A sogra do nosso filho afastou-o da família: Depois do casamento, ele só quer saber da casa dela e nunca mais nos visita

Recordo-me, como se fosse ontem, do tempo em que o nosso filho, Tomás, se afastou de nós após o casamento. A vida mudou tanto desde então. Depois de se unir à Filipa, ele deixou de aparecer em nossa casa, encontrando sempre desculpas para estar junto da sogra, dona Leonor, que, de repente, parecia precisar de ajuda a cada passo. Eu própria pergunto-me, agora que o tempo passou, como é que aquela mulher viveu até a filha casar-se com o nosso filho.

Já lá vão mais de dois anos desde aquele casamento. Quando se casaram, os nossos filhos foram viver para um apartamento que havíamos comprado a Tomás quando ele entrou na Universidade de Lisboa. Tomás, desde pequeno, sempre teve o nosso apoio e compreensão. Mesmo antes do matrimónio, ele já morava sozinho, pois o apartamento ficava perto do local de trabalho.

Nunca desgostei da Filipa, apesar de sentir que era demasiado imatura para a responsabilidade de um casamento. Era rapariga de poucos anos e, embora Tomás tivesse mais dois anos do que ela, parecia tão inocente. A Filipa era caprichosa e, às vezes, comportava-se de modo pueril. O meu coração de mãe apertava-se ao imaginar o meu filho a trilhar o caminho da vida ao lado de alguém tão criança.

Quando conheci Filipa e a mãe, percebi finalmente com quem lidava. Dona Leonor tinha a minha idade, mas portava-se como se continuasse menina; já viram gente que, mesmo com o tempo a passar, nunca alcança maturidade? Pessoas assim, tão dependentes, que parecem eternamente perdidas? Naquela altura, Leonor já tinha passado pelo sexto divórcio!

As nossas conversas eram poucas e vazias. Limitávamo-nos a trocar cumprimentos nas festas, como manda a educação, sem qualquer laço mais forte.

Logo antes do casamento, fui apanhando indícios do que viria a ser mais tarde. Filipa começou a levar Tomás várias vezes à casa da mãe: um cano partido, uma ficha elétrica a mudar, uma prateleira caída na cozinha. De início, fechei os olhos a estes pedidos percebi que, numa casa só de mulheres, talvez precisassem de auxílio masculino.

Contudo, com o tempo, os problemas naquela casa nunca mais acabavam. Tomás praticamente desapareceu da nossa vida, justificando cada ausência com a necessidade de ajudar a sogra. Aos poucos, passaram a celebrar todas as datas festivas com dona Leonor, deixando-nos sós, a mim e ao meu marido, Manuel. Comecei a sentir falta do meu filho à mesa, especialmente em dias tão importantes para a família.

O pior foi quando Tomás passou a ignorar até os nossos pedidos de ajuda. Numa ocasião, comprámos um frigorífico novo e pedimos ao nosso filho que viesse ajudar a trazê-lo. Aceitou ao princípio, mas depois telefonou a dizer que não podia, porque tinha de acompanhar Filipa à casa da mãe, pois a máquina de lavar estava com fugas de água.

Eu própria, magoada, lembrei ao Manuel que era estranho a sogra não chamar um técnico qualquer. Será que vivia noutro mundo, sem operadores para esses trabalhos? Mas Tomás jurava a pés juntos que, se chamassem alguém, só seriam enganadas e ainda pagariam sem a certeza de reparação. Quando Tomás, contrariado, apareceu, só reclamou.

Pai, não podias contratar uma equipa para transportar o frigorífico? Agora sou eu que tenho de carregar com isto

Nesse momento, Manuel perdeu a paciência e disse que, se calhar, dona Leonor era um desastre a tratar de eletrodomésticos, mas, para orientar alguém, era bem astuta. Tomás ficou ofendido e virou-lhe as costas. Eu, sem saber o que dizer, pensava que Manuel tinha razão; nas costas do meu filho estavam sempre elas, para tudo o que implicasse esforço ou solução. Para cá, Tomás já não tinha tempo nem estrada.

Desde essa zanga, Tomás não falou ao pai durante mais de duas semanas. Manuel recusava-se a dar o braço a torcer, dizendo que não cederia primeiro. E eu, no meio, sentia-me esmagada. Por um lado, sabia que o meu marido não estava errado. Por outro, doía-me o afastamento e receava perder o meu filho por uma trivialidade.

Tomás disse que só falaria ao pai quando este lhe pedisse desculpa. Só dona Leonor parecia feliz com tudo isto; ela vivia rodeada dos seus, enquanto nós sentíamos o ninho vazio, tão diferente do que um dia conhecemos. Assim se passaram os anos, cada um agarrado à sua razão, e o tempo, esse, não volta atrás.

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– O meu tio já não está, o cão para a rua: sobrinho apressou-se a vender um apartamento alheio, sem saber que em 3 dias tudo iria ruir.