A Cuidadora do Viúvo: Segredos, Suspeitas e Cartas Esquecidas Mergulham uma Família Portuguesa na Dor e na Verdade

Olha, deixa-me contar-te esta história, que parece saída de um daqueles dramas fortes à portuguesa, sabes? Não vais acreditar.

Há coisa de um mês, contrataram a Olinda para cuidar da Dona Regina Vieira uma senhora já idosa, depois de um AVC que a deixou presa à cama. A Olinda era quem virava a Regina a cada duas horas, trocava lençóis, ficava atenta aos soros e à medicação. Imagina a canseira.

A verdade é que, há três dias, a Dona Regina partiu. Foi tranquila, enquanto dormia. Os médicos foram claros: foi mais um ataque. Ninguém a culpar.

Ninguém, tirando a Olinda pelo menos era o que achava a filha da falecida, a Cristina.

A Olinda, já sentada num banco à porta de casa, passou o dedo sobre a cicatriz branca no pulso já antiga como sabes, das épocas em que trabalhava no centro de saúde, nova e distraída. Agora já roçava os quarenta, divorciada, com o filho a viver com o ex-marido. E a reputação dela quase arrasada.

Tiveste lata de aqui vir? a Cristina apareceu de repente, parecia saída do chão. Estava com o cabelo super apertado, quase a fazer doer só de olhar. Olhos vermelhos de tanto chorar e pouco dormir. Pela primeira vez parecia mais velha do que os seus vinte e cinco anos.

Só vim despedir-me, disse a Olinda, numa calma séria.

Despedir-te? a Cristina franziu a voz num sussurro Eu sei o que fizeste. E todos vão saber também.

Depois foi-se embora, direita ao caixão, onde o pai estava o Artur Vieira de cara sisuda, mão direita afundada no bolso do casaco.

A Olinda não a quis seguir, nem se explicou já tinha percebido: para o que desse ou viesse, iam pôr-lhe tudo a ela em cima.

Dois dias depois, apareceu o post da Cristina no Facebook:

A minha mãe partiu em circunstâncias estranhas. A cuidadora, contratada para estar ao lado dela, se calhar deu uma ajudinha para ela partir antes da hora. A polícia não liga. Mas eu vou até ao fim.

Três mil partilhas, Mariana, imagina! A maioria dos comentários, cheios de pena, claro, mas apareciam uns quantos a dizer alguém que encontre esta bruxa.

A Olinda leu o post a caminho de casa, no autocarro, ao regressar do centro de saúde lá onde trabalhava em part-time até há pouco.

Senhora Olinda Vieira, compreende a nossa posição disse-lhe o diretor do centro, sem sequer olhar para ela. Isto teve demasiado impacto, os pacientes estão preocupados, o staff nervoso. É só até isto acalmar.

Só até acalmar, pois A Olinda sabia o que isso queria dizer. Nunca mais.

Chegou ao T1 dela vinte e oito metros quadrados num terceiro andar sem elevador, uma divisão, cozinha e casa de banho combinação, tudo depois do divórcio. Serve para sobreviver, não chega para viver.

Estava a pôr água no fervedor quando tocou o telefone fixo.

Olinda? Daqui fala o Artur Vieira.

Quase deixou cair o fervedor. Era aquele timbre grave, arranhado, que não se esquecia. Ele mal lhe tinha dito uma palavra no mês em que ela cuidou da mulher, mas a Olinda lembrava-se bem de cada vez que ele falava.

Diga, Sr. Artur.

Preciso da sua ajuda. As coisas da Regina… Eu não consigo. A Cristina, muito menos. Só você sabe o que está onde.

Silêncio. Depois a Olinda perguntou:

Sabe que a sua filha me está a acusar do pior? Está a par disto?

Pausa longa, pesada.

Sei.

E mesmo assim liga-me?

Mesmo assim.

Qualquer pessoa sensata teria dito logo que não. Mas havia ali qualquer coisa na voz dele, um tom entre pedido e desespero, que deu à Olinda a coragem de aceitar:

Estou aí amanhã às duas.

A casa dos Vieira ficava nos arredores de Santarém moradia de dois pisos, espaçosa, mas agora vazia. A Olinda lembrava-se da casa com outra vida: enfermeiras a entrar e sair, máquinas a apitar, televisão ligada no quarto da Regina. Agora, só restava o silêncio pesado em cima de tudo.

Foi o próprio Artur a abrir-lhe a porta. Quase nos cinquenta, já com cabelos brancos nas têmporas, ombros largos, mas com uma curvatura nova de tristeza. A mão direita no bolso dava para perceber o contorno de qualquer coisa de metal, talvez uma chave.

Obrigado por ter vindo.

Não tem de quê. Não faço isto por si.

Então faz por quem?

Faço por mim, pensou Olinda. Preciso entender o que se passa. Porque é que se cala? Porque não me defende, sabendo que não tenho culpa?

Em voz alta só disse:

Pela ordem. Onde estão as chaves do quarto?

O quarto da Regina ainda cheirava a muguet, doce e intenso. O perfume dela, que ficou entranhado nas paredes. A Olinda tratou das coisas de modo prático: tirou a roupa do armário, fez caixas com os papéis, separou tudo. O Artur não apareceu, manteve-se lá em baixo ela ouvia os passos dele de um lado ao outro, inquieto como sempre.

Na mesinha de cabeceira estava pousada uma fotografia. Olinda pegou nela quase distraída mas ficou gelada ao olhar. Era o Artur, jovem, vinte e poucos anos, ao lado de uma mulher loira, sorridente não era a Regina.

Virou a foto: Artur e Lara. 1998.

Que estranho. Porque guardava a Regina ao pé da cama uma fotografia do marido com outra mulher?

Pôs a fotografia na mala e seguiu. Quando se ajoelhou para puxar uma caixa debaixo da cama, sentiu algo de madeira: uma caixa pequena, sem fechadura.

Dentro, um monte de envelopes, atados à antiga. A letra era sempre feminina e arredondada. Todos abertos e depois outra vez fechados com cuidado.

No envelope de cima: Artur Vieira. Remetente: Lara Marques, Braga.

Novembro de 2024. Um mês antes.

A Olinda começou a contar os envelopes. O mais antigo era de 2004 vinte anos de cartas! Alguém escrevia ao Artur há vinte anos e a Regina interceptava tudo.

E não deitava fora guardava na caixa. Porquê?

Aproximou o envelope ao nariz. O mesmo cheiro muguet. Regina ficava ali a ler, a reler, a tocar naqueles papéis vezes sem conta.

Pousou a caixa em cima da cama e sentouse. As mãos tremiam.

Aquilo mudava tudo.

Sr. Artur…

Ele estava sentado à mesa da cozinha, um chá frio à frente.

Já acabou?

Não. Ela largou-lhe um envelope à frente. Quem é Lara Marques?

O rosto dele mudou. Não ficou pálido, só duro como pedra. A mão do bolso fechou-se ainda mais.

Onde encontrou isso?

Na caixa debaixo da cama. Tem centenas. Vinte anos. Todas abertas e cuidadosamente fechadas. Todas escondidas pela sua mulher.

O silêncio parecia uma eternidade. Só depois ele se levantou, foi até à janela, virou-lhe as costas.

Sabia? perguntou a Olinda.

Só há três dias. Depois do funeral. Fui mexer nas coisas dela… Achei a caixa.

E está calado porquê?

O que é que quer que faça? virou-se de repente A minha mulher passou vinte anos a roubar-me a correspondência. Cartas da mulher que amei antes dela. Guardava-as… não sei se como troféu, ou castigo para ela mesma. Agora o que faço? Conto à minha filha, que idolatrava a mãe?

A Olinda levantou-se.

A vossa filha anda a espalhar que eu matei a sua mãe. Fui despedida. O meu nome anda por todo o lado na internet. E o senhor cala-se? Porque tem medo da verdade?

Ele deu uns passos na direcção dela, olhos fundos e exaustos.

Eu calo-me porque já não sei viver com isto. Vinte anos, Olinda! Vinte anos, em que a Lara me escrevia e eu convenci-me de que ela nunca mais quis saber. Achei que tinha seguido a vida, casado, filhos, tudo. Mas ela…

Não conseguiu terminar.

A Olinda pegou num envelope.

Vem de Braga. Eu vou lá.

Para quê?

Alguém tem de saber toda a verdade. Se não é o senhor, então vou eu.

A Lara Marques, a tal remetente das cartas, vivia num rés-do-chão duma daquelas torres antigas de Braga, com gerânios à janela e uma gata cinzenta a esticar-se ao sol. A Olinda tocou à porta, sem saber bem ao que ia.

Abriu-lhe uma mulher por volta dos cinquenta, cabelo claro apanhado, com ar de ter vivido muito. Olhou com cautela, mas sem hostilidade.

É a Dona Lara Marques?

Sou. E você?

A Olinda estendeu o envelope.

Encontrei as suas cartas. Todas. Foram abertas, lidas… depois guardadas.

A Lara olhou para o envelope como se mordesse. Depois, encarou a Olinda.

Entre.

Sentaram-se numa cozinha minúscula, tal como a da Olinda. O chá arrefecia nas canecas.

Escrevi-lhe vinte anos, a Lara cortou-se todos os meses, às vezes até mais. Nunca me respondeu. Pensei que me odiava por ter deixado ele ir.

Deixou?

Lara agarrou na caneca com as duas mãos.

Estivemos juntos três anos, desde a faculdade. Ele quis casar, eu tive medo. Tinha vinte e dois, achava que a vida era longa, para quê a pressa? Disse-lhe para esperar. Ele esperou meio ano. Depois apareceu a Regina bonita, determinada, sabia sempre o que queria. Não tive hipótese.

A Olinda ficou calada.

Quando se casaram, fui para Braga para junto da minha tia. Achei que ia esquecer. Não esqueci. Passado cinco anos comecei a escrever. Não para o trazer de volta, só só para ele saber que eu continuava a existir.

Ele nunca respondeu?

Nunca, respondeu a Lara, com um sorriso triste Agora vejo porquê.

A Olinda tirou da mala a fotografia.

Isto estava na mesa de cabeceira dela. Diz: “Artur e Lara. 1998”.

Lara agarrou na imagem, as mãos a tremer.

Ela guardou isto… à beira da cama?

Sim.

Silêncio.

Passei a vida a odiá-la, sabes? confessou Lara, baixinho. A mulher que me tirou o homem da minha vida. Agora, estranho, sinto pena dela. Vinte e cinco anos com medo que ele a trocasse por mim. Que inferno. O inferno dela.

A Olinda levantou-se.

Obrigada por me contar.

Mas… espere. Porquê tanto interesse seu, se nem parente é?

Olinda hesitou.

Estão a acusar-me da morte da Regina. A Cristina filha do Artur diz que eu quis o lugar da mãe dela. Que a matei para ficar com o pai.

Quer provar que é inocente?

A Olinda abanou a cabeça.

Só quero verdade. O resto logo se vê.

Telefonei ao Artur quando estava a voltar, disse-lhe que vinha a caminho. Esperava-me à porta, o sol já deitado por trás das árvores.

O senhor tinha razão, disse a Olinda, chegando perto Ela escreveu-lhe durante vinte anos. Nunca casou, ficou à espera.

Ele não respondeu, só agarrou mais forte a tal chave no bolso.

No cofre tem algo seu, não tem? Está sempre a mexer no bolso.

Pausa.

Venha.

Fomos ao escritório, ali estava o velho cofre dos tempos do escudo. O Artur abriu-o, tirou um envelope. A letra diferente das outras, trémula. Letra da Regina.

Ela escreveu isto dois dias antes de morrer. Só vi quando fui buscar os papéis para o funeral.

A Olinda leu a carta. Era um pedido de perdão, quase um desabafo. A Regina confessava que a partir de 2004 começou a interceptar as cartas da Lara, com medo de perder o marido. Não mostrou, guardou tudo, e passava os dias a odiar-se por isso, mas não conseguia parar. Suplicava perdão, mesmo achando que não o merecia.

Quando terminou de ler, a Olinda perguntou:

A Cristina sabe?

Não.

Ela precisa saber, sabe disso?

O Artur desviou o olhar.

Ela adorava a mãe. Isto vai destruí-la.

Ela já está destruída, disse a Olinda. Perdeu a mãe e tem medo de perder o pai. Por isso procura alguém a culpar.

Ataca-me porque não aguenta o luto. Se descobrir a verdade, pode custar-lhe mas se viver na mentira, nunca vos poderá perdoar.

O Artur tinha lágrimas nos olhos.

Já não sei falar com ela. Desde a doença da mãe calámo-nos.

Então aprenda. Hoje.

A Cristina chegou uma hora depois, vi-a da janela. Ficou parada, a olhar para o pai no alpendre. Falaram muito tempo. Ao início só se ouviam gritos. Depois, choro. Depois, silêncio.

Saiu com a carta da mãe nas mãos, os olhos enxutos mas perdidos. Aproximou-se da Olinda, que esperava tudo menos aquilo.

Apaguei o post. Escrevi outra coisa. E desculpe. Estava errada.

A Olinda assentiu.

Percebo. O sofrimento faz-nos duros.

Não foi isso, foi medo medo de ficar sozinha. Primeiro a mãe, depois o pai distante. E a senhora, que estava ali, que sabia coisas sobre ela Achei que queria o lugar da minha mãe.

Não. Nunca quis.

Agora sei.

A Cristina aproximou-se, estendeu a mão hesitante, como quem já desaprendeu. A Olinda apertou-lhe a mão.

A minha mãe foi infeliz toda a vida, não foi?

A Olinda pensou naqueles vinte anos de medo e ciúme, no amor que se transforma em cela.

Amou muito o seu pai. Talvez do modo errado, mas amou.

A Cristina sentou-se à entrada, a chorar baixinho. A Olinda sentou-se ao lado, não a abraçou, só ficou.

Passaram-se duas semanas.

A Olinda voltou ao trabalho depois da Cristina telefonar pessoalmente à diretora do centro. A reputação leva tempo a colar, mas às vezes consegue-se.

O Artur ligou à noite, como da primeira vez.

Olinda, queria agradecer-lhe.

Porquê?

Por me obrigar a ver a verdade. Obrigado por não me deixar fugir.

Pausa.

Vou a Braga amanhã. Falar com a Lara. Não sei o que vou dizer, nem se ela me aceita só sei que tenho de tentar. Vinte anos sem falar já chega.

A Olinda sorriu ele não viu, mas aposto que sentiu.

Boa sorte, senhor Artur.

Artur. Só Artur.

Um mês depois, voltaram. E não veio sozinho.

A Olinda soube por acaso: encontrou-os no mercado de Santarém, o Artur de sacos na mão, a Lara a escolher legumes. Podiam ser só dois desconhecidos, mas havia qualquer coisa naquele par: jeito, sintonia.

O Artur viu-a e fez-lhe adeus. Com a mão direita. Fora do bolso.

A Olinda acenou e seguiu.

Mais tarde, já em casa, abriu a janela. O ar vinha com cheiro a lilases e gasolina da estrada. Um cheiro normal, cheio de vida.

Pensou na Regina: no muguet, na caixa de cartas, no amor transformado em prisão. Pensou na Lara: nos vinte anos de espera, nas cartas nunca lidas, na esperança que ficou. Pensou no Artur: no silêncio, na chave, no homem que finalmente escolheu.

Depois parou de pensar. Ficou só ali, na janela, a ouvir a cidade e à espera de nada, ou talvez de tudo.

O telefone tocou.

Olinda? Aqui é o Artur. Só Artur. Estamos aqui a jantar, a Lara faz tarte de maçã. Quer vir?

A Olinda olhou para o T1 pequeno e calmo. Depois para a janela aberta.

Daqui a uma hora estou aí.

Pegou nas chaves e saiu.

A porta fechou-se com um estalido leve. Lá fora, o sol punha-se sobre Santarém e era daquela cor quente de promessa de amanhã tranquilo.

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A Cuidadora do Viúvo: Segredos, Suspeitas e Cartas Esquecidas Mergulham uma Família Portuguesa na Dor e na Verdade
Nenašla som v sebe tú lásku: Priznajte sa, ktorá z vás je Lila? – Dievča sa na nás so Svetou pozorne a so šibalským úsmevom zahľadelo. – Ja som Lila. Čo sa deje? – spýtala som sa zmätene. – Tu máš list, Lila. Od Volodiu, – neznáma vytiahla z vrecka županu pokrčenú obálku a podala mi ju. – Od Volodiu? A kde je? – prekvapene som sa pýtala. – Preložili ho do domova pre dospelých. Čakal ťa, Lila, ako spasenie, oči si už vyplakal od túžby. Dal mi ten list, aby som ho skontrolovala, či nemá chyby. Nechcel sa pred tebou strápniť. Už musím ísť, čoskoro je obed. Robím tu ako vychovávateľka, – dievča ma napomenulo pohľadom, povzdychlo si a utekalo preč. …Raz sme so Svetou, túlavé, zablúdili na územie neznámeho zariadenia. Mali sme šestnásť rokov, letné prázdniny nám priali a túžba po dobrodružstvách lákala. Prisadli sme si na pohodlnú lavičku. Rozprávali sme sa, smiali a ani sme si nevšimli, že k nám pristúpili dvaja chlapci. – Ahojte, dievčatá! Nudíte sa? Zoznámime sa? – chlapec mi podal ruku, – Volodya. – Lila, – odpovedala som. – A toto je moja kamarátka Sveta. A tvoj tichý kamarát, ako sa volá? – Leonard, – povedal druhý chlapec potichu. Zdali sa nám trochu staromódni a až príliš slušní. Volodya vážne zhodnotil: – Dievčatá, prečo nosíte také krátke sukne? A Sveta má dosť odvážny výstrih. – Heh… Chlapci, nekúkajte, kam netreba. Inak sa vám oči „rozkukajú“ na všetky strany, – smiali sme sa so Svetou. – Nedá sa nekúkať. Sme predsa muži. Nebodaj aj fajčíte? – pokračoval prísny Volodya. – Jasné, že fajčíme. Ale nie do pľúc, – s humorom sme odpovedali. Až vtedy sme si všimli, že chalani majú problém s nohami. Volodya chodil len ťažko, Leonard viditeľne kríval. – Liečite sa tu? – opýtala som sa. – Áno. Mal som nehodu na motorke. Leonard nešťastne skočil zo skaly, – odvetil Volodya naučenou odpoveďou. – Zakrátko nás pustia domov. Aj so Svetou sme uverili tej „legende“. Vtedy nám ani len nenapadlo, že Volodya a Leonard sú detskí invalidi. Boli odsúdení na dlhý pobyt v ústave. My sme pre nich boli hltom slobody. Žili, učili sa v ústave uzatvorenom pred cudzími. Každý mal pripravený svoj príbeh o údajnej nehode, nešťastnom páde či bitke… Volodya a Leonard boli zaujímaví, rozhľadení a múdri nad svoje roky. Začali sme ich navštevovať každú týždeň. Po prvé, bolo nám ich ľúto, chceli sme ich rozveseliť; po druhé, bolo sa od nich čo učiť. Naše krátke stretnutia sa stávali zvykom. Volodya mi začal nosiť kvety z neďalekého záhonu, Leonard vždy priniesol vlastnoručné origami a hanblivo ho podával Svete. Potom sme si štyria sadali na jednu lavičku: Volodya pri mne, Leonard sa otočil chrbtom a venoval všetku pozornosť Svete. Tá sa začervenala, ale bolo jasné – sama je spoločnosťou Leonarda potešená. Rozprávali sme sa o všeličom aj o ničom. Uplynulo láskavé teplé leto. Prišla daždivá jeseň. Skončili sa prázdniny. Pred nami so Svetou maturitný ročník. Na Volodyu a Leonarda sme s ňou úplne zabudli. …Zazneli maturity, posledný zvonček, maturitný večer. Pred nami vytúžené leto, čas nádejí. Znovu sme so Svetou zavítali na územie domova. Chceli sme chalnov navštíviť. Sadli sme si na známu lavičku, čakali, že k nám potichučky prídu Volodya a Leonard. Volodya s čerstvou kyticou, Leonard s farebným origami. Márne sme čakali dve hodiny. A vtom z dverí ústavu vyletela dievčina priamo k nám. Práve ona mi odovzdala list od Volodyu. Hneď som roztrhla obálku: „Lilia moja milovaná! Ty si môj voňavý kvietok! Moja nedosiahnuteľná hviezda! Asi si nepochopila, že som sa do teba zamiloval hneď pri prvom stretnutí. Naše spoločné chvíle boli pre mňa životom, vzduchom. Pol roka márne hľadím z okna a čakám ťa. Zabudla si na mňa. Aká škoda! Naše cesty sú rozdielne. Som ti vďačný, že som spoznal pravú lásku. Pamätám si tvoj hodvábny hlas, úsmev, nežné ruky. Je mi veľmi smutno bez teba, Lilia! Rád by som ťa videl ešte aspoň raz! Chcem sa nadýchnuť, ale nemám čím… Mne aj Leonardovi je už osemnásť. Na jar nás preložia do iného ústavu. Asi sa už nestretneme. Moja duša je na cáry! Verím, že bolesť z teba prejde a uzdravím sa. Zbohom, moja jediná!“ Podpísané – „navždy tvoj Volodya”. V obálke bol aj zaschnutý kvietok. Bolo mi strašne hanblivo. Srdce stislo, že sa už nič nedá zmeniť. V hlave mi preletelo – „Sme zodpovední za tých, ktorých si k sebe pripútame.“ Netušila som, aké vášne sa odohrávali v duši Volodyu. No nedokázala som mu opätovať city. Nebola to láska. Len priateľský záujem, obdiv k rozhľadenému kamarátovi – nič viac. Áno, trochu som koketovala, dráždila Volodyu a trochu prikladala do ohňa jeho zaľúbenosti. Netušila som, že nevinné flirtovanie v ňom vzbĺkne v lásku. …Odvtedy prešlo veľa rokov. Volodyov list zožltol, kvietok sa rozpadol. Ale na naše nevinné chvíle, bezstarostné rozhovory a smiech od Volodyových vtipov stále spomínam. …Tento príbeh má pokračovanie. Sveta sa zžila s ťažkým osudom Leonarda. Rodičia sa ho zriekli pre jeho „inakosť“. Leonard sa narodil s jednou nohavičkou oveľa kratšou. Sveta skončila pedagogickú školu, pracuje v domove pre detských invalidov. Leonard je Svetin milovaný manžel. Majú dvoch dospelých synov. O Volodyovi, podľa Leonardových slov, žil osamote. Keď mal cez štyridsať, jeho mama prišla do ústavu, našla svojho zabudnutého syna, plakala, znova si ho obľúbila a vzala k sebe na dedinu. Ďalšie stopy sa stratili… Nevedela som milovať: Príbeh nenaplnenej lásky, list Volodyu z ústavu a osud priateľstva, ktorý zmenil životy – pravdivý príbeh zo slovenského prostredia