Tinha 19 anos quando um rapaz chamado Diogo, com quem namorava há um ano, me pediu em casamento. Claro que percebia que era cedo e que ia perder aquela liberdade de sair com os amigos e aproveitar. Mas o Diogo pareceu-me sempre um homem seguro e de confiança. Por medo de não encontrar ninguém melhor, aceitei tornar-me sua esposa.
Começámos a viver na casa dos meus pais, que têm uma vivenda enorme nos arredores de Lisboa. Deram-nos o segundo andar só para nós. Digo desde já que os pais do Diogo também tinham boa vida, nunca lhes faltou nada, e na altura do nosso casamento o Diogo também ganhava bem, o que me permitia estudar tranquilamente na universidade.
Dois anos depois nasceu a nossa primeira filha, a Beatriz. O Diogo ficou tão feliz, mas o azar não tarda a bater à porta. O meu marido ficou desempregado. Os pais ofereceram-lhe trabalho na empresa da família, mas o Diogo, sempre muito orgulhoso e independente, decidiu procurar o seu caminho. Um amigo sugeriu-lhe ir trabalhar para fora. E assim decidiu partir.
Combinámos que ia só por um ano, para podermos ter algum dinheiro de parte, talvez comprar uma coisa nossa. Mas depois de começar a ganhar a sério lá fora, ao fim de um ano voltou e depois disse-me que ia outra vez, desta vez para dois anos. Alegou que queria comprar uma casa para nós em Lisboa, para não dependermos dos nossos pais. Admito que a intenção era boa, mas e eu? E a nossa filha? O Diogo prometeu que vinha umas vezes por ano, e cumpriu. Entretanto, aquele ano transformou-se em cinco. Já estava tão carente de ter um homem ao meu lado que às vezes perdia a cabeça.
Um dia, um homem um pouco mais velho do que eu enviou-me mensagem numa rede social. Enchia-me de elogios, dizia que eu era a mulher mais bonita e desejada. Não ouvia algo assim do meu marido há séculos. Resumindo, trocámos mensagens durante um mês, até que nos encontrámos. Nesse encontro acabei por trair o meu marido. Senti-me tão bem que voltei a sair mais algumas vezes com ele. Mas, como o destino quis, dois meses depois o Diogo voltou de vez. Trouxe palavras bonitas, comprou-me um apartamento. A culpa começou a sufocar-me. Confessei-lhe tudo, inclusive que não tinha sido só uma vez. O que aconteceu depois?
O Diogo expulsou-me de casa. Pensei logo em ir atrás do outro, mas ele respondeu de imediato que não podia ficar comigo, que tinha muito trabalho, uma série de desculpas. Ou seja, para ele não fui mais do que uma distração passageira. O Diogo pediu o divórcio, a Beatriz ficou comigo na casa da minha mãe, mas agora ele ameaça que vai lutar pela guarda. Tenho tanta vergonha do que fiz pergunto-me tantas vezes porque não consegui esperar pelo meu marido, como fui capaz de o trair desta maneira. Aprendi da forma mais dura que nada justifica trair quem nos amou só espero algum dia reconquistar a confiança da minha filha e encontrar a paz comigo mesmo.







