Hoje ao regressar do centro comercial de Lisboa com o meu filho, apanhámos o autocarro bastante cheio. Ao nosso lado estava uma senhora acompanhada do seu filho, que tinha praticamente a mesma idade do meu.
O ambiente dentro do autocarro era abafado, repleto de passageiros. Reparei num jovem, que ouvia música com uns auscultadores. Pedi-lhe educadamente se podia ceder-nos o lugar. Ele levantou-se sem hesitar, e eu e o meu filho sentámo-nos. O meu rapaz, em sinal de agradecimento, ofereceu-lhe um rebuçado. O jovem sorriu, um pouco embaraçado com o gesto.
Logo depois vi que a senhora quis copiar o meu método. Começou, com bastante impaciência, a sacudir pelos ombros um homem que dormia profundamente enquanto seguia sentado. Como não reagia, a mãe elevou a voz, gritando alto. O homem retirou os auscultadores indignado e sem perceber o motivo da confusão.
Não vê que estou com uma criança pequena? Faça favor de ceder o lugar! Ela vociferou de tal forma que o próprio filho ficou assustado e desatou a chorar. Também não quero dar passagem! O homem respondeu, tomando uma postura firme.
Para ser sincero, compreendi perfeitamente a reação dele. Não lhe devia nada! Muito menos merecia aquele tratamento humilhante e ofensivo. Sugeri à senhora que o filho dela se podia sentar ao lado do meu, mas para ela era mais importante causar tumulto.
Na verdade, eu nunca agi assim. Quando é preciso peço sempre com gentileza. Se me cedem o lugar para o meu filho, sou profundamente agradecido. Se não for possível, respeito porque é uma escolha de cada um. Ao longo destes anos, nunca me negaram esse pedido.
Talvez porque aprendi que nunca se deve levantar a voz ou faltar ao respeito a quem não conhecemos. Hoje ficou a lição: em Portugal, a boa maneira e a educação ainda abrem portas, enquanto a má disposição só complica a vida a todos.







