Eu não poderei ser tua mãe e não conseguirei te amar, mas vou cuidar de ti – e não deves ficar magoado. Afinal, aqui contigo será sempre melhor do que num orfanato. Hoje foi um dia difícil. O João enterrou a irmã. Por mais desastrada que fosse, era de sangue. Já não se viam há mais de cinco anos, até que aconteceu esta tragédia. A Vica, como pôde, apoiou o marido, tentando assumir grande parte das responsabilidades. Depois do funeral, ainda tinham de enfrentar outro assunto importante. A Irina, irmã do João, deixou um filho pequeno. E todos os parentes que naquele dia se reuniram para despedir-se da Irina, transferiram imediatamente a responsabilidade para o irmão mais novo. Quem, senão o tio de sangue, deveria cuidar do menino? Ninguém discutiu — era simplesmente o único caminho. Vica compreendia tudo, e até nem resistiu, mas havia um “mas”. Nunca quis ter filhos. Nem dela, muito menos dos outros. Essa decisão já tinha sido tomada há muitos anos. E ela confessou isso ao João antes de casarem, mas ele levou na brincadeira. E aos vinte e poucos anos, quem pensa em filhos? Decidiram: não, e pronto, vamos viver para nós, foi assim que combinaram dez anos atrás. Agora, ela precisava aceitar uma criança totalmente desconhecida. Não havia alternativa. João jamais aceitaria mandar o sobrinho para um orfanato e Vica nunca teria coragem de iniciar essa conversa. Sabia que nunca amaria aquele menino, e menos ainda conseguiria substituir-lhe a mãe. Era muito maduro e esperto para a idade, e Vica optou por dizer a verdade. — Vladinho, onde queres viver, cá em casa ou num orfanato? — Quero ficar em casa, sozinho. — Mas não te deixam viver sozinho. Tens só sete anos. Então tens de escolher. — Então prefiro com o tio João. — Está bem. Vais connosco, mas preciso dizer-te uma coisa. Não poderei ser tua mãe e não conseguirei te amar, mas vou cuidar de ti e não deves ficar magoado. Aqui contigo será sempre melhor do que num orfanato. Assim, resolveram parte das formalidades e, finalmente, voltaram para casa. Vica achava que, depois daquela conversa, podia ser ela mesma e não precisava fingir ser uma tia carinhosa. Cuidar, lavar, ajudar com os trabalhos — nada disso lhe era difícil, mas envolver-se emocionalmente, isso não. O pequeno Vladinho nunca esquecia que era “não amado” e que precisava portar-se bem para não ser mandado para o orfanato. Chegaram a casa. Decidiram dar-lhe o menor dos quartos. Mas primeiro precisavam adaptar tudo para ele. Escolher papel de parede, móveis, decoração — era o que Vica adorava. Entregou-se ao processo de criar o quarto do menino. Vladinho pôde escolher o papel de parede; o resto ficou por conta de Vica. Não poupou recursos, não por ser generosa, mas porque simplesmente não gostava de crianças. O quarto ficou lindo. Vladinho estava feliz. Pena que a mãe não podia ver o espaço novo. Ah, se Vica pudesse gostar dele… Ela era boa pessoa, só não gostava de crianças. Ele pensava muito isso à noite antes de dormir. Vladinho sabia alegrar-se com tudo, cada coisa pequena. Circo, zoo, parque de diversões — expressava um entusiasmo tão sincero que Vica começou a gostar desses passeios. Gostava de o surpreender e ver a reação. Em agosto, iam com o João para o Algarve, e Vladinho ficaria dez dias com uma parente próxima. Mas, quase em cima da hora, Vica mudou tudo. De repente, esteve com muita vontade de que o menino conhecesse o mar. João ficou surpreso, mas, no fundo, muito contente. Afinal, ele gostava muito do rapaz. Vladinho estava quase feliz. Só faltava ser amado. Mas pronto, ao menos ia ver o mar! A viagem foi ótima. O mar quente, as frutas saborosas, o ânimo excelente. Mas tudo acaba, até as férias. Voltaram ao dia a dia. Trabalho, casa, escola. Mas havia algo diferente na rotina, uma sensação de vida em movimento, uma alegria discreta, esperança de um milagre. E o milagre aconteceu. Vica voltou do Algarve grávida. Como era possível, depois de anos a evitar surpresas? Vica não sabia o que fazer. Contar ao marido ou decidir sozinha? Depois de Vladinho, já não estava certa que João queria ser “childfree”. Ele adorava brincar, cuidar, até levava Vladinho ao futebol. Uma coisa era certa: Vica já tinha feito uma revolução, mas para outra não estava pronta. Ela tomou uma decisão difícil. Vica estava na clínica quando recebeu uma chamada da escola: Vladinho foi levado de ambulância com suspeita de apendicite. Tudo adiou-se. Entrou apressada na urgência. Vladinho estava pálido, tremia. Ao ver Vica, desatou a chorar. — Vica, por favor, não vás embora. Estou com medo. Sê minha mãe só hoje, por favor, só por um dia, prometo nunca mais pedir. Agarrou-lhe a mão com força, as lágrimas a correr. Parecia uma verdadeira crise. Vica nunca o vira assim, só no dia do funeral. Hoje, desabou. Vica pressionou a mão dele contra o rosto: — Meu querido, aguenta só um pouco. O médico vem já e tudo vai correr bem. Estou aqui contigo, não vou embora. Deus, como ela o amava naquele instante! E esse menino de olhos brilhantes — era tudo para ela. Childfree? Que bobagem. De noite ia contar tudo a João sobre o novo bebé. Decidiu naquele momento, quando Vladinho, com dor, apertou ainda mais a sua mão. Passaram dez anos. Hoje, Vica celebra quase um jubileu: 45 anos. Virão convidados, felicitações. Mas, sozinha, uma onda de sentimentos. Como passou depressa o tempo! A juventude, a adolescência. Tornou-se mulher, esposa feliz e mãe de dois filhos maravilhosos. Vladinho tem quase dezoito, Sofia tem dez. E Vica não se arrepende de nada. Ou melhor, de uma coisa arrepende-se — das palavras de “não amor”. Como desejava que Vladinho não as recordasse, que esquecesse para sempre. Desde o dia no hospital dizia-lhe sempre que o amava. Mas se ele nunca esqueceu aquelas primeiras frases, ela nunca teve coragem de perguntar.

Nunca seria capaz de ser tua mãe, nem de te amar daquele jeito, mas vou cuidar de ti, e não deves ficar triste com isso. Afinal, connosco a tua vida será melhor do que num colégio de acolhimento.

Hoje foi dos dias mais difíceis da minha vida. O João enterrou a irmã. Mesmo que fosse problemática, era família. Já não se viam há quase cinco anos e, de repente, a tragédia aconteceu.

Eu, Vânia, tentei estar ao lado do meu marido, assumi o máximo dos afazeres e responsabilidades para o poupar ao sofrimento.

Mas após o funeral, havia ainda um assunto delicado para resolver. A Irina, irmã do João, deixou um filho pequeno. Os familiares que vieram despedir-se da Irina logo sugeriram que fosse o João a assumir cuidado do rapaz.

Ninguém colocou alternativas: quem melhor que o tio para assumir esta responsabilidade? Era ponto assente que a criança ficava connosco.

Não podia discordar entendo o motivo, nunca fui contra. Mas havia um “senão”. Nunca desejei ter filhos. Nem próprios, nem dos outros. Tomara tal decisão ainda jovem. Contei ao João antes do casamento, ele desvalorizou. A quem pensa em filhos aos vinte e poucos anos? Concordámos em viver para nós, assim foi durante dez anos.

E agora, era impossível evitar: tinha de acolher um menino que nada tinha de meu. Dar o meu sobrinho ao colégio de acolhimento não era opção para o João e eu também nunca teria coragem de tocar nesse assunto.

Sabia que jamais conseguiria amar essa criança, muito menos substituir-lhe a mãe. O rapaz era surpreendentemente perspicaz para a idade e achei justo ser honesta.

Tomas, tu preferias viver connosco ou no colégio de acolhimento?

Quero viver em casa, sozinho.

Mas sozinho não é permitido, meu querido. Tens só sete anos. Então precisas escolher.

Com o tio João.

Pronto. Vais connosco, mas quero que saibas algo: não poderei ser tua mãe nem amar-te como ela, mas cuidarei de ti, e não deves ficar aborrecido. Vais ser muito melhor tratado do que no colégio.

Assim, resolvidas as formalidades, regressámos finalmente a casa.

Achava que, depois dessa conversa, já não precisaria de fingir ser uma tia preocupada poderia ser eu mesma. Alimentar, lavar roupa, ajudar nos trabalhos de casa, nada disso custava, mas entregar-me emocionalmente? Não.

O pequeno Tomas, desde então, nunca esqueceu que era “não amado” e que, para não ir ao colégio, tinha de portar-se sempre bem.

Chegados a casa, decidimos que Tomas ficaria com o quarto mais pequeno. Precisava de ser renovado para acolher um rapazinho.

Escolher papéis de parede, móveis, decoração é algo que adoro. Pus-me a transformar o quarto com entusiasmo. Deixei o Tomas escolher o papel de parede e tratei eu do resto. Gastei sem pensar duas vezes; não sou forreta, simplesmente não gosto de crianças, mas o quarto ficou bonito.

Tomas estava radiante! Só lamentava que a mãe não estivesse ali para ver o seu novo espaço. Suspirava: se ao menos Vânia pudesse amá-lo… Ela é boa pessoa, generosa, apenas não gosta de miúdos.

Muitas vezes Tomas pensava nisso antes de dormir.

O rapaz sabia alegrar-se com tudo, com os pequenos prazeres. Circo, Jardim Zoológico, parque de diversões mostrava tão sinceramente o seu entusiasmo que acabei por apreciar esses passeios. Sobretudo gostava de surpreendê-lo e ver depois a sua alegria.

Em agosto, estava combinado que eu e João iríamos ao Algarve, e a prima Olívia ficaria dez dias com Tomas.

Mas, quase à última hora, mudei de ideias. Senti que Tomas merecia ver o mar. João ficou surpreso mas, no fundo, achou maravilhoso estava cada vez mais apegado ao rapaz.

Tomas estava quase feliz! Se ao menos fosse mais amado… Bom, ao menos ia conhecer o mar!

A viagem foi um sucesso. O mar estava quente, as frutas frescas e o espírito leve. Mas o verão tem sempre fim, e regressámos à rotina.

Trabalho, casa, escola. Mas algo mudara naquele nosso mundo. Surgira uma sensação nova, como uma esperança de que algo maravilhoso estava para acontecer.

E aconteceu. Voltei do Algarve com uma novidade: trazia uma nova vida dentro de mim. Incrível, como evitámos tantas vezes este tipo de surpresas e, agora, era real.

Não sabia o que fazer. Contar ao João ou resolver tudo sozinha? Depois do Tomas, já não tinha certeza do quanto o marido abraçava o conceito de não ter filhos. Ele adorava brincar com o sobrinho, levava-o a jogar futebol, partilhava tudo com ele.

Um desafio já enfrentei, mas para o segundo não estava pronta. Tomei uma decisão difícil, sozinha.

Estava na clínica quando recebi uma chamada da escola. Tomas estava a caminho do hospital, suspeita de apendicite. Os meus planos teriam de esperar.

Corri para o hospital. Tomas estava caído numa marquesa, muito pálido e com calafrios. Assim que me viu, desatou a chorar.

Vânia, por favor, não me deixes, estou com medo. Só hoje, sê a minha mãe. Só um dia, prometo nunca mais pedir.

Agarrou-se à minha mão com força, lágrimas a correr sem parar. Jamais o tinha visto assim, nem sequer no dia do funeral.

Agora era como se algo se tivesse rompido dentro de Tomas.

Abracei-lhe a mão contra a minha face.

Meu amor, aguenta só mais um pouco. O médico já vem e tudo vai ficar bem. Estou aqui, fica tranquilo.

Como o amei naquele momento! Aquele rapaz de olhos brilhantes, tão vulnerável era a minha maior riqueza.

“Não ter filhos”? Que disparate. Sabia, antes que o dia acabasse, iria contar tudo ao João sobre o bebé que aí vinha. Decidi-o justamente quando Tomas, de dor, apertou ainda mais a minha mão.

Passaram dez anos.

Hoje celebro quase um marco da vida: faço 45. Teremos festa, amigos e parabéns. Por ora, com uma chávena de café e nostalgia, deixo os pensamentos voar.

Como o tempo passou depressa. A juventude partiu, a vida mudou. Sou mulher, feliz esposa e mãe de dois filhos maravilhosos. O Tomas quase com dezoito, a Sofia já vai pelos dez. Não me arrependo de nada.

Bem, talvez haja algo, sim. Aquelas palavras sobre não amar. Gostava tanto que o Tomas não se recordasse, que tivesse esquecido para sempre.

Desde aquele dia no hospital, procurei sempre demonstrar carinho, mas será que ele guardou dentro de si aquela minha primeira confissão? Nunca tive coragem de perguntar.

Оцініть статтю
Додати коментар

;-) :| :x :twisted: :smile: :shock: :sad: :roll: :razz: :oops: :o :mrgreen: :lol: :idea: :grin: :evil: :cry: :cool: :arrow: :???: :?: :!:

1 × 3 =

Eu não poderei ser tua mãe e não conseguirei te amar, mas vou cuidar de ti – e não deves ficar magoado. Afinal, aqui contigo será sempre melhor do que num orfanato. Hoje foi um dia difícil. O João enterrou a irmã. Por mais desastrada que fosse, era de sangue. Já não se viam há mais de cinco anos, até que aconteceu esta tragédia. A Vica, como pôde, apoiou o marido, tentando assumir grande parte das responsabilidades. Depois do funeral, ainda tinham de enfrentar outro assunto importante. A Irina, irmã do João, deixou um filho pequeno. E todos os parentes que naquele dia se reuniram para despedir-se da Irina, transferiram imediatamente a responsabilidade para o irmão mais novo. Quem, senão o tio de sangue, deveria cuidar do menino? Ninguém discutiu — era simplesmente o único caminho. Vica compreendia tudo, e até nem resistiu, mas havia um “mas”. Nunca quis ter filhos. Nem dela, muito menos dos outros. Essa decisão já tinha sido tomada há muitos anos. E ela confessou isso ao João antes de casarem, mas ele levou na brincadeira. E aos vinte e poucos anos, quem pensa em filhos? Decidiram: não, e pronto, vamos viver para nós, foi assim que combinaram dez anos atrás. Agora, ela precisava aceitar uma criança totalmente desconhecida. Não havia alternativa. João jamais aceitaria mandar o sobrinho para um orfanato e Vica nunca teria coragem de iniciar essa conversa. Sabia que nunca amaria aquele menino, e menos ainda conseguiria substituir-lhe a mãe. Era muito maduro e esperto para a idade, e Vica optou por dizer a verdade. — Vladinho, onde queres viver, cá em casa ou num orfanato? — Quero ficar em casa, sozinho. — Mas não te deixam viver sozinho. Tens só sete anos. Então tens de escolher. — Então prefiro com o tio João. — Está bem. Vais connosco, mas preciso dizer-te uma coisa. Não poderei ser tua mãe e não conseguirei te amar, mas vou cuidar de ti e não deves ficar magoado. Aqui contigo será sempre melhor do que num orfanato. Assim, resolveram parte das formalidades e, finalmente, voltaram para casa. Vica achava que, depois daquela conversa, podia ser ela mesma e não precisava fingir ser uma tia carinhosa. Cuidar, lavar, ajudar com os trabalhos — nada disso lhe era difícil, mas envolver-se emocionalmente, isso não. O pequeno Vladinho nunca esquecia que era “não amado” e que precisava portar-se bem para não ser mandado para o orfanato. Chegaram a casa. Decidiram dar-lhe o menor dos quartos. Mas primeiro precisavam adaptar tudo para ele. Escolher papel de parede, móveis, decoração — era o que Vica adorava. Entregou-se ao processo de criar o quarto do menino. Vladinho pôde escolher o papel de parede; o resto ficou por conta de Vica. Não poupou recursos, não por ser generosa, mas porque simplesmente não gostava de crianças. O quarto ficou lindo. Vladinho estava feliz. Pena que a mãe não podia ver o espaço novo. Ah, se Vica pudesse gostar dele… Ela era boa pessoa, só não gostava de crianças. Ele pensava muito isso à noite antes de dormir. Vladinho sabia alegrar-se com tudo, cada coisa pequena. Circo, zoo, parque de diversões — expressava um entusiasmo tão sincero que Vica começou a gostar desses passeios. Gostava de o surpreender e ver a reação. Em agosto, iam com o João para o Algarve, e Vladinho ficaria dez dias com uma parente próxima. Mas, quase em cima da hora, Vica mudou tudo. De repente, esteve com muita vontade de que o menino conhecesse o mar. João ficou surpreso, mas, no fundo, muito contente. Afinal, ele gostava muito do rapaz. Vladinho estava quase feliz. Só faltava ser amado. Mas pronto, ao menos ia ver o mar! A viagem foi ótima. O mar quente, as frutas saborosas, o ânimo excelente. Mas tudo acaba, até as férias. Voltaram ao dia a dia. Trabalho, casa, escola. Mas havia algo diferente na rotina, uma sensação de vida em movimento, uma alegria discreta, esperança de um milagre. E o milagre aconteceu. Vica voltou do Algarve grávida. Como era possível, depois de anos a evitar surpresas? Vica não sabia o que fazer. Contar ao marido ou decidir sozinha? Depois de Vladinho, já não estava certa que João queria ser “childfree”. Ele adorava brincar, cuidar, até levava Vladinho ao futebol. Uma coisa era certa: Vica já tinha feito uma revolução, mas para outra não estava pronta. Ela tomou uma decisão difícil. Vica estava na clínica quando recebeu uma chamada da escola: Vladinho foi levado de ambulância com suspeita de apendicite. Tudo adiou-se. Entrou apressada na urgência. Vladinho estava pálido, tremia. Ao ver Vica, desatou a chorar. — Vica, por favor, não vás embora. Estou com medo. Sê minha mãe só hoje, por favor, só por um dia, prometo nunca mais pedir. Agarrou-lhe a mão com força, as lágrimas a correr. Parecia uma verdadeira crise. Vica nunca o vira assim, só no dia do funeral. Hoje, desabou. Vica pressionou a mão dele contra o rosto: — Meu querido, aguenta só um pouco. O médico vem já e tudo vai correr bem. Estou aqui contigo, não vou embora. Deus, como ela o amava naquele instante! E esse menino de olhos brilhantes — era tudo para ela. Childfree? Que bobagem. De noite ia contar tudo a João sobre o novo bebé. Decidiu naquele momento, quando Vladinho, com dor, apertou ainda mais a sua mão. Passaram dez anos. Hoje, Vica celebra quase um jubileu: 45 anos. Virão convidados, felicitações. Mas, sozinha, uma onda de sentimentos. Como passou depressa o tempo! A juventude, a adolescência. Tornou-se mulher, esposa feliz e mãe de dois filhos maravilhosos. Vladinho tem quase dezoito, Sofia tem dez. E Vica não se arrepende de nada. Ou melhor, de uma coisa arrepende-se — das palavras de “não amor”. Como desejava que Vladinho não as recordasse, que esquecesse para sempre. Desde o dia no hospital dizia-lhe sempre que o amava. Mas se ele nunca esqueceu aquelas primeiras frases, ela nunca teve coragem de perguntar.
– A vraj som sama? – smiala sa Oľga – Nie, kdeže, mám predsa veľkú rodinu! Príbehové suveníry zo slo…