O casamento deveria ter sido o dia mais feliz da vida do Marco e da Efigénia. Restaurante caro, convidados de alta sociedade, decoração digna de novela da noite. Mas, atrás do cenário idílico, escondia-se uma verdade amarga, que veio à tona no auge da festa.
Cena 1: Veneno sob véu de felicidade
À mesa principal, Efigénia brilhava no seu vestido desenhado sob medida. Porém, mal o fotógrafo virou costas, ela inclinou-se para o noivo. A voz, que costumava ser doce, surgiu agora fria e cortante, como água tirada do frigorífico:
“Olha só para ela. Aquele trapinho barato estraga-me todas as fotos. Diz ao fotógrafo para a cortar dos planos ou então é melhor ir sentar-se lá para o fundo da sala.”
Cena 2: A Mãe
Marco percebeu para quem ela olhava. Bem no centro da sala estava sentada a sua mãe. Vestia-se com simplicidade vestido já com uns anos em cima, mãos calejadas que apertavam nervosas a toalha. Sentia-se deslocada no meio daquela ostentação, mas os olhos denunciavam um orgulho sereno pelo filho.
Cena 3: A dura realidade
O coração de Marco deu um salto. Olhou para o seu smoking impecável e depois para as mãos nuas da mãe.
“Ela vendeu o único anel de ouro que tinha para me comprar este smoking,” murmurou, abafado.
Cena 4: Coração de Gelo
Efigénia só revirou os olhos e resmungou num tom que gelaria vinho do Porto:
“E então? Isso não lhe dá direito de estragar a minha estética. Resolve isso. Já.”
Cena 5: A Viragem
Nesse instante, alguma coisa partiu dentro de Marco. Afasta-se devagar da noiva, tira calmamente a cara boutonnière e atira-a para a mesa, mesmo à frente de Efigénia.
“Vou resolver sim,” disse ele, seco.
Cena 6: O desfecho inesperado
Marco levantou-se e atravessou o salão sem olhar para trás. Fez-se silêncio. Efigénia ficou boquiaberta, convicta de que o noivo ia “tratar do assunto”.
Mas Marco parou junto à mãe. Ajoelhou-se à frente dela, beijou-lhe as mãos cheias de história e falou alto, para todos ouvirem:
“Perdoa-me, mãe. Vamos embora. Não tens de estar onde o teu amor não é valorizado.”
Ajudou a mãe a levantar-se, deu-lhe o braço e encaminhou-se para a porta.
“Marco! Onde vais? Volta aqui!” gritou Efigénia, o rosto uma mistura de raiva e vergonha.
Marco dirigiu-se à saída, virou-se e declarou:
“Sabes, Efigénia, tens razão a estética importa. E na minha vida não há espaço para uma alma feia como a tua. Casamento, acabou.”
E saiu, deixando a “noiva perfeita” só, no esplendor dourado das decorações. Nessa noite, Marco perdeu uma esposa, mas ficou com o maior tesouro: a sua honra e o amor de mãe, que nem os euros de toda a festa podiam comprar.





