Contrato de Amor
Matilde estava sentada à enorme mesa, que mal se via sob a confusão de revistas de casamento. As páginas passavam rápidas entre os seus dedos eu via como ela se perdia nelas, fixando cada fotografia. Os olhos dela brilhavam diante de certos detalhes requintados: rendas delicadas, bordados elegantes, véus etéreos. De vez em quando, deixava-se ficar a contemplar os vestidos alvos como a areia da Comporta, imaginando-se dentro deles. Nesses momentos, vi-lhe no rosto uma luz de expectativa, como se se visse já a caminhar entre os convidados, sentindo os olhares de todos e o coração familiar a palpitar.
Lindo… murmurou ela, sem desviar os olhos de um vestido especialmente extravagante, de saia volumosa e finos suspensórios. Aquele vestido parecia tirado de um conto: leve, flutuante, o cetim a irradiar luz sob os holofotes.
Mas o sorriso esmaeceu dos lábios dela quase de imediato. Matilde largou a revista, suspirou fundo e ergueu-se lentamente. Aproximou-se do grande espelho de moldura entalhada, fitando o reflexo com um olhar atento. Virou-se de lado, inclinou um pouco a cabeça, como quem procura ver-se de outro modo. Lá no íntimo, a dúvida: e se a imagem dos editoriais não fosse compatível com a realidade?
É pena, aquilo não me assentava bem, disse com voz mais segura, como a tentar aceitar o inevitável. Não tenho corpo para isso.
Ainda rodopiou uma vez em frente ao espelho, simulando no corpo a forma volumosa daquele corte. Na mente, desenhou a silhueta: grande saia, corpete ajustado, camadas e mais camadas de tecido e logo franziu o rosto.
Se calhar, melhor algo mais prático. Saem as saias rodadas, senão pareço enorme… Mas também não quero um modelo banal! Não é todos os dias que me caso.
Passou as mãos pelo cabelo num gesto nervoso. A ansiedade crescia-lhe dentro do peito. Havia tantas opções, tantas ideias bonitas mas a certa parecia sempre escapar. Correu os olhos pelas revistas, quase a desejar que a próxima página lhe desse aquela revelação mágica. Em vez disso, sentiu-se ainda mais cansada e perdida.
Preciso de falar já com alguém, murmurou, sentando-se à beira da cadeira. Se não, ainda dou em doida com esta preparação.
Foi então que o silêncio da casa se quebrou pelo baque da porta. Matilde estremeceu, o olhar a perder-se nas fotos e rabiscos na mesa. Quem seria àquela hora? Os únicos com chave eram o pai e o Martim, o noivo. Mas ambos deviam estar ocupados: o pai em reunião com sócios importantes, e o Martim dissera de manhã que ia a um encontro no bairro empresarial.
Ela ficou imóvel, o coração a apertar de incerteza. E se fosse um ladrão? Pensou que normalmente esta hora a casa estava vazia nessas alturas, sentia uma estranha vulnerabilidade.
Levantou-se do assento sem fazer barulho. O corpo levou-a para as escadas, de onde se tinha boa vista para o hall e a porta de entrada. Antes de chegar às escadas, espiou, protegendo-se atrás da parede.
Mal viu quem era, a tensão largou-lhe os ombros. Era o Martim. A silhueta dele era-me tão familiar que até eu, ali parado, senti o alívio. Ele descalçava os sapatos com a casualidade de sempre e assobiava baixinho.
Martim? sussurrou ela, surpreendida. Mas então ele não devia estar na tal reunião?
Continuou a observá-lo, a tentar perceber se aquilo seria alguma surpresa. Ou… Com quem estaria ele a falar?
Joana, aguenta só mais um pouco, ouvi-lhe dizer, a voz tão carinhosa como nunca ouvira antes. Matilde petrificou. Nunca Martim lhe falara assim. Falta pouco para terminar a minha parte do acordo, e depois ficamos juntos.
A sensação gelada que lhe percorreu a espinha foi visível. Vi os dedos dela apertarem-se, com medo de soltar qualquer ruído. Que acordo era aquele? E quem era esta Joana?
Mais quanto tempo? Daqui a seis meses, prosseguiu ele, agora mais objetivo. Sim, daqui a um mês é o casamento, depois uns meses de vida matrimonial… a voz fraquejou-lhe e soou-lhe a nojo, como se cuspisse as palavras.
Matilde fechou os olhos, tentando encaixar aquilo que ouvira. O casamento… o deles apenas parte de um contrato?
O que o Manuel Ribeiro faça depois, não me interessa, falava agora com mais convicção, quase como se estivesse a tirar um peso de cima dos ombros. Assim que receber o resto do dinheiro na minha conta, junto os trapos e vou-me embora.
Foi como se lhe tivessem dado um estalo. Matilde cambaleou, apoiando-se ao portal da porta. Aquilo revirava-lhe o estômago: Mentiu-me. Este tempo todo…
Recuperou o controlo, recuando pé ante pé, a cabeça embaralhada, mas uma coisa era óbvia: o pai esteve envolvido. Contrato. Dinheiro. Plano a seis meses… Aos poucos, a compreensão da traição foi-lhe arranhando o peito, uma dor que quase dava vontade de gritar, mas ela sentiu-se muda.
Por mais difícil que fosse, decidiu continuar a ouvir. Talvez descobrisse mais qualquer coisa uma resposta escondida.
Martim instalou-se comodamente na poltrona, esticou as pernas e reatou a conversa, sem fazer ideia de que Matilde o espiava. Ele acreditava que não havia ninguém em casa e continuava sem medir palavras.
Não sejas parva, disse, balançando a cabeça. A única que amo és tu! Só estou nesta palhaçada por tua causa. Queres uma casa grande na Baixa? Vestir-te com roupa de marca, usar ouro? Pois… Com o que eu ganho como assistente, ia demorar a vida toda a juntar para isso… Daqui a seis meses estamos juntos, prometo.
Ou talvez estejam juntos mais cedo do que imaginas, disse ela, descendo as escadas devagar, vencendo uma barreira invisível. As pernas tremiam-lhe, mas não permitiu cair.
Martim voltou-se de repente ao ouvir a voz dela. O rosto perdeu o sorriso de imediato, olhos abertos de susto. Nem chegou a acabar a frase o telemóvel caiu-lhe das mãos.
Minha passarinha? suspirou, pondo-se de pé num salto. O tom dele oscilava entre a confusão e o medo. De quê falas, querida?
Foi ao encontro dela, mão estendida, como quem procura apaziguar, gesto repetido tantas vezes antes. Mas Matilde recuou, o queixo erguido. No olhar dela não havia mais confiança, nem doçura apenas uma clareza amarga.
Passarinha… repetiu ela num sussurro, com uma dor crua que se fez sentir a todos nós ali Pensavas que era surda e não escutava?
Matilde encarou-o, corpo inteiro a tremer, mas os olhos não desviavam. Procurava algum traço de arrependimento, mas só via confusão e uma pressa quase doentia de arranjar uma desculpa.
Joana… Conheço-a? Não será aquela que dizias ser tua irmã? O tom dela era frio, quase metálico.
O Martim ficou branco. Curvou-se para apanhar o telefone, como se o aparelho o pudesse salvar. Os dedos, vejo ainda, tremiam. Na mente, ele calculava como sair dali sem perder o resto do pagamento.
Confundiste as coisas, murmurou enfim, tentando soar tranquilo. Não sei de que Joana falas.
Deu outro passo, tentando segurar-lhe a mão, mas Matilde tinha-se tornado inatingível.
Sabes muito bem, sorriu amarga, a dor evidente. Martim desviou o olhar, derrotado. Ouvi tudo, palavra por palavra. A tua conversa melosa… Só de ouvir fiquei enjoada!
Engoliu em seco, a voz tremendo. Não queria mostrar até que ponto aquilo lhe feria. Todas as esperanças, todos os sonhos, os momentos bonitos percebeu que não passavam de uma falsidade mediática, uma encenação onde ela foi só figurante.
Martim estava calado. Agora sabia que de nada lhe servia inventar, ele próprio tinha sido descuidado demais, convencido de que estava sozinho. Mas também não tinha coragem de expor tudo. Ainda achava possível inverter aquilo, colar os cacos e seguir a receber o prometido.
Como deves imaginar, não vai haver casamento, disse Matilde, voz firme o peso das palavras gelou Martim por dentro. Mas antes de te pôr na rua, quero ouvir a verdade. Toda. Sem mais mentiras, sem rodeios.
A voz não vacilava, fosse qual fosse a dor. Cruzou os braços sobre o peito, como quem se protege de mais agressões. Os olhos não estavam húmidos só havia a firmeza de quem exige explicações.
Queres a verdade? repetiu ele com uma expressão de desprezo. Não havia já motivo para mascarar sentimentos, o papel de apaixonado estava concluído. Verdade? Pois ouve. Eu nunca olhava para ti se o teu pai não me tivesse oferecido um acordo: trato-te bem, passeio contigo, faço de namorado exemplar e em troca tenho trabalho fácil e uma bela quantia. Posso dizer que tiro dois ordenados por mês.
O tom dele era prático, indiferente, como se descrevesse uma ida ao supermercado. Mas cada palavra caía sobre Matilde como aço afiado, destruindo o que lhe restava de crença no amor.
Tudo por dinheiro? sussurrou ela, gélida. A voz vacilou, mas manteve-lhe o olhar.
Achavas mesmo que te queria pela tua cara? Martim riu, um riso áspero que nada tinha daquela ternura do passado. Olhaste bem ao espelho, alguma vez? Vai lá ver, com atenção.
Essas palavras queimaram-lhe o peito mais do que qualquer outra coisa. Vi Matilde a conter lágrimas que não queria mostrar. Apertou os punhos tão forte que os nós dos dedos ficaram brancos.
Por alguns segundos ela só ficou ali, tentando digerir tudo. O mundo parecia-lhe agora cinzento, as memórias e sonhos reduzidos a poeira. Nada tinha sido genuíno: os jantares, as mensagens, os planos tudo fazia parte da barganha, da teatralidade, onde nunca foi mais do que um meio para um fim.
Sai daqui! a voz dela soou mais forte do que teria imaginado. Mando-te as coisas por estafeta. Sai!
Martim ainda lhe lançou um olhar gélido longo, demorado, parecendo querer memorizar aquele último retrato de fragilidade e olhos amantes de lágrimas. No olhar não havia pena, só o alívio de quem acaba de largar uma máscara antiga. Virou costas, saiu devagar, vestiu o casaco como quem queria provar que nada lhe tirava o sono. O fecho da porta soou oco. Matilde ficou sozinha, o silêncio a cortar-lhe o peito.
No momento em que a porta bateu, Martim foi assaltado pela preocupação. Agora, a questão era: como se explicar ao Manuel Ribeiro? O pai da Matilde era homem austero, de mão de ferro. Sabia que podia ter de pagar caro por aquele fingimento. Plano idiota… pensou ele descendo as escadas. Contudo, pensou no saldo da conta uma quantia nada má em euros, o suficiente para amenizar os remorsos.
Ao menos não foi debalde, sussurrou ele, já na rua. Espero que não me peçam o dinheiro de volta… Ganhei-o, afinal!
Dentro do apartamento, Matilde, as mãos a tremer, discou o número do pai. Enganou-se várias vezes antes de conseguir.
Pai! gritou quando ele atendeu, o tom ferido e acusador. Como foste capaz? Como pudeste fazer isto comigo?
Não esperou explicações, não lhe deu oportunidade de se defender. As palavras saíam-lhe em torrente, cheias de mágoa e revolta:
Montaste tudo! Foste tu que o contrataste, pagaste-lhe, obrigaste-o a fingir que me amava! Nem sequer me perguntaste se era isso que eu queria! Achaste que sabias melhor do que eu!
A voz tremia-lhe, mas não parava:
Confiei em ti! Achei que ele… que ele me queria! E era tudo uma encenação! Transformaste a minha vida numa peça de teatro!
O Manuel ainda tentou falar, mas Matilde não ouvia. Atirava para fora tudo o que carregara nos últimos meses: mágoas, dúvidas, a sensação de ter sido enganada por quem mais gostava.
Nunca mais! Nunca mais te atrevas a meter-te na minha vida! Ouviste bem? Nunca!
Desligou a chamada bruscamente, largou o telemóvel no sofá, e, sem conter mais, desatou num pranto. As lágrimas corriam-lhe pelas faces, o rosto escondido nas mãos, os ombros a tremer. Ali, parecia-me uma criança magoada e sozinha com a própria dor.
O choro não era só pelo Martim. Anos de inseguranças e medo vieram-lhe à tona. Sempre se sentira inferior fisicamente. Passava horas em frente ao espelho, a analisar cada pormenor, a ver defeitos: Se ao menos tivesse a cintura mais fina se as curvas fossem melhores Sonhava parecer-se com as modelos das revistas ou as apresentadoras da televisão. Mas a realidade era outra, e isso doía-lhe.
Por vezes pensava em recorrer a cirurgias, imaginava transformar-se. Mas sempre desistia ao lembrar-se da mãe.
A mãe, ou Isabel, como fazia questão de ser tratada, mesmo nas coisas banais. O nome tinha uma melodia, lembrava-lhe a mulher elegante e enigmática que conheci em tempos. Em jovem fora uma verdadeira beldade, com traços perfeitos, cabelos abundantes e aquela graça especial que todos admiravam.
Tudo mudou no dia em que Isabel confiou no melhor especialista recomendado pelas amigas. Queria apenas corrigir minimamente o nariz. A operação correu mal e os efeitos foram irreversíveis. O rosto nunca mais foi o mesmo.
Isabel não desistiu logo. Correu clínicas, gastou milhares de euros em tentativas de corrigir o erro. Em cada esperança, uma desilusão. Sempre piorava.
Pouco a pouco, a luz dela apagou-se. Depois desapareceu do convívio, deixou de sair, de se olhar ao espelho. Passava os dias na penumbra, perdida em pensamentos sobre o que poderia ter sido.
Um dia, simplesmente partiu. Não deixou qualquer explicação clara, nem se despediu. Só uma nota curta ao pai da Matilde: Não aguento mais. Perdoa-me. Desde aí, silêncio absoluto sem chamadas, sem cartas, nada. Desapareceu, deixando a filha entregue ao pai.
Matilde cresceu a olhar para as fotos antigas da mãe aquela Isabel radiante, de sorriso emocionado e olhar terno. Nessa memória, era sempre bela e calorosa. Mas quanto mais os anos passavam, mais difícil era conciliar essa imagem com o que conheceu antes de partir.
Cedo começou a comparar-se com a mãe. E sempre ficava aquém: A mãe com maçãs do rosto perfeitas, eu só bochechas redondas; Os cabelos dela caíam como seda, os meus armam-se sempre; achava o nariz grande, a boca pouco cheia, o corpo pouco modelado. Por mais que lhe dissessem que era bonita, Matilde não acreditava. Sentia-se apenas uma sombra pálida da mãe.
Esta insegurança infiltrou-se em tudo: na escola, mantinha-se discreta, convencida de que ninguém a quisesse notar. Na faculdade, tremia só de pensar em falar em público. E a vida amorosa era um deserto. Os rapazes raramente lhe davam troco, e se davam, rápido se aborreciam. Achava que a culpa era da aparência.
Se fosse mais bonita, tudo era diferente, dizia-me, vezes sem conta, ele preso nas próprias dúvidas, sem entender que era o seu desalento que afastava todos.
Foi então que surgiu Martim. Entrou-lhe na vida como luz inesperada reparava nela, olhava-a como se fosse a única mulher do mundo, elogiava não aspetos vagos, mas detalhes genuínos: o sorriso, o riso, a atenção. Levava-a a sítios acolhedores, oferecia-lhe flores só porque sim, recordava os pequenos detalhes. Ao lado dele, Matilde sentiu-se bonita pela primeira vez em muitos anos. Não perfeita como a mãe, mas suficientemente boa. Suficientemente desejável. Suficientemente amada.
Com Martim, ela floresceu: aprendeu a crer que também merecia ser feliz. Quanto mais tempo passavam juntos, mais ela acreditava que havia ali algo autêntico.
Agora, tudo estava desfeito. As palavras escutadas demoliram esta ténue confiança. Não havia amor: era um papel encenado. Desde o primeiro olhar até ao último elogio, tudo foi encenação. E, para maior dor, com o aval do pai. O homem de quem ela mais esperava proteção.
****************************
Matilde estava de pé no provador, diante do espelho, e sentia uma estranha serenidade não aquela exaltação de antes, mas uma calma sensata e adulta. O vestido branco encaixava-lhe, realçando os ombros e caindo suavemente. As dobras sussurravam quando ela se movia, a renda apanhava a luz e criava reflexos.
Fitava o reflexo, mas agora já não via defeitos nem recriminações. Tudo tinha mudado. Hoje, aceitava-se tal como era.
Uma hora depois, Matilde percorria a nave da igreja entre os convidados. Cabeça erguida, costas direitas, passo firme. O olhar dela não era de sonho, como o de tantas noivas, mas de clareza. Sentiu muitos olhares: admiração de uns, surpresa de outros porque aquela noiva não parecia feita para lágrimas.
As pessoas afastavam-se, sorrindo, murmurando cumprimentos. Matilde respondia cortesmente, mas estava longe daquela azáfama. Lembrei-me da conversa com o pai, duas semanas antes.
Pai, decidi aceitar o pedido do Gonçalo, disse, sem hesitar.
O Manuel congelou com a chávena no ar, atónito.
Tens a certeza, filha? É um passo importante.
Tenho, afirmou ela, serena. Não vou mais esperar por um amor que talvez nunca venha. Quero estabilidade, respeito, uma família normal. O Gonçalo pode dar-me isso.
E o amor…? tentou ele ainda.
O amor? É bonito, sim, mas estou cansada de esperar por milagres. Quero construir a minha vida por mim.
Agora, perante o altar, repetia mentalmente este propósito. Gonçalo ansioso aguardava, tentando manter-se composto. No olhar havia simpatia e respeito, não aquela paixão desenfreada, mas algo de seguro e digno o que Matilde mais precisava.
Quando a funcionária do registo disse as palavras rituais, Matilde pensou consigo mesma: não se arrependia. Não era um conto de fadas romântico. Mas era a sua escolha, madura e ponderada.
Talvez o Gonçalo nunca me ame loucamente, pensou, olhando-o de frente. Mas vai respeitar-me. Quem sabe o amor cresce com o tempo?
Estas ideias deram-lhe força. Sorriu ao noivo não para a câmara, mas genuinamente, pela primeira vez em anos sentindo-se certa do que estava a fazer. Afinal, há muitos tipos de amor. Talvez ali começasse realmente a sua história não com fogo-de-artifício, mas com solo firme onde construir algo verdadeiro.






