespero, lágrimas nos olhos, quase ela própria forçou a aproximação. Porquê, nunca percebeu: se era despedida do passado ou da paixão recente. Ele hesitou, olhou-a nos olhos, mas cedeu, julgando ser o fim daquele capítulo. Para ela, foi a primeira vez, e não se arrependeu.
Mas não chegou à decisão final. Falta de experiência ou coragem? Ou apenas a vida.
Um dia, ao buscar água ao poço, topou com um rapazito loiro, pendurado e a trepar perigosamente.
Ó rapaz, cuidado! Não subas aí, podes cair. Onde está a tua mãe?
Olhou em volta e viu uma rapariga a correr estrada acima. O menino olhou Beatriz, tirou-se dos braços dela e correu para a saia da rapariga, chorando.
Não repares nele. Fugiu-me. Obrigada.
Foram embora, de mão dada.
Tiago? Seria o filho do André? Bateu-lhe o pressentimento e ficou assustada. Um miúdo estranho teria de se habituar a ele, e já fugia dela.
Depois, a mãe de André Dona Cláudia veio visitá-la. Chorosa, contou-lhe que Tiago já se habituara à Gisela, a vizinha órfã, que adorava o André, e que entre eles tudo corria bem até Beatriz aparecer.
Beatriz ficou atónita ela, uma intrusa? Se era alguém vítima ali, era ela, afastada do próprio noivo! Mas afinal podia estar a destruir a felicidade de outra.
André implorou-lhe que ficasse, não partisse. Acompanhou-a à gare, insistindo que a mãe e Gisela inventavam histórias, que Gisela não fazia par com ele. Era verdade: discreta, sem cor, ofuscava-se ao lado do André.
É uma alma tímida dizia Dona Leopoldina nada a ver convosco.
Beatriz, magoada, não queria ouvir. Estava decidida: teria a sua própria história, urbana. Andrés pertenceria ao passado.
Ali ficou ele, à janela da estação: camisa aos quadrados arregaçada, ombros largos e cabisbaixos, uma ruga amarga na testa. Assim o recordou muitos anos.
Chorou o caminho todo no comboio.
Três meses de estágio que a marcaram para a vida.
A juventude sara as feridas. Casou com João, começou a vida feita à pressa.
**
Sentou-se no banco do passageiro, ajeitou o lenço e foi preparando desculpas, a pensar como ia explicar aquele aspecto desgastado. Ele também a devia reconhecer.
Ou… talvez tivesse mudado tanto. Encorpou, lábios gretados, casaco desembrulhado, lenço…
Quantos anos tinham passado?
Dezasseis. Sim, dezasseis anos.
Viajaram em silêncio por um tempo.
Que tempo esquisito disse ela, enquanto outro carro os molhava no meio de uma poça.
Aqui na cidade, está sempre assim. No campo, está limpo, estranhamente bem arranjado.
Vive lá?
Vou e venho. Negócios.
Obrigada pela boleia. O carro deixou-me pendurada hoje. Pago-lhe, claro…
Ele virou-se, o olhar de sempre, e percebeu que a reconhecera.
Olá murmurou ela.
Olá, Beatriz.
Reconheceste-me? Pensei que já me tinhas esquecido.
Não me esqueci respondeu, olhando de novo a estrada.
E de repente doeu-lhe o peito ao ouvir-lhe a voz, ver-lhe as mãos, o olhar. Ficou tão calorenta que tirou o lenço da cabeça.
Como tens estado, André? conseguiu articular.
Ele demorou, à procura de si próprio.
Eu? Bem. Vou andando. São tempos tramados. Tu também…
Ainda estás na madeireira? mudou de assunto, para conhecidos comuns.
Não, fechou com a crise. Já não trabalhava lá, tinha saído. Trabalho por minha conta.
É o melhor agora. E o quê… uma quinta?
Quinta, empresa, faço de tudo. Vendo carne.
Agora toda a gente vende qualquer coisa…
Beatriz lembrou-se de repente: vira o nome Costa & Filhos em algumas etiquetas de produtos no supermercado. Pensou que fosse coincidência.
Não me digas que aquele presunto Costa & Filhos é teu.
Pode-se dizer que sim. Não gostas deles? sorriu, um pouco triste.
Muito até. A minha mãe vai de propósito procurá-los! Não fazia ideia…
André desculpava as conquistas.
Começámos como podíamos, quase artesanalmente. Havia carne, havia pessoal desempregado. Depois cresceu, fizemos uma fábrica pequena, lojas.
És tu sozinho?
Tenho equipa. Sou o patrão, mas sozinho não se faz nada. Muita malta de Trás-os-Montes está comigo. Agora já vendemos para quase todo o Norte.
Beatriz encolheu-se com o contraste. Ela, embrulhada em roupa usada, botas de borracha; ele, filho da terra, agora homem de sucesso. Tinham trocado de lugar.
E o teu filho?
André sorriu.
Três.
Três filhos?
Três rapazes. E tu?
Um rapaz e uma rapariga respondeu, limpando o suor.
O mais velho está no Exército, passou por maus bocados. A Gisela ficou de cabelos brancos, mas está de regresso para o mês. O do meio está no Politécnico e o mais novo ainda está na escola.
Gisela… então casou mesmo com aquela vizinha discreta.
A Beatriz apetecia-lhe dizer que se arrependia de não ter ficado. Mas agora, vendo-o…
João foi um marido fracassado. No início ainda foi sendo, emprego de engenheiro, até lhes deram casa em Vila Real, parecia promissor. Os filhos pequenos, muitas dificuldades, mas iam levando.
Depressa ele começou a criar problemas no trabalho, a saltar de emprego em emprego e a beber. Perdeu a casa, voltou para a sogra. Acabou por abandonar-lhes. A relação com a sogra azedou.
Beatriz não aguentou mais, pediu o divórcio e foi para a casa da mãe. O pai já tinha falecido.
Queria tanto abrir com André o coração, dizer-lhe que se arrepende. Mas saiu-lhe outra coisa:
O meu mais velho vai entrar para Medicina, a rapariga está no oitavo. O tempo passa…
Passa.
Ficaram em silêncio. Queriam falar do que mais doía, mas cada um achava que só a si lhe importava.
A culpa pesou no peito de Beatriz. Depois pensou em Dona Cláudia, na Gisela foi a elas que cedeu o André, mesmo que a motivação fosse orgulho ferido e não generosidade.
Como vai a tua vida, André?
A Gisela está bem. Faz pão.
Em casa?
Começou assim. Agora… conheces a Padeira da Serra? A padaria e pastelaria?
Já lá fui uma vez. Ela é…?
Sim, é ela que manda lá. Por ela abri o negócio. Fazia pão excelente, aproveitámos a ideia.
Beatriz lembrou-se. Uma amiga mercado acima convenceu-a a ir lá, elogiaram o pão. Na fila, apontaram-lhe a dona: mulher nova, pequena, cabelo curto, enérgica, com um casaco branco e cachecol rosa. O rosto soava-lhe familiar. Agora compreendia porquê.
Já aqui, é? André procurava o endereço. Beatriz acordou.
Mais à frente.
De repente ele encostou o carro, saiu, e num instante estava de regresso com um ramalhete de crisântemos comprados numa florista verde. Pousou-lhos no colo, por cima das calças de lã.
Beatriz olhou as flores, e as pétalas brancas desfocavam-se nos olhos húmidos. Limpou as lágrimas depressa: há pouco ainda dizia que era uma mulher forte.
Depois, André ajudou-a a levar os sacos até casa, subiram o prédio com paredes riscadas. Ela, com as flores no peito, meio atrapalhada.
Queres subir? desejava que recusasse. O apartamento era um caos, mercadoria espalhada do mercado, caixas, pacotes. E a mãe lá dentro, cheia de perguntas.
Mas que subisse ou não, talvez ele entendesse e tivesse pena…
Não, Beatriz, tenho de ir. Muito que fazer disse, pegando-lhe no pulso, ficando ali uns segundos, como despedida.
E depois desapareceu escada abaixo a correr.
Chamá-lo? Dizer-lhe tudo?
Beatriz viu-o de costas, e soube, de repente, que a ele ainda custava mais. Era mesmo um adeus. Estranhamente, a esta certeza sentiu-se aliviada.
Arrastou as malas para dentro.
Logo apareceu a mãe, a deitar perguntas. Mas Beatriz nem escutava; o pulso ainda sentia o calor da mão dele. Tirou as botas e foi pô-las ao aquecedor, agia pelo hábito.
A mãe sempre a segui-la, falando sem perceber que a filha não ouvia.
Já sentada à mesa, Beatriz perguntou:
Mamã, lembras-te de ter falado antes do casamento de um rapaz do estágio, lá em Trás-os-Montes? Aquele que me fez a corte… Era dono de uma quinta, começou a criar porcos. Lembras-te?
Mais ou menos. Porquê?
Disseste na altura: só me faltava ires viver para o campo, meter-te na porcaria.
E disse bem. Já te imaginava cheia de estrume.
Encontrei-o hoje.
Encontraste? Onde?
Não interessa… Olha, sabias que os enchidos Costa & Filhos que tanto adoras são dele? E sabes a dona da Padeira da Serra? É a Gisela, a mulher dele.
A mãe ficou pasmada, perdeu a fala. Depois, pousou a chávena, dolorosamente.
Enfim… a gente não escolhe o destino. Se pudesse, até à pancada ia.
Beatriz teve pena dela.
Vá, mamã, não estamos mal. Hoje vendi dois fatos e três casacos. Vamos aguentando. Não te preocupes!
Tens razão. Se soubéssemos onde caímos, já íamos com colchão…
Logo entrou o filho: alto, forte, aquele olhar sério, misterioso. Mais notava Beatriz o quanto era parecido com o verdadeiro pai.
E como toda a família acreditou que aquele bebé de três quilos era prematuro? Ninguém duvidou, Beatriz era de confiança.
O rapaz sentou-se à mesa.
Mãe, não fiques chateada, mas arranjei trabalho num centro hípico. Vou cuidar dos cavalos, ganho ao dia. Não te preocupes falava apressado, temendo um raspanete Não vai atrapalhar os estudos. Juro, mãe…
Beatriz suspirou. Ontem teria ralhado. Hoje…
Força, André. Já és homem. Todo o trabalho é digno. Vais precisar do teu dinheiro. Não me oponho.
Ele ficou radiante, sem perceber bem o que se tinha passado, mas sentindo-se mais próximo.
Beatriz não conseguia dormir. Não chorava, não se lamentava. Só sentia um estranho vazio.
Olhou para as crisântemos, pensou no destino, no inesperado daquele reencontro. Cada um tinha de seguir em frente, percorrer um novo capítulo de vida, separados.
Aquele encontro marcara-lhe a vida em dois: antes dele e depois dele. Agora, sentia o mesmo.
Ambos tinham pela frente novas surpresas e oportunidades para serem felizes. Não se voltariam a ver, e ainda assim, continuariam presentes um no outro.
Tudo acontece por um motivo.
E este encontro servira para ela perceber algo realmente importante.






