Quando o Medo Vai Embora

Mãe, já cheguei! gritou Inês ao entrar em casa, pousando a mochila com todo o cuidado junto à porta. Inspirou fundo, a tentar acalmar o nervosismo: depois da escola, o regresso a casa era sempre tenso nunca sabia como encontraria a mãe. O coração batia tão depressa que até parecia querer saltar do peito, e as mãos ficaram frias e húmidas de suor.

Mal entrou, ouviu-se a voz cortante da mãe, quase como uma chicotada, a ecoar pelo corredor:

E então, o que é que foi desta vez? Mais um dois?

Inês estremeceu, baixou o olhar e ficou a fitar os ténis já gastos. Tinha 12 anos, mas aquele tom de voz já fazia parte do dia-a-dia; já aprendera a encolher-se por dentro e a esconder bem as emoções, como quem as limita e enterra no fundo do peito. A garganta apertou-se de tal forma que mal conseguia respirar.

Não, mãe sussurrou. Tirei um quatro a matemática. Faltou só um bocadinho para o cinco

Dona Manuela levantou-se do sofá com brusquidão e marchou na direção da filha. O rosto estava carregado de raiva: as sobrancelhas franzidas, os lábios finos e os olhos como faíscas.

Quatro?! A sério?! a voz dela parecia ressoar nos azulejos do hall. A minha filha a tirar quatros, imagina! O que é que as pessoas vão pensar? Vão dizer que sou má mãe, que não te sei educar!

Eu esforcei-me tentou explicar Inês, a voz tão tremida que quase não se ouvia. Era uma questão difícil Ontem estive duas horas a tentar perceber como resolver

Difícil! repetiu Manuela num tom mordaz, com um sorriso que mais parecia veneno. O que tu és é preguiçosa! Em vez de estudares, ficas sempre agarrada ao telemóvel. É sempre a mesma história

De repente agarrou na mochila da filha, puxou-a com força e despejou tudo no chão do corredor: cadernos voaram, o estojo abriu-se e as canetas rolaram até debaixo do móvel. Inês ficou imóvel, quase sem respirar para não chorar. Esforçava-se tanto, andava a estudar até tarde, procurava exemplos onlinee sentia-se só cada vez mais desamparada.

Sem deixar Inês argumentar, a mãe empurrou-a para fora de casa:

Quando perceberes como se faz esses exercícios, podes voltar! E não quero ver mais nenhum quatro, ouviste?!

A porta bateu com força atrás de si e esse barulho doeu-lhe no fundo da alma. Ficou ali, no átrio das escadas, a apertar contra o peito o único caderno que conseguiu agarrar à pressa. As lágrimas começaram a cair, desfeitas de dor, a manchar a capa do caderno.

Porquê sempre assim?, pensava, descendo as escadas devagar, tropeçando nos degraus como se fossem obstáculos invisíveis. Abraçou-se com força, desejando ter a roupa quente, mas o casaco tinha ficado dentro de casa e o frio gelava tudo até aos ossos.

Sentia tantas saudades do pai. O pai sabia sempre apaziguar a mãe, acalmar os ânimos com uma piada ou um carinho. Mas agora estava longe, numa cidade do Norte, a trabalhar nas obras de uma barragem. Ligava todas as semanas, perguntava pelas novidades, prometia trazer presentes mas neste momento fazia-lhe tanta falta. A ausência pesava como uma pedra.

Lembrava-se da primeira vez que a mãe lhe tinha gritado. Tinha só 9 anos e tinha tirado um negativo a Português. Manuela desatou aos berros, agarrou-lhe no braço com tanta força que deixou a marca vermelha.

Que vergonha! Como é que vou olhar as pessoas na cara? Acham que sou uma mãe que não sabe educar!

Na altura, Inês correu para o pai e contou tudo. O João ficou furioso, tentou falar com a mulher, explicou que as notas não eram tudo. Mas assim que ele voltou ao trabalho, a mãe chamou-a ao quarto:

Se voltas a queixar-te ao teu pai sussurrou-lhe ao ouvido, apertando-lhe o ombro, ainda te vai correr pior. Aprende a portar-te. Não sejas ingrata, não incomodes o teu pai com coisas de miúda!

Daquele dia em diante, Inês guardou tudo para si. Tentava ser invisível, fazer tudo perfeito, mas nada parecia ser suficiente. Todos os dias começavam com a revista ao caderno de apontamentos e acabavam com interrogatórios sobre as notas. Inês começou a ter medo de ir para casa, sentia-se sempre a caminhar em cima de gelo fino sem saber quando ia partir.

Um dia, enquanto arrumava o quarto, ouviu a mãe ao telemóvel, em alta voz, a falar com a vizinha Olívia. Parou à porta, sem fazer barulho.

Eu nunca quis ter filhos dizia Manuela, com uma dureza estranha na voz. O João queria muito dizia que uma família sem filhos não era família. E eu, para não o perder Pensei que viesse um rapaz, ficava mais para o lado dele. Mas veio a Inês Ele só lhe liga a ela! Até me esqueceu.

Mas tens ciúmes da tua filha? estranhou Olívia, sincera.

Não é ciúme, ela estragou tudo! Por causa dela andamos sempre a discutir. Para isso, mais valia nunca ter nascido

Aquelas palavras espetaram-se no coração da Inês como espinhos. Voltou a esconder-se no quarto, enfiou o rosto na almofada e chorou baixinho. Desde aí, tentou ser ainda mais discreta, mas nada mudava a mãe continuava a encontrar motivos para ralhar.

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Inês? Que estás aqui a fazer? ouviu-se atrás dela uma voz carinhosa.

Era a dona Idalina, a vizinha do rés-do-chão. Uma senhora de cabelos brancos apanhados num carrapito, olhos bondosos e risonhos. Estava de robe azul florido e pantufas fofinhas, feitas para o conforto daqueles dias frios.

A mãe pôs-me na rua fungou Inês, o rosto ainda todo molhado das lágrimas.

Outra vez por causa das notas? suspirou a vizinha, fitando a menina com olhos cheios de ternura. Anda comigo, está frio e daqui a nada ficas doente.

Aproximou-se, agarrou-lhe na mão tão macia e quente e levou-a para o seu apartamento acolhedor. Lá dentro cheirava a chá de camomila e bolos de laranja. Os vasos das sardinheiras no parapeito davam cor ao dia cinzento.

Senta, querida. Eu trato de ti. Vais ver que tudo se resolve.

Inês sentou-se à mesa, de olhos ainda vermelhos, a pensar como havia pessoas capazes de ouvir sem julgar.

Tirei um quatro murmurou, outra lágrima a escorrer-lhe e ela diz que sou uma vergonha, que sou preguiçosa, que faço dela má mãe

Isso são parvoíces, cortou dona Idalina enquanto preparava uma torrada. Tu és esperta, aplicada. Mas a tua mãe tem as dela. Anda ansiosa, descarrega em ti. Queres que eu lhe fale? Que lhe explique que não pode tratar-te assim?

Não vale a pena, abanou Inês a cabeça, enxugando a cara na manga. Só ia piorar. O pai é que sempre soube ajudar, mas está longe

A vizinha ficou calada, depois pousou a mão na cabeça da menina e, só com esse gesto, tudo pareceu um pouco menos pesado. Como se alguém cobrisse Inês com uma manta invisível.

Olha, às vezes os adultos também precisam de um empurrão, disse ela, acabando de preparar o lanche. Talvez fosse bom o teu pai voltar ou falar a sério com a tua mãe. Vê-se à distância que ele te adora.

Inês olhou para ela e sentiu, pela primeira vez em muito tempo, que alguém a percebia a sério. Deu uma trinca na torrada quente, que soube melhor que qualquer iguaria, e bebeu um golo de chá. O sabor da erva-luísa e da tília aqueceu-lhe o peito.

Ele prometeu vir nas férias, soltou por fim. Mas está tão longe E a mãe não o deixa meter-se na minha educação. Diz sempre que sou filha dela e que ela é que sabe o que me convém.

Dona Idalina arregaçou as mangas, sentou-se à frente e apoiou o queixo na mão.

Educar não é gritar nem punir, esclareceu. É apoiar, acreditar. Mas a tua mãe nunca aprendeu isso. Não precisas guardar tudo só para ti, percebes? Quando quiseres, eu dou um toque ao teu pai. Explico-lhe que tens mesmo de ter o apoio dele. Achas que aceitaria?

Inês ficou muda, a ideia de ser finalmente defendida assustava e dava esperança ao mesmo tempo. Acenou com a cabeça e apertou ainda mais a chávena entre as mãos geladas, sentindo o calor por fim.

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Duas semanas depois, tudo mudou.

Inês voltou da escola e ficou paralisada à entrada. No tapete da entrada estavam os sapatos do pai meio enlameados, de quem veio direto do comboio. O coração saltou, quase não cabia dentro do peito. Tantas saudades daquele sorriso afável, dos abraços quentes, das piadas dele nos dias mais cinzentos

Vinham vozes altas da sala:

Não podes simplesmente ir embora! Ainda somos uma família! gritava a mãe, com o tom à beira do histerismo.

Família? respondeu João, a voz firme. Que família é esta onde tratas a tua filha como se te fosse estranha? Eu falei com os professores e com a dona Idalina Sei bem tudo o que tens feito, Manuela. As tuas agressões, os teus gritos, o modo como fazes a Inês sentir-se inútil.

Ela mente! Só diz disparates sobre mim! exclamou a mãe, cada vez mais alterada.

Eu sei bem como ages, cortou o pai. Humilhas, assustas, obrigas a sentir-se indesejada. Esqueces que lhe roubaste a infância? Que ela tem medo de entrar em casa, como se esta fosse uma prisão? E que proibiste que se queixasse a mim?

Só a mimas demais, berrou Manuela. A vida não é fácil, tem de aprender a lutar, de não esperar elogios por tudo!

Não à custa da saúde dela! insistiu João, a voz cada vez mais dura. Não tens o direito de destruí-la por causa dos teus medos.

Se fores embora, nunca mais te deixo ver a Inês! atirou-se Manuela, os olhos cheios de desespero.

Quem te disse que ela fica contigo? respondeu João, gelado, olhando-a de frente. Não autorizo mais que a maltrates!

Saiu para o corredor e, ao ver a filha, o rosto suavizou-se. Ajoelhou-se à frente dela, pegou-lhe nas mãos tão quentes, tão familiares e murmurou:

Filha Nunca te vou deixar. Já preparei tudo.

Abraçou-a com força. Inês sentiu-se, finalmente, segura. Apeteceu-lhe despejar-lhe tudo cada lágrima, cada noite mal dormida, cada palavra amarga da mãe. Mas só o abraço dele bastava.

Pai, sussurrou, com o rosto no ombro dele podemos viver só os dois?

Podemos sim, filha, sorriu João, com aquele sorriso de fazer desaparecer as nuvens. Já arranjei um apartamento aqui perto e trabalho não me falta. Continuas na mesma escola. À noite, cozinhamos, vemos filmes, conversamos. Vais ver, vai correr tudo bem.

Ela anuiu, entre lágrimas, mas agora de alívio. Sorria com uma esperança tímida, mas grande como o nascer da primavera.

Obrigada, murmurou. Obrigada por estares sempre aqui.

Ele afagou-lhe os cabelos.

Não, amor. Eu é que agradeço por te ter, e vou fazer de tudo para que sejas feliz.

Lá fora a chuva acalmou e uns raios de sol espreitaram, aquecendo a rua. Inês olhou pela janela e, pela primeira vez em muito tempo, sorriu a sério.

Nesse instante, Manuela irrompeu pela sala, rosto transfigurado pela raiva contida.

Isto não fica assim! gritou, a voz tensa, quase a chiar. Julgam que me escapam assim facilmente? Ainda vão ver!

João colocou-se à frente da filha, decidido.

Manuela, falou calmo, mas firme, acabou. A partir de hoje eu e a Inês vamos viver sozinhos. Já decidi. Isto não é discussão, é um facto.

Achas que me vão calar? ela desatou numa gargalhada nervosa. Hei de vos fazer a vida negra! Vão implorar para voltar!

Inês agarrou-se à manga do pai, o pânico a querer tomar conta de novo aquele gelo velho de sempre mas o pai assentou-lhe a mão no ombro, terno. Só aquilo chegava para afastar o medo.

Vamos, Inês, disse-lhe baixinho. Aqui já não temos mais nada a fazer.

Pegou-lhe pela mão e saíram. Manuela ficou à porta, a respirar com dificuldade e punhos fechados, o rosto tão distorcido pela raiva que já mal parecia pessoa.

Ainda vão ouvir falar de mim! gritou ao fechar-se a porta. Hei de vos destruir!

A porta abafou o passado. Inês respirou fundo e sentiu a tensão ir-se embora, devagar.

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Os dias seguintes pareceram de sonho. Mudaram-se para um apartamento acolhedor na zona dos Olivais: paredes claras, janelas enormes a deixar entrar luz e um jardim sossegado nas traseiras.

João arranjou trabalho numa empresa de construção civil, onde a sua experiência era logo valorizada. As manhãs começavam com pequeno-almoço feito a dois ela a cortar fruta, ele a fazer ovos mexidos ou torradas. O cheiro a café novo e canela preenchia a cozinha. À tarde iam passear ao parque, dar comida aos patos da lagoa, jogar cartas ou ver desenhos animados juntos no sofá, enrolados na mesma mantinha. Pela primeira vez em anos, Inês sentiu-se leve, livre, feliz.

Numa dessas manhãs, à mesa, estendeu-lhe o caderno, mão tímida a tremer:

Pai, olha! Tirei cinco a matemática! disse com orgulho tão claro que os olhos do pai brilharam emocionados.

João sorriu, pegou no caderno e abraçou-a:

Que orgulho, Inês! Vês? Quando estás tranquila, tudo corre melhor. És maravilhosa, filha.

Ela abraçou-o de volta, alegre. Não havia mais necessidade de receios ou desculpas. Ao lado do pai, sabia-se amada e protegida.

Pai, perguntou baixinho, podemos ir ao Jardim Zoológico? Quero tanto ver as girafas, e os macacos, que são tão engraçados

Claro que sim! riu ele. No fim-de-semana vamos. Levamos sandes, damos comida aos pombos e vemos todos os animais. Se calhar ainda tiramos uma selfie com um pinguim. Está prometido!

Prometido! Inês riu, com vontade, tão solta como nunca.

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Entretanto, Manuela dava voltas pela casa vazia, sem saber o que fazer consigo. O silêncio pesava. Sentia raiva, ressentimento, inveja Como pôde ele deixá-la e levar a filha?

Sentada à mesa da cozinha, com papel e caneta, começou a tomar notas: Vou arranjar maneira de o despedirem, tenho conhecidos na firma. Faço uma queixa anónima à Inês digo que ela roubou alguma coisa, escrevo cartas à escola

A mãe de Manuela, D. Graça, entrou sem fazer barulho baixinha, de cabelos embranquecidos e olhos cansados mas meigos.

O que fazes, filha? perguntou, preocupada, olhando para o caderno.

Manuela estremeceu, tentou esconder o bloco.

Nada, mãe, só a fazer planos para a semana

D. Graça leu rapidamente o bloco, corou de choque:

Tu não estás bem Pensa no que estás a fazer! Vais mesmo prejudicar a tua filha e o João? Tu tens noção do que isto é?

Traíram-me! Ele levou-ma, acabou com tudo Manuela berrou, quase a tremer.

Não, tu própria destruíste essa família respondeu a mãe, firme. Só pensas em vingança, esqueceste-te da tua filha. Estás doente, filha. Precisas de ajuda séria.

Uma psicóloga? Achas mesmo? Manuela ainda tentou fugir ao assunto, mas sentiu-se exausta.

Se não fores, marco eu. Não podes continuar assim senão destróis-te e destróis os outros.

Sem forças, Manuela deixou-se cair na cadeira. Chorou.

Mamã Não sei o que se passa comigo. Estive sempre tão zangada, tão magoada Pensei que a Inês me roubava o João, que a culpa era dela Não queria ser assim.

Dona Graça abraçou-a.

Tens de procurar ajuda, filha. Por ti e pela Inês. Não é tarde para começares de novo.

Manuela assentiu, sentindo que algo se soltava finalmente.

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Nessa noite, Inês e João viram desenhos animados juntos no sofá, ela aninhada no pai, escutando o bater calmo do coração dele. O candeeiro aceso lançava luz suave pelo quarto, e a chuva lá fora embalava-os.

Pai, perguntou baixo, achas que a mãe algum dia vai mudar? Será que algum dia vai gostar de mim?

João ficou pensativo, acariciando-lhe o cabelo. Via a tristeza dela, sabia como ainda esperava ser amada.

Olha, Inês, respondeu serenamente, as pessoas podem mudar, mas só se realmente quiserem. Tua mãe está perdida, sente-se infeliz. Mas isso não faz dela só má. Precisa é de ajuda. Pode demorar, mas nunca se sabe.

Ela encostou-se mais a ele.

E se ela nunca mudar? Se sempre me odiar?

Mesmo que ela não consiga mudar, lembra-te a tua importância não depende dela. Tu és maravilhosa, Inês. E agora tens-me sempre aqui contigo. E se um dia a mãe quiser mudar, nós vamos escutá-la mas só quando te respeitar.

A filha sorriu, com os olhos húmidos, mas já não de dor.

Obrigada, pai, sussurrou. Às vezes sinto-me tão sozinhamas tu fazes tudo parecer mais leve.

Porque te amo muito, riu ele. Somos equipa, nunca estarás sozinha, prometo. E se algum dia a mãe quiser reatar, saberei proteger-te. Mas só se ela aprender a gostar de ti, como tu mereces.

Pai, posso convidar a Matilde amanhã para vir brincar? Ela pergunta sempre quando pode vir

Claro! exclamou João, animado. Fazemos uma festa pequena, cozinhamos bolachas, jogamos um bocadinho e vemos desenhos animados.

Que bom! Inês acenou, ainda mais feliz. Já estava cheia de saudades das amigasantes nunca podia convidar ninguém, a mãe não deixava.

Agora é diferente piscou-lhe o olho. Amigas, brincadeiras e muitos dias felizes. O mais importante é estares bem.

Inês sorriu, sentindo algo a florescer por dentro. Desta vez, tinha mesmo a certeza: agora tudo ia mesmo ficar melhor.

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