Há dois anos, a avó da Madalena morreu, deixando-lhe uma casa numa aldeia do interior, com um grande quintal e uma horta farta. Madalena recorda com carinho os dias de infância passados ali, a brincar no jardim e a ajudar a avó nas lides da casa. Todos os fins de semana, ela ia com a família e com a sogra aproveitar o ar puro do campo e as frutas frescas do quintal. Sempre teve uma relação tranquila com a sogra, sem chatices nem desentendimentos.
Agora o verão está no auge, e Madalena já preparou tudo o necessário para fazer compotas, geleias e conservas de legumes. Porém, ao chegar ao campo, fica espantada ao ver que todas as groselhas, mirtilos e framboesas desapareceram. Os vizinhos alegam que alguns rapazes da aldeia terão passado por lá a apanhar fruta, mas Madalena sabe que ninguém conseguiria apanhar tanta fruta num só dia.
De repente, chega a correr uma tia sua, vizinha também, e conta que a sogra de Madalena tinha ido à casa no dia anterior e levou de lá dois baldes cheios de frutos do bosque. Madalena sente-se revoltada e sem perceber o que motivou tal atitude.
Vai ter com a sogra e pergunta-lhe, frente a frente, o que se passou. Sem hesitar, a sogra admite que recolheu todas as frutas. Diz que quis oferecer vitaminas aos netos e que não conseguia comprar fruta fresca ao preço a que está no mercado. Madalena não quer acreditar no que ouve e faz questão de mostrar o seu desagrado com a situação. Agora, para encher a despensa para o inverno, será obrigada a comprar tudo no mercado, pagando em euros o que antes colhia do quintal.
Quando regressa a casa, Madalena conta o sucedido ao marido, que fica igualmente surpreendido com o comportamento da mãe. Como resposta, Madalena toma a decisão de pedir à sogra as chaves da casa do campo. Desde então, a sogra só vai à casa de campo acompanhada pela família, garantindo que nunca mais se repete um episódio destes sem que Madalena saiba.






