No mês passado, a minha vida mudou finalmente tornei-me avó! Sentia-me nas nuvens de tanta felicidade e contava os dias para poder visitar o meu neto. Contudo, fiquei profundamente triste ao perceber que não sou bem-vinda. A minha nora mostra abertamente o seu desagrado. Levei presentes, mimos, até algum dinheiro em euros, mas mesmo assim ela parece sempre desconfortável com a minha presença. O mesmo acontece com a irmã dela.
Sinto-me magoada porque só quero desempenhar o meu papel de avó. A minha nora foi desagradável comigo e com a minha filha, apesar de a Mariana só ter tentado oferecer um conselho útil. A Mariana já tem três filhos, sabe bem do que fala. Para piorar, metade dos presentes foram devolvidos. Segundo ela, um recém-nascido não precisa de peluches. Mas, daqui a uns meses, tudo isso será útil! Porquê este comportamento?
Quando fomos visitar, nem um café nos ofereceram. O meu filho ficou calado e de olhos baixos vê-se bem quem manda naquela casa, não é ele. Voltámos para casa em silêncio e, confesso, chorei ao chegar. Não esperava esta frieza.
Desde então, só recebo fotografias do meu neto nem me atrevo a visitá-los. Chamei-os várias vezes cá a casa, mas a minha nora recusa sempre. Pedi ao meu filho para dar um passeio comigo no jardim com o bebé no carrinho, mas nunca pode. Percebo que a minha nora controla todos os passos do meu filho e não quer que ele esteja connosco.
Ela até decidiu dar leite artificial ao bebé, para não se ter de expor ou justificar perante nós. Tem medo que a critiquemos, por isso evita qualquer encontro. Da minha parte, só quero ver a minha neta, não me importa como é alimentada. Cada mãe faz o que acha melhor e não me cabe julgar.
A nossa relação costumava ser boa, tanto ela como os pais dela sempre foram cordiais comigo. Mas, desde que nasceu o meu neto, ela parece outra pessoa! Nunca lhe fiz mal, porque mudou tanto? As minhas amigas nem acreditam que tenho um neto a quem não posso pegar ao colo.
A minha mãe deixou o apartamento que era dela em meu nome. Pensei vendê-lo e dividir o dinheiro pelo meu filho e pela minha filha. Mas, com tudo isto, o meu marido acha melhor arrendar e guardar a renda para nós. Não quer recompensar filhos ingratos; tem medo que, na velhice, ninguém trate de nós. Talvez tenha razão é difícil aceitar, mas começo a ver que podemos ficar sozinhos. Que tristeza.






